14/02/2011

Dia dos Namorados

 

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Hoje é o dia de S. Valentim, Dia dos Namorados.
Entre nós é uma data com poucas ou nenhumas tradições e a sua base importada decorre sobretudo da globalização e interesses comerciais.

A sua implantação em Portugal assume principalmente essa vertente consumista e é relativamente recente. Interessa sobretudo aos restaurantes, perfumarias e floristas, mas não só. Para o comércio, sobretudo grandes superfícies, a par do Carnaval, é um dia interessante e rentável que aparece entre o Natal e a Páscoa já que tem de facto um forte apelo ao consumo, aos jantares ou às prendas mútuas. No meu caso, nada me diz, mesmo que coincida quase com o dia de aniversário da esposa (15 de Fevereiro), esse sim, o nosso Dia dos Namorados.

Outro exemplo de uma tradição importada e imposta pelo comércio é o Dia das Bruxas, o Halloween, entre 31 de Outubro e 1 Novembro e que aos poucos, tal como o Dia dos Namorados, vai encontrando acolhimento sobretudo nos mais novos.

Por outro lado, de um modo geral, hoje em dia o namoro já não é o que era e o termo namorar é um mero eufemismo que só ganha importância neste conceito comercialista. Os actuais namorados na realidade têm uma vivência e comportamento quase em tudo semelhante a um casal formalizado no casamento ou na união de facto, salvo que muitos, aparte a cama que vão partilhando, continuam com a casa, a segunda cama, a mesa e a roupa lavada dos paizinhos que cada vez mais os têm que albergar para lá dos 30.


É verdade que as tradições em si são um elemento dinâmico que reflectem aspectos culturais, sociais ou religiosos, de países e regiões, ou até mesmo de aldeias, e assim é natural que com o tempo se assista a uma variação dos pressupostos, que podem passar por mudanças, extinções ou até aparecimento de novas rotinas que depois adoptam o nome de tradições.
Esta realidade em si não tem nada de surpreendente, porque é evolutiva, mas também é verdade que revela algum empobrecimento das nossas verdadeiras raízes, já que somos expertos a assimilar contextos marcadamente importados quando, pelo contrário, vamos perdendo ou ignorando os verdadeiramente nossos. Ora uma sociedade que desvaloriza ou permite a alteração das suas raízes de forma tão ligeira, não deve ser tomada lá muito em conta.


É o preço da globalização, com todos os prós e contras.


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