21/09/2010

Quadro rústico – Camilo Castelo Branco

 

camilo quadro rustico sn

(clicar para ampliar)

Lendo este belo quadro rústico, de Camilo Castelo Branco, encontro nele um retrato fiel do tanque de água de casa de meus avôs, à sombra da frondosa ramada de vinho “americano”, palco de tantas brincadeiras e fantasias. Fico assim com a impressão que o nosso tanque era exactamente como o de Camilo ou, o dele igual ao nosso.

Na realidade o tanque da casa de meus avôs, era um tanque duplo, onde a água do principal descaía alegre e cansada de sabão para um tanque secundário e adjacente, cujas águas no Verão eram aproveitadas para regas nas hortas. Nas mais das vezes, a água, porque era e ainda é de nascente, empurrada pela gravidade desde o monte, jorra dia e noite e onde cai, junto a cepas de videira e a um renque antigo de sabugueiro, forma uma pequeno charco onde existiam rãs. Noutros tempos, tínhamos ali à mão uma aula de biologia, vendo os girinos desenvolverem-se até ao estado de rãs até coaxarem alegres nas noites quentes de Verão. Hoje em dia, ainda há rãs, embora mais raras, e, claro, as galinhas, ainda andam por ali a piquenicar, e, imagine-se, de vez em quando, seguida das bolas douradas, os pintos.

Na correria dos tempos, porque hoje em dia tudo é a “assapar”, ainda há coisas que não mudarem e funcionam como portais ou máquinas do tempo, por onde ainda é possível entrar ou viajar até à nossa infância e reavivar as memórias dela emanadas como se o ontem ainda seja o presente.

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