19/02/2017

O papel químico

 

O "papel-químico", também conhecido por papel de carbono, faz parte da nossa história e memória colectivas. Durante muitas décadas foi um elemento imprescindível em tudo quanto era gabinete, agência, escritório ou repartição onde se tratasse de papelada, cartas, ofícios, facturas e muitos outros documentos e fosse necessária a sua duplicação ou reprodução. Também usado para reproduzir documentos escritos manualmente, mas também e sobretudo com uso na máquina de escrever, sendo colocado entre duas folhas e por vezes até mais.
Os tempos mudaram, vieram as reproduções por álcool, os duplicadores rotativos com stencil, os computadores e com eles as impressoras a laser e jacto de tinta que se tornaram acessíveis, porque baratas, e hoje o papel químico, ainda produzido e comercializado, serve apenas para uns trabalhos específicos, desenrascanços e sobretudo para utilizadores avessos às novas tecnologias e que vão resistindo a trabalhar ainda à moda antiga. Apesar disso, embora com tecnologia diferente, o princípio do papel químico está ainda amplamente  incorporado em muitos documentos, formulários e impressos burocráticos.

O papel-químico, do inglês carbon-paper, terá sido patenteado no longínquo ano de 1806, em Inglaterra por Ralph Wedgwood, pioneiro na reprodução e cópias em escritórios, a que chamou de “noctograph” uma vez que o seu propósito inicial era ajudar a escrita no escuro, ou seja, para os invisuais, com a ajuda de um estilete. Há, porém, fontes que referem a sua invenção ter ocorrido uns anos antes, em 1801, em Itália, pelo inventor Pellegrino Turri que o concebeu como suporte de tinta para a sua primeira máquina de digitação mecânica, vulgo máquina de escrever, fazendo impregnar  as folhas de papel com tinta preta a que baptizou de  “carbonated paper”. Nessa altura ainda não havia sido inventado o sistema de fita.  A ideia, embora inovadora numa época em que quase todos os documentos eram escritos à mão, não se popularizou e por questões de segurança  e receio de falsificação de documentos, os tribunais não aceitaram a sua utilização quase até ao final do séc. XIX. No entanto, nos Estados Unidos, com a crescente generalização das máquinas de escrever, o papel-químico tornou-se popular e depressa o seu uso e importância alargaram-se à escala global.

Em cor base azul ultramarino ou preto, mas também em vermelho e verde, este emblemático papel foi sendo comercializado entre nós por várias marcas mas sobretudo pela Pelikan ou a Kores, esta fundada em Viena – Áustria, fabricante de papel químico desde 1887 e que em  1912 lançou o sistema de fita para as máquinas de escrever.

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