24/08/2008

Brincar aos Cowboys ou "Cóbois"

 

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Brincar aos cowboys, ou "cóbois", melhor dizendo, era dos passatempos preferidos dos rapazes da escola primária do meu tempo de criança.

Esta paixão por imitar a vida dos vaqueiros do oeste selvagem americano, era fortemente influenciada pelos filmes e séries que nessa altura passavam com muita regularidade na RTP, desde logo a série "Bonanza", com o clã Cartwright, que habitava no rancho Ponderosa, na Virgínia. Depois a série "Lancer", que passava habitualmente às sextas-feiras à noite, em episódios de uma hora, Chaparral, Daniel Boone  (estes duas séries em exibição actualmente na RTP Memória) e ainda vários filmes, principalmente os protagonizados por nomes como John Wayne, Henry Fonda, James Stewart, Gary Cooper, Wallace Ford, Charlton Heston, Doug McClure, Kirck Douglas, Bud Spencer, Terence Hill ( estes dois últimos na série "Trinita" e muitos outros.

Para além dos filmes, tinham muita influência a colecção de cartões dos "cóbois", vendidos com pastilha elástica, a que correspondem as duas primeiras imagens de cima, e que aqui já falámos num anterior post, para além, claro, da abundante banda desenhada, os "livros de cóbois" ou "cóboiada", com heróis como Cisco Kid, Bufallo Bill, Texas Jack, Matt Dillon, Matt Marriott, Lorne Green, Tex Willer, Kit Carson, etc, etc.

Apesar de ser uma brincadeira do meu tempo de escola primária, era jogada principalmente aos fins de semana (tardes de sábado e domingo) pois exigia várias horas e abrangia um grande território por entre matas e pinhais da aldeia.

Por regra, entre os colegas, quase sempre rapazes, eram escolhidos dois grupos, o dos "cóbois", ou "artistas", e os "ladrões" ou "bandidos". Em suma, os bons e os maus, como num filme a sério, como convinha.

Aos "bandidos" competia partirem antecipadamente para a mata próxima. Escondiam-se-se, combinavam entre si a estratégia e armavam armadilhas. Aos "artistas" competia irem destemidamente à procura dos "bandidos" e depois prendê-los ou "matá-los". Do lado dos "artistas" havia normalmente um que era o chefe, o "xerife". Por vezes o objectivo era recuperar o "cofre" roubado, simbolizado por uma caixa-de-sapatos com seixos brancos, que começava na possa dos "bandidos".

Os acessórios eram paus, com a forma aproximada de revólveres, ou até mesmo recortados em tábua.

A regra para se "matar" alguém, era surpreender o adversário bem destapado de qualquer esconderijo, pelo menos a uma distância de 20 metros e simular o disparo "pum" ou "tau-tau". Perante a evidência de se ter sido apanhado, o interveniente no jogo teria que abandonar o mesmo. Claro que muitas vezes dizia que fora atingido só de raspão ou que o tiro saíu ao lado. Desculpas...Raramente havia lutas.

Havia também o "cavalo", que era uma estaca de pau, com um cordel em laço na ponta, que se colocava entre as pernas, simulando a montada.

Claro que estas regras eram muito complicadas de se fazer cumprir e não raras vezes a brincadeira tornava-se mesmo séria e acabava à batatada, quando não à pedrada. No fundo era mais uma brincadeira tipo "escondidas" mas jogada na mata.

Frequentemente cada participante adoptava um nome de um dos diversos heróis das séries e filmes que passavam na RTP.

Quando a brincadeira metia "índios", usavam-se mesmo arcos e flechas feitas de paus colhidos na mata, embora mais como acessórios. Esta era uma brincadeira perigosa, como se compreenderá, mas as coisas acabavam normalmente sem grandes feridos para além dos habituais arranhões. Qualquer queixa em casa, não colhia atenção e até era motivo de se apanhar umas valentes palmadas. Se havia coisa que os pais da altura não tolrevam era queixinhas dos colegas ou dos professores.

Recodo-me particularmente de passar as minhas tardes de domingo a brincar a estes "cóbois", pelos vastos pinhais juntos à minha casa, que por acaso até ficava junto à escola primária.

Boas memórias guardo desses tempos e dessas saudáveis brincadeiras com o grande grupo de amigos, irmãos, vizinhos e colegas de escola.

Recordar é viver.

3 comentários:

  1. Ainda guardo religiosamente a minha colecção dos´"cóbois" que saiam nas pastilhas.Foi bom encontrá-los por aqui também.
    mb

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  2. Caro amigo,

    Dei, quase sem querer, com o seu "blog". Estava à procura de livros de "cowboys" e vim dar aqui.

    Parabéns!...
    voltarei sempre que possa.

    Buck Jones

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  3. Antes de mais devo dizer que é sempre um prazer visitar este blogue e encontrar-me com a minha infância. Eu, aos 9, 10 anos era um verdadeiro cowboy. Fazia parte do meu vestário um cinto com 2 revolveres, um chapeu de aba larga, uma estrela pregada ao peito num colete de couro e um lenço ao pescoço. apresentava-me assim na escola, mas a professora proibiu as armas que passaram a ficar cá fora penduradas no cabide. O meu cavalo imaginário chamava-se Silver (como o do mascarilha) e ficava no recinto do recreio.

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