05/10/2008

O Clarim - Jornal da Cruzada e das crianças de Portugal


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É o jornal mensal da Cruzada Eucarística de Portugal. Fundado em 1946, mantém uma tiragem actual de mais de 20 000 exemplares.
São quatro páginas apresentando doutrina e exemplos edificantes que ajudam os leitores a crescer na fé e na confiança em Deus.

Esta é a apresentação oficial do jornal O CLARIM, que pode ser vista no sítio oficial.
Tendo em conta a data da fundação, 1946, o jornalinho é publicado há mais de 60 anos. É propriedade do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, da Província Portuguesa da Companhia de Jesus, tem como actual director o P. Fernando Leite e a administração e redacção ficam localizadas em Braga.

Recordo-me deste jornalinho, desde criança da catequese. Na minha aldeia, aos Domingos de tarde, logo pelas 14:00 horas, iniciavam as aulas de catequese, para ambas as quatro classes. Terminavam uma hora depois e logo de seguida tinha início a reza do Terço, orientada pelo já falecido pároco local (foi pároco da aldeia durante 60 anos).
No final do Terço, uma vez por mês, o nosso Padre lá anunciava aos mais pequenitos: - O jornal "O Clarim" está na sacristia!"
Este anúncio despoletava uma algazarra e um amontoado de mãozitas estandidas enquanto o Padre distribuía o jornal. Habitualmente aconselhava para que o jornal fosse partilhado com outros meninos depois de lido. Claro que poucos seguiam este conselho.

A minha memória relativamente ao jornalinho O Clarim, remonta a esses tempos de criança. O jornal tem um formato aproximado de uma folha A4 (ligeiramente superior), dobrada a meio, por isso com 4 páginas. Apresentava sempre casos e exemplos de fé e devoção para com a Sagrada Eucaristia. Tinha sempre uma secção onde eram narrados pequenos sacrifícios realizados pelos pequenos leitores, coisas muito simples mas tão difíceis para as crianças. Extraio alguns exemplos: Fiz o sacrifício de dar uma esmola a um pobrezinho; Fiz o sacrifício de lavar a louça; Fiz o sacrifício de estar atenta na Missa; Fiz o sacrifício de não ver televisão para ajudar a minha mãe.
Uma rubrica tão do agrado da criançada era o PARA RIR, com algumas anedotas e adivinhas, cuja solução era apresentada na edição seguinte.
Cada pequeno artigo era sempre acompanhado de uma simples gravura.
O jornal O Clarim denomina-se de jornal da Cruzada e das crianças de Portugal, sendo por isso dirigido de modo especial aos petizes.
O movimento da Cruzada, a exemplo de muitas paróquias de Portugal, também existiu na minha aldeia nos anos 40 a 70. É possível que na sua origem, na sua génese estejam reminiscências da lenda da Cruzada das Crianças.

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De todo o modo, sabemos que este movimento da Cruzada teve origem concreta no apelo do Papa Pio X, que, em plena I Guerra Mundial (1914/1919), pediu que as crianças, adolescentes e jovens de todo o mundo se organizassem numa Cruzada Universal, com o objectivo primeiro de rezar pela paz no mundo. Este movimento parece ter chegado a Portugal no início dos anos 20. Foi um sucesso e nos anos 30 o movimento agrupava quase três milhões de jovens, principalmente crianças.
A Cruzada Eucarística das Crianças era formada por crianças em idade da escola primária, rapazes e raparigas, que vestiam roupas brancas. Sobre a roupa, cruzando o tronco, como na figura acima, era colocada uma faixa igualmente branca, estampada com a tradicional Cruz de Cristo, a vermelho. As meninas usavam ainda uma espécie de lenço, preso à cabeça por uma cinta.
Este movimento era coordenado por mulheres, ligadas normalmente à Catequese, a quem se dava o nome de zeladoras.

Pessoalmente nunca estive integrado nesse movimento, mas recordo perfeitamente a sua existência onde participavam alguns meus colegas. Entre outras actividades, o grupo da Cruzada tinha que acompanhar os funerais, participando no respectivo cortejo fúnebre. Naquela época, e ainda durante vários anos, os funerais eram realizados em cortejo pedestre, desdo a casa do falecido até à igreja matriz. Em cada cerimónia, a cada criança da Cruzada era oferecida uma espécie de senha de presença, que mais tarde daria direito a algumas prendas ou lugar gratuito numa das excursões realizadas anualmente peló pároco.
Em meados dos anos 70, o movimento acabou por se extinguir de forma natural, entre outros motivos, devido à cada vez menor indisponibilidade das crianças em participarem com regularidade nos diversos eventos e cerimónias religiosas.
É, pois, com saudade e nostalgia que recordo o jornalinho O Clarim e a sua intrínseca ligação ao meu tempo de criança.

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