29/07/2019

O Duplicador - Porque duplicar é preciso

Hoje em dia damos como fácil e certo o processo de reprodução e cópia de documentos, seja num ambiente doméstico, com recurso a uma simples impressora ligada ao computador, com ou sem fios, seja no escritório, na empresa ou escola. Para quantidades e outras exigências de formato e de tipo de suporte, existem de forma generalizada os centros de cópias,  com modernas fotocopiadoras a laser, plotters e mesmo outros equipamentos, versáteis e hoje em dia já com custos baixos.

Noutros tempos, porém, e nem será necessário recuar aos tempos da reprodução pela escrita ou os imediatamente posteriores à invenção da impressão por Gutemberg o processo de replicação de documentos era um empreendimento complexo, moroso e relativamente dispendioso.

Mas recuando apenas quarenta ou cinquenta anos, e pondo de lado a particularidade da impressão relacionada às gráficas, editoras livreiras e imprensa, mas ainda antes da generalização das fotocopiadoras e mais tarde às impressores térmicas, de jacto de tinta e a laser, as necessidades de impressão em série e em grandes quantidades em ambiente de empresa, de escola ou de qualquer organização, encontravasolução nos duplicadores, inicialmente apenas mecânicos e mais tarde com rotação eléctrica.
Estes duplicadores, também designados de mimeógrafos, sobretudo os populares da marca Gestetner, permitiam de facto a reprodução de cópias em quantidade a um custo de produção acessível.

Um duplicador ou mimeógrafo, embora com o mesmo objectivo de uma fotocopiadora, na realidade era um elemento de impressão, com um sistema rotativo, já que obrigava à utilização de uma matriz ou molde como original, em concreto uma película chamada stencil. Este stencil era constituído por um papel especial o qual introduzido na máquina de escrever permitia ser parcialmente perfurado pelos caracteres metálicos, o que depois de encaixado no duplicador permitia passar a tinta pelos orifícios e assim obter uma cópia. Para além do texto, com algum cuidado e engenho, utilizando estiletes metálicos era possível também gravar alguns desenhos, mesmo que pouco elaborados, sob pena de danificar o stencil.



A tinta, com base de álcool, para ajudar a secar rapidamente, era adquirida em grossos tubos dos quais se injectava num cilindro rotativo de base porosa que absorvia a tinta. Depois era girar a manivela manualmente com uma velocidade adequada. A força centrífuga e a pressão do rolo com o papel impelia a tinta através da matriz e assim obtinha-se cada cópia. Para imprimir no lado oposto, era necessário deixar secar as folhas impressas num dos lados e voltar a introduzir a nova matriz e voltar a repetir o processo.
Por conseguinte, era um processo de cópia relativamente barato mas de baixa qualidade e a exigir algum esforço e habilidade em todo o processo.

Este tipo de equipamento de reprodução de cópias tornou-se muito popular e acessível nos anos 70, nomeadamente no período pós revolução do 25 de Abril de 1974 permitindo aos partidos e organizações sindicais e políticas imprimir em grandes quantidades e a baixo custo os seus panfletos de propaganda (abaixo, ver imagens das impressões típicas deste sistema). Também eram muito utilizados em escolas, empresas e outras organizações que necessitavam de formulários e outros documentos.




Cá pela minha aldeia, pertencia eu a uma associação cultural e recreativa que durante várias anos, toda a década de 80 e parte da de 90, publicou um jornal mensal, que durante uma boa parte desse tempo foi impresso com recurso ao duplicador. Inicialmente mecânico, depois eléctrico e mais tarde substituído por uma máquina de impressão offset, embora esta de formato ligeiramente inferior ao A3, mas que permitia, em diferentes etapas, introduzir cor, o que em edições especiais usávamos para distinguir o título do jornal e de notícias. Ora a vermelho, ora a azul.

Especiais tempos esses, que contados agora à nova rapaziada ser-lhes-á difícil acreditar face à facilidade e generalização das impressoras e modernas fotocopiadoras.

Assim, de modo especial o Duplicador, foi de uma importância fulcral no desenvolvimento e acesso à cultura e à informação, pelo que tem um papel e um lugar especiais nas nossas memórias colectivas.

24/07/2019

Niepoort - Vinho do Porto


Cartaz publicitário do ano de 1944


Quando se fala de Vinho do Porto, mesmo que em rigor ele pouco ou nada tenha a ver com o Porto, mas sim com o Douro e Vila Nova de Gaia, uma das muitas marcas a ele associadas é a Niepoort.
Remonta a 1842 a fundação da empresa por Franciscus Marius Niepoort, nascido em 1813, em Hilversum, na Holanda. Casou com Francisca Louisa Elisabeth Ehlers e vieram veio para Portugal para criar a empresa Niepoort, produtora de Vinho do Porto. Fundou a empresa como vendedor de Porto, sem terrenos ou vinhas próprias. Era primordialmente um comerciante de Vinhos do Porto. Faleceu no Porto no dia 7 de Março de 1887, tendo-lhe sucedido Eduard Jackob que nasceu em 1848, no Porto, com a empresa já numa situação de prosperidade e de lá para cá a família tem crescido tal como a empresa que é uma das referências no sector do Vinho do Porto..

16/07/2019

Carmim Creme Torero - Dentes brancos e gengivas encarnadas


Cartaz publicitário do ano de 1946.

Desta Carmim Creme Torero, uma pasta dentífrica, pouco ou nada descobrimos. Mas curioso o slogan de que tão importante como branquear os dentes, seria avermelhar as gengivas. 
Do pouco que descobrimos, esta pasta de dentes remonta a 1870 e era uma das criações dos laboratórios ORIVE, cuja fundação remete para o farmacêutico espanhol Salustiano de Orive, nascido em Briones, La Rioja em 1842. Faleceu em Logroño em 1913. 
Do que apuramos, a marca pertencerá na actualidade ao grupo Henkel Iberica.

28/06/2019

Pó de arroz Pompeia


Cartaz publicitário do ano de 1944.

Hoje em dia as mulheres continuam a preocupar-se com o seu aspecto e  não surpreende que na generalidade continuem a dar importância à maquilhagem ou, como modernamente se diz, porque adoramos inglesismos, ao make up. As marcas e produtos de beleza de rosto são mais que muitas e populares. Cabelos, pele, olhos e lábios não escapam aos retoques. Todavia, o "pó-de-arroz" enquanto tal caiu em desuso.
Noutros tempos, porém, o "pó-de-arroz" era rei na arte de amaciar e perfumar a pele do rostos das senhoras e por isso fazia parte do leque de produtos de beleza. Era, pois, um produto popular, nomeadamente pelos anos 40, a que se refere o cartaz publicitário acima, dos anos 40.
Neste caso em concreto, uma das marcas populares, o "Pompeia" da casa francesa L.T. Piver - Paris. Para além do "pó-de-arroz", sob a mesma marca eram vendidos outros produtos associados à beleza feminina, incluindo cremes, sabonetes e perfumes. De resto a marca ainda existe e continua a tratar da beleza.
A marca tem as suas origens no remoto ano de 1774 quando foi lançado o perfume "A la Reine des Fleurs" (A Raínha das Flores). O seu fundador, Michel Adam era uma pessoa dinâmica e em pouco tempo os seus produtos forneciam nem mais nem menos que a corte de Luis XVI e depois outras cortes reais europeias. A Michel sucedeu um seu filho e mais tarde Louis Toussaint Piver que iniciou uma dinastia que tem estado à frente da empresa.

Na foto abaixo, uma das caixas em estilo da época em Arte Deco em que era embalado o pó mágico.

27/06/2019

Pastelaria Bijou



Cartazes publicitários da primeira metade dos anos 40

Terá sido por pelo ano de 1889, próximo do Natal, que abriu ao público lisboeta a "Pastelaria Bijou da Avenida" ou mesmo com a designação em francês, por ser chique, "Patisserie Bijou de L´Avenue". Então propriedade de António José Alves, abriu portas no Nº 75 da Avenida da Liberdade. Por questões diversas com o senhorio do prédio, o estabelecimento mudou de edifício, mas para perto., mantendo-se na avenida. 
Pelos anos 40, após algumas mudanças e abertura de filiais, o estabelecimento era conhecido apenas por Pastelaria Bijou, sedida nos números 84 a 88 ainda da Avenida da Liberdade. 
Notícias relativamente recentes dão conta que o emblemático estabelecimento de coisas doces e boas encerrou de forma definitiva e no mesmo local foi montada uma loja de vestuário.
Sinais dos tempos.

05/06/2019

Motorizadas antigas - Emblemas e autocolantes - 1

Com tempo, iremos publicando por aqui alguns dos emblemas e autocolantes de alguns dos modelos de motorizadas fabricadas em Portugal pelos idos anos de 60, 70 e 80. 
As imagens são reproduções a partir de originais, embora nalguns casos em variantes de cor e modelo, mas ambas elaboradas por nós no formato vectorial, embora aqui publicadas em formato raster.





TALVEZ QUEIRA REVER