11/02/2009

Brincar às casinhas



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Brincar às casinhas.
Esta é uma das mais fortes imagens relacionadas com o nosso tempo de criança. Brincar às casinhas era uma forma de imitar a realidade dos adultos, nas tarefas do quotidiano, mas também uma forma de viver, ainda que por instantes, num mundo próprio e fantástico. Mágico até.

É certo que à imagem dos adultos, mas com um simbolismo muito infantil, instintivo, mas também imaginário.
Não é de admirar, pois, que os brinquedos de outros tempos fossem imitações das coisas e dos objectos do dia-a-dia dos adultos. Desde logo as bonecas, também os apetrechos da casa, como os electrodomésticos, os móveis, a tábua de passar a ferro, os tachos, as panelas, a loiça e os talheres e também as roupas. Estes, claro, mais para as meninas. Para os rapazes, as ferramentas, os carros, os tractores, as máquinas, a bola, o pião, etc.

Este leque de brinquedos permitia assim um ensinamento precoce para as coisas da vida real de uma forma instrutiva mas lúdica e imaginária.
Hoje em dia, o contraste é enorme. Certamente que ainda se brinca às casinhas, e estou a recordar os meus filhos e as minhas sobrinhas e também ainda se vendem brinquedos com as características referidas, mas a tendência há muito que deixou de ser essa. Os jogos electrónicos, em consolas, no computador e até no telemóvel, estão já numa posição de supremacia, pelo menos no aspecto de brinquedos desejados e preferidos. Depois as armas, muitas armas e todo um leque de brinquedos que instigam à realidade da luta e da violência. Sinais dos tempos.

Não surpreende, por isso, que as crianças desde cedo aprendam a viver em contextos onde a violência e a indisciplina sejam encaradas de forma quase natural e instintiva, mas com consequências nefastas ao nível familiar e depois no percurso da escola e da sociedade.
As crianças de hoje, amanhã adultos, serão a imagem daquilo que brincaram e da educação, ou da falta dela, que receberam.

Por mim, ainda hoje gosto de brincar às casinhas, mas num outro sentido. Gosto de desenhar pequenas aldeias, com casas amontoadas, com a igreja a dominar o lugar, bem ao estilo de muitas e características aldeias portuguesas. Depois, periodicamente, vou acrescentando novas construções.
Infelizmente, muitas destas aldeias que fui desenhando, perderam-se. Todavia, mesmo agora, fazendo uso de modernas ferramentas de desenho, como o AutoCad e o Revit, por vezes dou comigo a construir aldeias, enfim...a brincar às casinhas.
Esta pequena paixão tem raízes nos tempos de criança e nas brincadeiras de então, em que, armados em pedreiros e carpinteiros, como no jogo do "cantinho", usando pedrinhas e pauzinhos, num espaço do jardim ou da horta, lá ía-mos levantando casinhas, pontes e muros e moldando colinas e regatos sinuosos, como construtores de mundos.
Bons tempos.

3 comentários:

  1. Olá! :)

    Eu em miúda adorava legos e também caixas de papelão vazias que virava do avesso e ao contrário e transformava em volumes, criando cidades.

    Entre o fim dos legos e os anos 90, desenhei em papel milimétrico. Todo o tipo de projectos que possas imaginar, interiores e exteriores. Escolas, hospitais, igrejas e casas. Bairros sociais. Fazia pilhas de papel com desenhos e depois tinha de me desfazer deles e ia parar tudo ao papelão. E, não, eu não segui arquitectura nem nada que se pareça.

    Depois, em meados dos anos 90, joguei pela primeira vez sim city e foi amor à primeira vista: conceber e desenhar cidades, áreas, resolver problemas. Desde o princípio desta década que descobri os sims e, na verdade, quase não uso os bonecos: construo, construo e construo. cidades grandes e pequenas, antigas e actuais, bairros, cinemas, apartamentos, hotéis, casas e casas e casas... o jogo é muito fixe para construir. Tem ainda a limitação de não me deixar preparar à vontade os terrenos onde construo as cidades, mas estou a fazer figas para que o novo, que sai este ano, e junta características do sim city na parte de edição das cidades, permita fazê-lo.

    Aldeias tão fixes, as tuas... fogo, como é que eu vim parar aqui? Percebo tão bem o tempo adorável que se passa a imaginar cidades e casas e o gozo de as desenhar, seja lá com que instrumentos for... Gostei imenso de ler este post.

    Saudações solidárias! :))

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  2. c.p.
    obrigado por partilhares essa tua memória e paixão.
    De facto devias ter seguido arquitectura.
    Quanto ao SIMS, conheço de ouvir falar e sei que de facto permite esse lado da construção.
    Por minha parte, para além do desenho à mão livre, gosto de usar ferramentas como o AutoCad e o Revit, que são da minha área profissional. As imagens reproduzidas foram realizadas com o Revit, mas claro que estão muito básicas. Apenas tenho os volumes, sem pormenorização e sem materiais.

    Volta sempre.

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  3. estou deliciada com estas casinhas. :)))

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