17/06/2009

A águia e a coruja – Viagens pelos livros escolares - 11

 

Quem não se recorda da fábula de Teófilo Braga, "A águia e a coruja", tantas vezes impressa em vários livros de leitura da escola primária?
A lição que hoje trazemos à memória foi extraída do manual "O novo livro de leitura da 4 classe", de 1973.
Esta história ensina-nos a lição de que as nossas coisas, de um modo geral, bem como os nossos filhos de um modo particular, merecem-nos um apreço e afecto especiais pelo que a imagem e a consideração que temos deles são sempre as melhores a ponto de, numa espécie de cegueira, nem darmos pelos seus naturais defeitos. Se isso acontece, tudo fazemos para os ocultar e ignorar mesmo que se tornem evidentes aos olhos dos outros.
No caso particular da coruja, a descrição que deu dos filhos à águia, foi-lhe fatal, pois esta não constatou nos filhotes da coruja qualquer dos predicados por ela descritos, acabando por os comer.

Esta história reporta-me aos meus tempos da escola primária e a alguns colegas de classe, mimados, burros e casmurros, mas que apesar dos constantes reparos da professora, mereciam sempre a protecção e defesa dos pais. Para eles os defeitos estavam sempre em quem ensinava. No final tudo acabava bem porque nesse tempo esse tipo de pais tinham "atenções" especiais para com os professores, traduzidas em ofertas de pacotes de arroz, açúcar, massa, ovos e outras coisas mais a encher um cabaz, que valiam pela melhor das provas ou exames. É claro que eram casos raros, mas que os havia havia.

Os filhos dos pobres, esses tinham mesmo que aprender caso contrário ficavam pelo caminho. No meu caso, na quarta classe cheguei a ter colegas mais velhos três e quatro anos à custa de tantos anos lectivos repetidos, acabando mesmo por abandonar a escola sem a quarta classe. Paradoxalmente, alguns deles actualmente estão bem de vida, sendo pequenos e médios empresários, principalmente na construção civil.


Conclusão desta fábula, que não a primeira: O ensino e a educação são fundamentais ao futuro das pessoas, certamente, mas a dedicação ao trabalho, o esforço e o sacrifício, também são importantes e uns não prevalecem sem os outros, embora a tendência moderna resida em estilos de vida alimentados essencialmente à custa do esforço dos outros. A criminalidade económica, de modo particular, ilustra muito bem esta realidade.

Sinais dos tempos.

 

a aguia e a coruja santa nostalgia

(clicar na imagem para ampliar)

 

*****SN*****

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