03/04/2020

À margem...Não pode valer tudo


Concordando que esta é uma situação deveras extraordinária, a que vivemos, não concordo de todo com a medida proposta pelo presidente da república, com o apoio do Governo, quanto à libertação de mais de um milhar de reclusos. E não concordo por entender que isso pouco ou nada resolve quanto à questão da pandemia nos estabelecimentos prisionais. Segundo as notícias, os casos ali confirmados ainda são poucos e perfeitamente controláveis se desde logo forem tomadas as medidas adequadas, tanto à quarentena quanto à realização de testes de despistagem da doença, tanto nos reclusos como nos guardas e pessoal auxiliar.

É certo que imagino que as prisões estão sobrelotadas e não têm grandes condições, nomeadamente ao nível dos espaços sanitários, mas também não me parece que gente criminosa, condenada, mesmo que tendo direitos, nomeadamente à dignidade humana, porventura à mesma que subtraíram ou aniquilaram gratuitamente a muitas das suas vítimas, tenha que ter condições de hotel de cinco estrelas, quando porventura os portugueses na sua larga maioria, que vive a sua vida honestamente, não têm.

Por outro lado, ainda, é sabido que uma larga maioria dos reclusos quando cumprem as penas e vão para a sociedade, ou por dificuldades objectivas de reinserção ou porque o mal lhe está nos hábitos, acaba por voltar ao mesmo, ou seja, ao mundo da criminalidade, muitas vezes violenta. São, infelizmente, recorrentes estas situações. É certo que ficam de fora os autores de crimes violentes, mas está contemplada toda a quadrilha de ladrões e vigaristas, especialistas na arte de viver à custa do suor dos demais.

Assim, num contexto actual em que todas as forças da ordem e segurança públicas estão ocupadas no auxílio e controlo da pandemia da Covid-19, essa gente criminosa encontrará, querendo, caminho mais livre para fazerem o que bem sabem. E as notícias recentes dão conta de algum aumento da criminalidade no aproveitamento da debilidade de muita gente, sobretudo os mais idosos e isolados. Ora com o desemprego à porta e a natural perda ou baixa de rendimentos das pessoas, não surpreenderá que a coisa descambe no que a crimes, roubos e assaltos diz respeito. Engrossar o lote de criminosos à solta não parece lá grande ideia. De todo.

Não posso, pois, concordar com esta medida. Que mais não fosse porque no outro lado, há vítimas dessa gente que agora se prepara para o regresso à liberdade, mesmo que supostamente um pouco condicionada e vigiada. Bastaria que houvesse algum respeito pelas vítimas para que tal medida não fosse equacionada.

É, no meu entendimento, um aviso e um sinal de que o crime compensa. Vamos indo e vendo mas não auguro nada de bom neste aspecto e cada vez mais as vítimas são-no duplamente, às mãos dos criminosos e às mão de um sistema que invariavelmente mostra-se fraco para com os fortes e forte para com os fracos.

É apenas uma opinião e não faltará quem concorde com a medida. Mas nem sempre vamos lá com paninhos quentes de um certo tique de politicamente correcto. O momento não é propício.
Direitos sim, mesmo os que têm os reclusos dentro dos condicionalismos da sua natureza, mas deve haver limites porque senão passamos a viver numa sociedade onde vale tudo. 

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