05/08/2008

Publicidade nostálgica - Sabão Clarim

 

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Sabão Clarim. Com Clarim, toca a lavar! Este slogan ainda hoje está presente na memória de muita gente. De facto este produto foi sempre muito popular e ainda hoje é muito usado apesar de já quase ninguém lavar à mão. Mas há sempre aquela peça de roupa que não justifica ir à máquina.

Recordo o Clarim e o seu inconfundível perfume a fresco e recordo sobretudo as longas horas que a minha mãe e todas as mulheres da aldeia dedicavam à lavagem manual da roupa, que era uma tarefa bastante dura e ingrata, especialmente em dias de inverno. Para além de repetitiva, exigia grandes esforços, desde o transportar a roupa à ida e à volta (ainda mais pesada), até ao ensaboar, esfregar na pedra áspera de granito e ao torcer. Depois de todo o processo era ainda necessário estender a roupa num sítio adequado para ficar a corar. O aparecimento e a generalização das máquinas de lavar veio desafogar as mulheres domésticas de um trabalho deveras penoso.

Para facilitar essa tarefa comum e quase quotidina, e porque era na altura uma importante infra-estrutura comunitária, quase todas as aldeias tinham um ou mais  lavadouros públicos, dispersos por vários lugares, onde se juntavam várias mulheres ou raparigas, sempre em ambiente de amena conversa, com boatos e mexericos na ordem-do-dia e até mesmo a cantar. Assim transformava-se uma tarefa ingrata num momento de alegria. Havia ainda quem lavasse a roupa na borda de um regato ou em qualquer outro sítio com água corrente, proporcionando assim quadros pitorescos do diário da aldeia.

Por isso, quando se passava por um destes locais, para além do tagarelar do mulherio sentia-se esse perfume a sabão Clarim, que assim lavava a roupa e até a água. Depois, como diz a cantiga da Aldeia da Roupa Branca, na voz da inconfundível Beatriz Costa, "...ai rio não te queixes, ai que o sabão não mata, ai até lava os peixes, ai põem-nos como prata..."

Outros tempos, outros usos e costumes.

2 comentários:

  1. Antes de mais queria dar os parabéns a este blogue tão original e que tem um belíssimo conteúdo. Vi aqui pela primeira vez anúncios que desconhecia a sua existencia de marcas que durante gerações portugueses usaram. E é por isso que lhe escrevo, eu possuo um blogue com um pouco da história da CUF. Descobri este blogue precisamente pro causa do Clarim, sobre o qual acabei de escrever, deixo http://industriacuf.blogspot.com/2009/06/o-sabao-clarim.html espero que goste. E mais uma vez aparabens pelo belissimo blogue, o qual vou adicionar a minha lista de blogues.

    melhores cumprimentos

    Ricardo Ferreira

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  2. Ricardo,
    obrigado pela visita e pelas palavras.
    Já passeio pelo seu blogue e gostei e auguro bons artigos sobre essa grande marca e empresa, a CUF.
    Para mim a CUF é tudo isso e ainda as suas inesquecíveis equipas de futebol, nomeadamente no final dos anos 60 e princípios de 70.
    Volte sempre.

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