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23/11/2022

Demolição da igreja românica de Joane - Famalicão - Um crime hediondo sem castigo



Hoje em dia, e ainda bem, procura-se valorizar o património, nomeadamente o arquitectónico, civil, militar ou religioso. É certo que com o Estado ainda a demitir-se em muito dessas responsabilidades, mas aos poucos vai-se preservando e valorizando e em muitos casos com a integração em contextos de divulgação turística. De resto já se suspendeu a construção de uma barragem (rio Côa) para preservar gravuras rupestres.

A Rota do Românico é um desses bons exemplos de valorização e promoção de um conjunto de monumentos românicos e através deles locais e regiões.

Mas, naturalmente nem sempre foi assim e ao longo de séculos muitos monumentos foram vandalizados e destruídos e as suas pedras aproveitadas para outras finalidades mas prosaicas. Do liberalismo da primeira metade do séc. XIX e dos seus atropelos, com a venda de muitos imóveis ligados à Igreja, como mosteiros, conventos, igrejas e capelas, vendidas ao desbarato e transformadas em palheiros e estarbarias, o prejuizo para o nosso património colectivo foi imensurável e na sua maior parte definitivamente perdido e arruinado. De facto, nesse aspecto, as luzes do liberalismo enegreceram o nosso património arquitectoónico.

Mas mesmo muito tempo depois dessa onda avassaladora de fundamentalismo cego, a destruição continuou e a pouca sensibilidade de populações e responsáveis locais ou nacionais, esteve sempre presente. Até mesmo pela década de 1940 houve uma onda de alguma reconstrução de património, sobretudo castelos, mas, tantas vezes realizada de forma pouco ou nada rigorosa sob um ponto de vista científico. Foram muitos os atropelos, mas, como diria algém, mais vale reconstruir e preservar, ainda que mal, do que mesmo nada fazer até que a ruína seja completa. 

Nos tempos relativamente mais recentes têm existido ainda casos flagrantes de destruição e desrespeito para com o património e desse conjunto de crimes de lesa pátria, um deles, pouco ou nada falado, e quase esquecido, como uma vergonha colectiva, prende-se com a demolição da então velhinha igreja paroquial do Divino Salvador, em  Joane, Famalicão, um edifício de base românica, anterior à própria fundação de Portugal.

Do pouco que se sabe, terá sido cobardemente pela calada da madrugada de 11 de Março de 1978, quando as máquinas assassinas avançaram sobre as paredes graníticas do monumento, reduzindo-o a um montão de destroços e pó. Parece que uma substancial parte da população era contrária à decisão de alguns, e perante tão hediondo acto levantaram-se protestos indigandos que se estenderam a todo o país. Ademais, já na altura a igreja tinha dois frescos, por detrás do altar, reportados aos séculos XI e XII,  classificados como imóveis de interesse público, tendo igualmente sido destruídos sem apelo nem agravo.

E tudo isso com a justificação de no local se pretender edificar uma nova e moderna igreja, o que aconteceu. Do antigo edifício, embora de construção muito posterior, ficou uma torre sineira que ali se mantém como lembrete dessa vergonha.

A velha igreja românica de Joane era um templo constituído por duas amplas naves, separadas por uma arcaria travada transversalmente na zona dos altares-mores por uma outra arcaria, e guarnecida com dependências anexas a nascente e a norte. Todavia,  o edifício apresentava elementos arquitectónicos de características muito diversas, por conseguinte referentes a diferentes perídoos de edificação. Diz-se que o edifício primitivo seria composto por uma só nave, com abside da qual à data da demolição não havia vestígios, correspondendo à nave norte.

Pouco consegui encontrar sob o processo, porque a todos envergonha, mas parece que em rigor ninguém foi acusado e muito menos condenado. Como Pilatos, gastou-se muita água a lavar essa iniquidade. Tamanho crime passou em claro. 

Não conheço, obviamente o sentimento dos joanenses, mas creio que a larga maioria sentirá vergonha de tão grande atropelo do seu passado e património histórico colectivo. Quando deveria ser uma jóia da coroa e motivo de orgulho, foi o que foi.

Já li por aí (1999) notícias de que se pretenderia edificar uma igreja parecida, já não com a mesma utilização mas como uma forma de trazer à memória a velha igreja e simultaneamente servir de exemplo ao que aocnteceu. Mas parece que não passou de intenção ainda não concretizada

[outras fotos e algumas notas]

09/11/2022

"Um anjo na terra" - "Highway to Heaven" - Série TV

Hoje trago à memória a série de televisão com origem nos Estados Unidos, "Um anjo na terra", do original "Highway to Heaven". À data em que escrevo este apontamento, a série está a passar na RTP Memória.

A personagem principal, um misterioso anjo na pele de um simples humano, Jonatham Smith, é interpretada por Michael Landon (Forest Hills, Nova Iorque, 31 de Outubro de 1936 – Malibu, Califórnia, 1 de Julho de 1991), também e principalmente conhecido das populares séries "Bonanza" e "Uma casa na pradaria". 

A série, de 111 episódios em cinco temporadas, foi produzida e exibida pela NBC entre 1984 e 1989. 

Michael Landon interpreta Jonathan Smith, um anjo enviado à Terra com a missão de ajudar pessoas em necessidade.

Para o ajudar nas suas missões, conta com a ajuda de Mark Gordon, um polícia reformado interpretado por Victor French.

O tema da série é muito simples em que Jonatham procura resolver conflitos, promover encontros, ajudar e resolver vidas através de acções muito simples e raramente usando os seus poderes concedidos por Deus (The Boss).

No geral, a série teve bastante popularidade, pelas mensagens positivas que transmitia,  embora longe do habitual registo de séries de acção, brutalidade e perigosas aventuras, quase sempre a regra nas séries americanas.

Por tudo, "Um anjo na terra" faz parte das boas memórias de quem pela década de 1980 via televisão com regularidade.

Michael Landon veio a falecer poucos anos depois da série terminar. Mesmo o seu amigo na série, Victor French, também morreu pouco antes da exibição dos últimos episódios.

07/11/2022

Laredo - Série TV






Hoje trazemos à memória a série de televisão norte-americana, "Laredo", do estilo far-west ou cowboys, que pela década de 1960 eram comuns e populares.

A série foi produzida pelos estúdios da Universal, entre 1965 e 1967, sendo exibida originalmente pela rede televisiva NBC. Era composta por 56 episódios com uma duração de aproximadamente 60 minutos cada. Foi gravada a cores sendo que em Portugal, nos primórdios da RTP, foi exibida totalmente a preto e branco.

Em Portugal começou a ser exibida em Julho de 1966, ás sextas-feiras por volta das 22:45 horas. No canal Youtube é possível visualizar alguns dos episódios.

Sinose da série extraída da Wikipédia:

Laredo combina ação e humor com o foco em três fictícios Texas Rangers. Ranger Reese Bennett (Brand) é mais velho que seus dois parceiros, Chad Cooper (Brown) e Joe Riley (Smith). Reese foi anteriormente um oficial do Exército da União durante a Guerra Civil Americana . Originalmente de Nova Orleans , Chad estava na Patrulha de Fronteira durante a guerra e se juntou aos Rangers para procurar por traficantes de armas que haviam emboscado outros patrulheiros de fronteira. Joe era um pistoleiro , que às vezes estava do lado errado da lei. Ele se juntou aos Rangers para obter proteção de um xerife . Chad e Joe provocam Reese sobre sua idade "avançada"; ele estava na casa dos 40.

Os três Rangers são liderados pelo severo e disciplinado Capitão Edward Parmalee (Carey). O personagem do Ranger Erik Hunter ( Robert Wolders ) juntou-se aos outros na segunda temporada, enquanto o Ranger Cotton Buckmeister ( Claude Akins ) trabalhou com Reese e os outros em cinco episódios.

Peter Brown lembrou que os produtores do programa queriam que as três estrelas tivessem o mesmo relacionamento e camaradagem que as estrelas de Gunga Din , e Brand, Brown e Smith assistiram ao filme três vezes

Elenco principal:

Marca Neville ... Reese Bennett

Peter Brown ... Chad Cooper

William Smith ... Joe Riley

Philip Carey ... Capitão Edward Parmalee

04/10/2022

O gato malhado e a andorinha Sinhá

 


O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, é um conto infantil escrito pelo brasileiro Jorge Amado, com ilustrações de Carybé, publicado originalmente em 1976.

Este livro tem uma história interessante já que inicialmente foi escrita por Jorge Amado para prendar o seu filho João Jorge, quando este completou um ano de idade, mas sem o propósito de ser publicada.

Mas ainda bem que passou a livro. É uma história enternecedora de um amor quase impossível, mas que no mundo dos livros, do sonho e da fantasia passa a realidade. Depois, aqueles desenhos aparentemente toscos mas impregnados de uma beleza infantil, complementam e enriquecem a obra. De resto, a esse propósito o grande escritor brasileiro terá dito: "se o texto não paga a pena, em troca não tem preço que possa pagar as aquarelas de Carybé"

Quando a li pela primeira vez, estava a sair da adolescência e para sempre ficou gravada pela diversidade de metáforas e valores que transmite. No fundo é um livro ou conto infantil que interessa, e muito, aos jovens e adultos.

Por tudo isto, este livro ou a sua história ocupam um espaço importante nas minhas primeiras leituras pós adolescência. Ainda hoje sabe bem ler e rever aquele andorinha a sobrevoar o gato.

30/08/2022

ABC Nacional - Livro escolar da primeira classe - 1937

 




Hoje trazemos à memória o livro da escola primária "ABC Nacional", de João Romão e Natália Correia. É uma 1ª edição do ano de 1937, da Livraria Enciclopédia de João Bernardo - Lisboa.

O livro corresponde à 1ª classe do ensino primário, por isso destinado à aprendizagem das primeiras letras, palavras e leituras. Em cada lição  tem ilustrações de apoio, muito básicas.

É um livro extremamente raro, por isso com significativo valor numa qualquer colecção de antigos livros escolares.

10/08/2022

The new adventures of the Lone Ranger - Série de animação


Já aqui tivemos a oportunidade de falar aqui sobre a figura do herói de banda desenhada, de filmes e séries, até mesmo da rádio, o popular The Lone Ranger ou mesmo "O Mascarilha".

Pois bem, para além dos filmes, das séries e dos livros de quadradinhos, também foram produzidas séries em versão animada sobre o herói, nomeadamente em 1966, embora com um enredo mais futurista, mas a série de que hoje trazemos à memória refere-se a "The new adventures of the Lone Ranger".

Foi produzida nos Estados Unidos, em 1980, com um total de 28 episódios com 11 minutos cada. A sua exibição original  teve início em Setembro de 1980.

Nos diferentes episódios, The Lone Ranger e o seu inseparável companheiro, Tonto, entram em aventuras resolvendo mistérios e travando lutas com bandidos, repondo a justiça, a verdade e o bom.

Em resumo, esta série mantém o essencial das características inerentes à figura nas suas versões filmadas ou mesmo na Banda Desenhada.

01/08/2022

Flipper - Série TV

 





Hoje trazemos à memória a série de televisão "Flipper", produzida nos Estados Unidos entre os anos de 1964 a 1966. Foi exibida originalmente pela NBC entre 19 de Setembro de 1964 e 15 de Abril de 1967. Em Portugal foi naturalmente exibida na RTP, a preto-e-branco, a partir de Janeiro de 1966.

Flipper é o nome de um simpático e inteligente golfinho (espécie nariz-de-garrafa), animal de estimação e vedeta do parque aquático Coral Key Park and Marine Preserve, na Flórida, cujo director é Porter Ricks (Brian Kelly), com funções de acompanhar o dia a dia do parque, a relação com os turistas bem como velar pela segurança e acções contra caçadores e outros malfeitores para a natureza.

Ricks, no estado de viúvo, é acompanhado na série e nas suas aventuras diárias pelos seus dois filhos, Sandy (Luke Halpin), o mais velho (15 anos), loiro, e o pequeno Bud (Tommy Norden) (10 anos), ruivo e algo  travesso. Bud é o amigo das brincadeiras e dos truques com o golfinho. Flipper para além de entreter turistas tem acções de salvamento, ajudando mergulhadores e outras pessoas no contexto marinho.

A série tem um estilo ligeiro e divertido mas com uma forte mensagem de amizade e respeito pelos animais e natureza.

Foram produzidos 88 episódios de cerca de 30 minutos cada. Ao longo da série o golfinho Flipper terá sido interpretado por cinco diferentes fêmeas. Como artistas convidados passaram pelos vários episódios dezenas de nomes importantes da época.

A série passou com êxito em muitos países, incluindo na antiga União Soviética e Roménia. 

Com o mesmo nome ou variantes, Flipper deu motivo a um filme e outras séries, incluindo uma em versão de desenho animado.

24/06/2022

Santos populares e popularuchos

 


Os santos populares portugueses em maior destaque são de facto o Santo António, celebrado a 13 de Junho, o S. João, a 24 de Junho e o S. pedro, a 29 de Junho. 

Em todo o país, são muitas as localidades que com maior pompa ou circunstância, mas sempre numa raíz popular profunda, em que são celebrados, com destaque para Lisboa, com o Santo António, e Porto e Braga com o S. João.

Sendo figuras da Igreja, certo é que a maioria das festividades a elas associados já são pouco ou nada religiosas, mas antes motivos para farra, diversão e comes-e-bebes. O povo já não vai à missa nem a procissões mas para a festança marca presença em peso.

A lembrar este trio popular, fica aqui um nosso rabisco.

24/02/2022

Um homem chamado Felizardo - Série de televisão




Ainda nos seus primordios como estação e canal de televisão, a nossa RTP exibiu entre 5 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 1963 o tele-folhetim, no que hoje se designaria de série, "Um homem chamado Felizardo". Foram 5 episódios realizados por Herlânder Peyroteo, com autoria de Armando Vieira Pinto e interpretado por Luís Cerqueira, Susana Prado, Fernando Muralha, Rodolfo Neves, Ema Paul, Grece de Castro, Tomás de Macedo, Vítor Tavares, Patrício Álvares.

Com a inevitável imagem a preto-e-branco e de baixa qualidade, a série baseava-se, num registo de comédia, nas dificuldades e peripécias dum homem de família, à procura de emprego há mais de quatro anos. 

Como se disse, a série reporta-se a 1963 mas 60 anos passados ainda há muito de actual na dificuldade de obtenção de emprego, umas vezes por problemas estruturais e de conjuntura econóima, outras porque na realidade não se quer trabalhar mas antes viver de expedientes incluindo os da dependência dos apoios do Estado. De resto, emprego já é raro. Quando muito, trabalho ocasional e a termo certo.

23/02/2022

As aventuras de Flash Gordon


Com algum atraso, hoje trago à memória a série de televisão em animação "As aventuras de Flash Gordon", do original "The adventures of Flash Gordon".

A série é composta por 24 episódios com a duração de aproximadamente 20 minutos, tendo sido produzida pela Filmation Associates, nos Estados Unidos, entre 1979 e 1982. Foi baseada nas histórias de banda desenhada por  Alex Raymond na década de 1930 e com alguma influência do filme Star Wars que estava a ser um sucesso após o seu lançamento em 25 de Maio de 1977..

As aventuras da série centram-se na figura do aventureiro espacial Flash Gordon, a sua bela namorada, Dale Arden e o cientista Dr. Hans Zarkov.

O Dr. Zarkov inventa um foguetão no qual embarcam os três numa viagem que os leva ao planeta Mongo. Com a nave em dificuldades acabam por entrar no planeta precipitando-se no mar.

O planeta Mongo é formado por vários reinos e habitado por civilizações diferentes, algumas tecnologicamente avançadas, outras nem por isso, mas que estão ambas sob o domínio implacável do tirano imperador Ming, o Impiedoso, uma das figuras centrais das histórias.

Logo após sua chegada a Mongo e depois de serem resgatados, os três terrestres fazem amizade com o príncipe Barin, com uma aparência medieval tipo Robin dos Bosques, o qual será o herdeiro legítimo do trono usurpado por Ming. O príncipe e seus seguidores foram banidos por Ming para o reino de Arbória, uma espécie de floresta tropical - incluindo a própria filha, Aura, noiva de Barin mas que conhecendo Flash se enamora por ele e o salva em diferentes situações. 

Flash, Dale e Zarkov juntam-se então à luta de Barin para recuperar o trono, juntando-se a eles outros reinos e civilizações e figuras como a de Vultan, rei dos homens-falcão, a Raínha Fria, do reino gelado Frígia, Thun, o Homem-Leão, bem como a própria filha de Ming, a voluptuosa Aura.

A série desenvolve-se num gênero de ficção científica mas com uma mistura de aventura e fantasia em ambientes exôticos, numa mistura de elementos que remetem para períodos bem menos dados à ficção científica. Assim, tanto temos uma batalha com naves espaciais e homens montados em falcões figantes, soldados robôs com armas a laser e ainda espadas, arcos e flechas.

No fundo, no planeta Mongo temos simultaneamente diferentes civilizações em diferentes tempos, como se numa analogia ao planeta Terra, se desenvolvessem em simultâneo as épocas da grécia clássica, a idade média e algo mais futurista.

Outra das particularidades da série que não passava despercebida à malta mais crescida, era a representaçação de uma certa voluptuosidade com as mulheres, tanto as que rodeavam o imperador Ming como as demais, incluindo Dale e Aura, com corpos esbeltos e com trajes reduzidos no que hoje se diria de super sexys. 

Em resumo, esta série, no tempo e contexto em que foi produzida e exibida tornou-se um produto interessante a cativador para os mais novos e mesmo os mais crescidotes, que a seguiam com interesse e algum entusiasmo.

Escusado será dizer, mas diz-se, que as aventuras de Flash Gordon foram desde o seu início muito populares e deram lugar a variados géneros, desde a inicial banda desenhada, à literatura, bem como rádio, televisão e cinema. Mesmo em animação existem várias outras versões, como a de 1996, "New Adventures of Flash Gordon", com 26 episódios de 30 minutos cada