26/07/2016

Revista GINA




Quem das gerações de 60 e 70 não leu, mesmo que às escondidas, a revista GINA, com o sub-título Histórias Sexy Internacionais? Na realidade a leitura era o menos interessante da coisa, mas esta revista quando entrou no mercado marcou o até então quase inexistente ou clandestino panorama da pornografia em Portugal e aproveitou-se com êxito desse vazio, num momento oportuno, no período pós revolução do 25 de Abril de 1974 em que o povo andava sedento de liberdade mas também de outras coisas mais carnais.
Esta revista, publicada desde Setembro de 1974 até 2005, ao que dizem com um historial de 196 números, foi de imediato um estrondoso êxito e o preço inicial de 25 escudos (fica a dúvida se 25 ou 30) ia sendo alterado ao ritmo da crescente procura, galgando por aí fora até pelo menos aos 600 escudos. As tiragens de largos milhares suplantaram muitas das revistas populares da época.

A revista produzida pela editora Pirâmide, de Mário Gomes e irmão Acácio, tinham na essência conteúdos adquiridos ao já libertino e abundante mercado alemão e traduzidos ou adaptados com textos do próprio Mário, obviamente sem qualquer rigor literário. As capas regra geral eram púdicas, com rostos de mulheres larocas com ares de virgens inocentes, o oposto das cenas interiores. O papel era brilhante, com tons coloridos e algo resistente a humidades como convinha.
Como tantos títulos, do fulgor e novidade iniciais, a coisa tornou-se vulgar e uma entre muitas pelo que a GINA foi perdendo gás e a estocada final veio com a popularidade e facilidade do acesso grátis à pornografia tanto na TV por cabo como sobretudo na Internet. Nos últimos tempos era vendida a preço de saldo em sacos com outras revistas da editora, tipo pague uma e leve meia-dúzia, mas o destino estava traçado e acabou por terminar. Hoje, passados quase quatro décadas, a GINA é recordada como um produto emblemático de um tempo pós revolução e que na justa medida ajudou à descoberta da sexualidade mesmo que num registo de pornografia ordinária. É pois neste contexto que a GINA ainda mexe nalguns alfarrabistas.

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