04/09/2008

Sapo - O velho hortelão

 

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Hoje, quase no lusco-fusco, passei pelo meu jardim e voltei a ver o sapo Cantocas. Dei-lhe esse nome porque sempre que o encontro, desde o final da Primavera, está sempre no mesmo canto do jardim, onde possivelmente terá a toca, pois ali, junto ao muro, há abundante e diversa vegetação, incluindo madre-silva, cravos-da-índia, lavanda, etç. Para além do mais, nos dias de calor, a rega automática ao final de cada tarde dá-lhe e humidade que gosta e precisa.

É um grande sapo, castanho escuro. Mesmo por aqui na aldeia, já são extremamente raros estes bichos. Por isso o Cantocas é estimado, não só por ser espécie já rara mas também porque é conhecida a sua acção benéfica no jardim, na horta e no pomar.

Nesta situação, não deixo de recordar os meus tempos de menino, em que por regra não gostávamos de sapos, e sempre que tínhamos ensejo, pedrada em cima deles. Praticávamos a maldade de o colocar na ponta de um pau e o atirar a grande altura para o ver caír desamparado no chão até se esborrachar. Por um lado, nessa altura eles eram muitos e a qualquer passo esbarrávamo-nos com eles. Por outro lado, havia aquela crença popular, pelo menos entre as crianças, de que os sapos eram perigosos e peçonhentos e que mijavam para o ar e se nos acertasse nos olhos ficávamos cegos. Cegos estávamos quanto ao papel positivo dos sapos nos jardins e nas hortas. Nem mesmo as lições que aprendíamos nos livros da escola, como o exemplo acima, servia para mudar a nossa natural repugnância por estes bichos. Pobres sapos , que à custa da sua infundada  má fama e aspecto pouco simpático, tanto mal sofreram.

Felizmente, o tempo ajudou-nos a mudar de mentalidade e agora fico bastante satisfeito por ter este morador, o Cantocas, cá pelo jardim. O meu filho a princípio também não gostou da visão do sapo, mas já lhe fiz perceber o seu bom papel de hortelão. apesar de ser um bocado p´ró feio, convenhámos.

É certo que este Verão foi pouco ou nada quente, mas matei saudades de outros tempos ao ouvir o Cantocas ao princípio da noite, no seu escuro refúgio, a entoar o seu característico assobio curto.

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