23/07/2013

Amália Rodrigues

 

Fosse viva, Amália Rodrigues (Lisboa 23 de Julho de 1920 - Lisboa 6 de Outubro de 1999) estaria hoje de parabéns; completaria 93 anos. Todavia, sabe-se que sendo 23 de Julho (de 1920) a data de nascimento que consta no registo civil, Amália terá escolhido o dia 1 de Julho como dia de celebrar o seu nascimento. A este propósito, diz-se que ela terá explicado na sua biografia: "Não sei o dia em que nasci, nem eu nem ninguém da minha família! A minha avó dizia que nasci no tempo das cerejas; Ora o tempo das cerejas vai de Maio a Julho! Por isso, escolhi o dia 1 de Julho para fazer anos!"

A possível explicação para esta curiosa questão da data, para além da versão poética de Amália, é que, no que era um hábito, ou desleixo, na época, frequentemente a data de nascimento era registada por conveniência, para os pais evitarem o pagamento da multa a que se sujeitavem pelo atraso no assento no registo civil. Com a pouca importância dada então ao dia da vinda ao mundo de um filho, seria muito natural esquecer ou omitir  tal data e determinar a mais conveniente. Conheço na minha família alguns casos semelhantes.


Quanto ao esencial, Amália Rodrigues será porventura uma das figuras mais emblemáticas da cultura popular portuguesa, do século passado, desde logo pela sua relação com o fado, também ele um dos nossos maiores ícones, mas também porque nesse papel, soube, como ninguém, expressar a nossa alma lusitana e de uma forma que extravasou as nossas reduzidas fronteiras, tornando-se por isso uma embaixadora, um elo de ligação com a diáspora portuguesa.


Desde muito pequeno que aprendi o nome de Amália, a fadista,  mencionado pelos mais velhos como um referencial nacional, porventura só igualada por Eusébio (embora este mais conhecido pelos homens). O povo da aldeia mais recôndita podia não conhecer qualquer outro(a) fadista mas conhecia Amália e conhecia as suas canções, os seus fados, que com frequência emanavam expressivos do pequeno transistor a pilhas, do cimo de uma rústica prateleira ao lado de um galo de Barcelos ou de uma andorinha de barro pendurada na parede de cal.

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