13/06/2014

Casamentos de Santo António

 

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Sendo católico, não tenho, todavia, absolutamente nada contra os casamentos civis sem qualquer cerimónia religiosa. Infelizmente a tendência é que a convicção, seriedade e sentido de compromisso para com um casamento de carácter religioso sejam atributos menosprezados, pelo que na maior parte dos casos um casamento religioso não é mais que o pretexto e cenário para a festa, para inglês ver, como se costuma dizer. Sendo assim, não existindo essa convicção de princípios, casando-se só por civil, pelo menos dispensa-se o ridículo de um casamento religioso só para a fotografia ou como um frete para contentar alguém, nomeadamente os pais e famíliares.


Para além do mais, um casamento religioso nos dias que correm, porque sem as bases intrínsecas, não tem qualquer garantia de responsabilidade e compromisso e são tão vulneráveis a separações precoces quanto os formalizados apenas pelo civil.


Serve esta contextualização para dizer que apesar de tudo o que expressei, há coisas que são elementares e não fica nada bem que se desrespeitem ou se relativizem. Veja-se o caso da tradição dos casamentos de Santo António em Lisboa – que ainda ontem foram realizados: É uma tradição bonita e meritória mas também já não é o que era.

Sendo Santo António uma figura da Igreja e da religião católica, soa a ridículo que parte desses casamentos possam ser realizados apenas pelo civil, mantendo, no entanto, a associação ao santinho. É uma incoerência e banalização, mesmo sabendo-se que nos tempos que correm vale tudo.Se houvesse mais rigor e respeito pela figura do santo e dos valores da Igreja associados, tanto pelos organizadores como pelos noivos, só deveriam ter lugar casamentos com celebração religiosa. Nestas coisas é possível respeitar-se tudo e todos mas não podemos é ser oportunistas e incoerentes nas nossas opções. Ou somos ou não somos. Casem-se só por civil, porque têm todo o direito, mas deixem lá o santinho em paz e chame-se-lhes, nesse caso, casamentos do manjerico ou outra designação que o valha. Mas, vá lá, haja coerência e respeito por princípios e valores.

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