07/09/2008

Santinhos de casamento

 

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Quem não se recorda dos santinhos de casamento? Estas estampas, habitualmente litografias italianas, com dimensões aproximadas de 60 x 100 mm, eram oferecidas pelos noivos aos seus convidados de casamento, e funcionavam como recordação do enlace. Desta forma, no verso da estampa, era impresso a letra dourada os nomes dos noivos, data e local do casamento.

Conservo vários destes santinhos de casamentos, dos anos 60, de pessoas conhecidas da minha aldeia, oferecidos a familiares meus.

Hoje em dia, os casamentos religiosos são cada vez menos porque é mais fácil o compromisso com os homens do que com Deus. Não admira, pois, que os modernos casamentos, consubstanciados numa génese fortemente materialista, tenhm pouca sustentabilidade e durabilidade, pelo que já não surpreende o número cada vez maior de divórcios, alguns deles decorridos poucos dias ou meses do casamento.

Claro que um casamento religioso, só por si  não é sinónimo de sucesso, até porque para muitos a componente religiosa é apenas uma consequência do tal materialismo, funcionando aqui como pretexto e cenário para a fotografia e para a pompa e circunstância. O verdadeiro compromisso entre os noivos e estes com Deus, é apenas uma mera leviandade. Não admira que sejam cada vez mais raros os casais que completam bodas-de-prata (25 anos de casados), já para não falar de bodas-de-ouro (50 anos). O acto de promessas e juras mútuas de amor na saúde e na doença, na tristeza e na alegria, na prosperidade e na adversidade, são, regra geral, compromissos fúteis e vazios de sentido. Há até quem se divorcie só para fugir da rotina. À primeira dificuldade, à exigência do primeiro sacrifício, da uma banal contradição, à primeira vaga de ondulações, o barco do casamento vacila e afunda-se. O divórcio é uma tábua de salvação ali ao lado.

A importância do casamento, nos nossos dias,  está assim quase limitada ao copo-de-água, em locais luxuosos, com custos quase sempre acima das possibilidades dos noivos e dos próprios convidados que, apesar de tudo, acabam por suportar essas vaidades e ainda a lua-de-mel, que, modernamente, deve ocorrer sempre no estrangeiro.

É claro que os tempos são outros, mas num passado não muito distante, os noivos trabalhavam quase até ao dia do casamento. A boda era muito simples, quase sempre em casa dos pais da noiva, constituída por um almoço melhorado mas frugal e oferecido apenas aos familiares próximos e a meia-dúzia de amigos. Não havia tempo nem dinheiro para lua-de-mel pelo que quase sempre no dia seguinte o fresco marido tinha que retomar o seu trabalho habitual e a jovem esposa encarregava-se das funções domésticos e do campo. Era assim para a maior parte dos portuguesas, mesmo da classe média. Foi assim com os meus pais e meus tios.

Como extensão do actual luxo, os convites de casamento primam pelo originalidade e só por si representam um grande custo. Depois, quase no final do copo-de-água, é habitual os noivos oferecerem aos convidados uma lembrança, pequenas peças decorativas, mas nunca os tais santinhos ou estampas, de que acima falámos. Isso era coisa dos anos 60 e 70.

Realmente, outros tempos, outras modas, outros luxos. A simplicidade deu lugar à extravagância; A escassez deu lugar à abundância e desperdício. Quem tem ido a casamentos nos últimos anos (e a quem não calha estes compromissos pouco desejados?)) sabe perfeitamente do que falámos.

Recordámos assim os santinhos ou estampas como lembranças de outros tempos, de outros casamentos.

Por curiosidade, os casamentos a que se referem os santinhos acima publicados, ocorridos em meados dos anos 60, todos eles ainda duram, ou seja, já a caminho de bodas de ouro.

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