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25/05/2020

"Os Jovens Rebeldes" - "The Young Rebels" - Série TV



Por meados dos anos 70 a RTP exibia a série de televisão "Jovens Rebeldes", do original dos Estados Unidos "The Young Rebels".
Foi originalmente transmitida pela estação ABC a partir de Outubro de 1970. 
A série traduzia-se num total de 15 episódios com cerca de 60 minutos cada,  correspondentes a uma temporada. 

Quanto à sinopse da série, tratava-se das aventuras de um grupo de amigos que no período da Guerra da Revolução Americana, ou Guerra da Independência, lutavam pela causa da independência, fazendo parte de um grupo denominado de "Yankee Doodle Society", com localização na cidade de Chester, na Pensilvânia, no ano de 1777. Em situações de espionagem, sabotagem e outras que requeriam coragem discrição e inteligência, o grupo de amigos lá ia conseguindo minar acções e operações ofensivas dos militares ingleses.

Os quatro personagens principais eram Jeremy (Richard Ely), filho do mayor de Chester, Isak (Louis Gossett Jr. ), um negro ex- escravo , Henry ( Alex Henteloff ), um jovem brilhante e de óculos, intelectual e engenhoso, admirador do famoso Benjamin Franklin, a quem procurava imitar com suas invenções e engenhocas, e Elizabeth (Hilary Thompson), a bonita namorada de Jeremy. 
Por sua vez, o grupo era ajudado em muitas situações pelo também jovem rebelde militar francês, o Marquês de Lafayette (Philippe Forquet).



Parece que a ideia subjacente à série por parte da ABC, era incutir na juventude da época o espírito patriótico e nacionalista, mas dizem que a coisa falhou porque, na realidade, os jovens americanos do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, passe o exagero, estavam mais virados para a cultura pop, drogas e rock and roll, bem como apoquentados pelo quase permanente estado de guerra, na altura em pleno conflito no Vietname que ceifou largos milhares de vítimas.

29/04/2020

Bana e Flapi - O valor da amizade

Já trouxemos aqui à memória a série de desenhos animados "Bana e Flapi". Hoje, decidimos rabiscar e "passar a limpo" uma das características ilustrações da série. O desenho foi feito em formato vectorial, o que significa que podemos aumentar para grandes dimensões sem perder qualidade. Todavia,  a imagem acima é em formato PNG pelo que é apenas uma amostra.

20/02/2020

Vitorino Nemésio - Se bem me lembro...

Passam hoje 42 anos sobre a morte de Vitorino Nemésio (19 de Dezembro de 1901 - 20 de Fevereiro de 1978).

Figura ímpar da cultura portuguesa e açoreana. Poeta, romancista,cronista e académico. 
De tudo quanto se possa dizer da vida e obra de Vitorino Nemésio, de um modo geral ficou associado popularmente ao programa na RTP "Se bem me lembro...", que apresentou entre 1969 e 1975. Semanalmente até 1974 e depois de forma quinzenal. Durante cerca de 30 minutos o professor discorria sobre diversos temas, desde a cultura em geral até aos diferentes contextos da vida e sociedade. Com um estilo muito próprio, certo é que as suas conversas eram sempre agradáveis de ouvir porque revelavam o poder da comunicação e profundidade de conhecimentos e cultura.

04/11/2019

Ciências Geográfico/Naturais - Leituras e exercícios - 3ª Classe


Hoje trazemos à memória o manual escolar "Ciências Geográfico/Naturais - Leituras e Exercícios", para a 3ª Classe, de autoria do Prof. Luís Figueira Borges.
Formato A5, com 64 páginas a duas cores. Distribuição pela Porto Editora, L.da (do Porto) e Empresa Litográfica Fluminense, L.da (de Lisboa).

Não tem data visível mas será provavelmente dos anos 60 ou mesmo do início dos anos 70.
Interessante manual com leituras e exercícios e algumas ilustrações com os temas próprios da disciplina e adequados à 3ª classe.



24/09/2019

Gelados Sabiá - Ainda há


Não há por aí muita informação sobre esta marca de gelados. Contudo, do que foi possível pesquisar, conclui-se que a Sabiá é um das marcas da Gelgurte - Indústrias Alimentares, L.da uma empresa com capital 100% português, sediada na cidade da Guarda, fundada em 1973.

A empresa fabrica e comercializa produtos lácteos frescos, iogurtes, leites fermentados, sobremesas lácteas, sorvetes, gelatinas e gelados, em que se inclui o Sabiá e o Frigo.

Na imagem acima, a reprodução do logotipo da marca algures de meados dos anos 70.

05/06/2019

Motorizadas antigas - Emblemas e autocolantes - 1

Com tempo, iremos publicando por aqui alguns dos emblemas e autocolantes de alguns dos modelos de motorizadas fabricadas em Portugal pelos idos anos de 60, 70 e 80. 
As imagens são reproduções a partir de originais, embora nalguns casos em variantes de cor e modelo, mas ambas elaboradas por nós no formato vectorial, embora aqui publicadas em formato raster.





04/06/2019

Motorizadas e motorizadeiros



Tecnicamente a coisa designa-se de ciclomotor, que em regra corresponde a um veículo de duas ou três rodas, equipado  com um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda 50 cm3 e com velocidade máxima de fabrico programada para os 50 km hora. 
Mas entre nós, este bicho na versão de duas rodas, equipado com o tal motor de 50 cm3, mas com velocidades máximas que podem perfeitamente atingir 100 Km/hora, popularmente designa-se de motorizada. A única diferenciação para um motociclo ou mota é fundamentalmente a cilindrada e obviamente a estrutura e tecnologia adequada à potência e velocidade. 

As motorizadas existem, pois, há bastantes anos, mas entre nós generalizaram-se na década de 70 e 80. Depois disso entraram na moda as práticas scooters, menos barulhentas e poluentes  e mais económicas. Com o aumento do poder de compra, depressa os automóveis e motociclos de maior potência e capacidade tecnológica, sobretudo das marcas japoneses, vieram quase de forma definitiva encostar as velhinhas motorizadas ou mesmo remetê-las para a sucata. Em face dessa realidade, pelo final dos anos 80 e seguintes algumas das nossas mais emblemáticas empresas fabricantes de motorizadas acabaram por fechar portas e na falência.

Há poucos anos, porém, entrou na moda o mercado dos artigos clássicos ou chamados vintage. Tal como muitos outros produtos, incluindo os coleccionáveis, como cromos, brinquedos, revistas, livros, relógios, etc, as motorizadas tornaram-se também objectos apetecíveis para tal mercado, em muito impulsionado pela saudade de outros tempos. Assim, quem pelos anos 70 e 80 comprou a sua motorizada logo que completou os 18 anos de idade, agora já quarentões e cinquentões, estão a recuperá-las e a dar-lhes nova vida, juntando-se em grupos ou em clubes, designados de motorizadeiros, que aos fins-de-semana, nomeadamente quando o tempo o permite, se reúnem, dando umas voltinhas e convivem dando a conhecer as suas "meninas" ou "princesas", trocando experiências e aspectos técnicos ligados às peças e ao restauro e partilhando memórias de outros tempos.

É certo que para trás ficaram os verdes anos de adolescentes montados nas suas motorizadas, percorrendo velozes os sítios e festas à procura de raparigas, e agora as pobres motorizadas, também elas com o peso dos anos, mesmo que renovadas no aspecto e mesmo em algumas peças, vêem-se montadas por homens de meia idade, invariavelmente gordos e barrigudos, numa imagem de nostalgia mas com uma boa dose de caricatura. Mas as coisas são como são.

Com toda esta moda, estão abertos mercados de venda de peças e de restauro das velhinhas motorizadas e há modelos para todos os gostos, mas quase sempre ligados aos clássicos motores e modelos de marcas como Sachs, Casal, Zundapp, KTM, Famel, EFS, SIS, Macal, Florett, Kreidler, etc. Os mecânicos de motorizadas encontraram um nicho de marcado e não têm mãos a medir. O que dá para restaurar restaura-se, e o que não, vende-se em peças. Uma qualquer motorizada que pelos anos 70 ou 80 custava 50 ou 60 contos vende-se agora, devidamente restaurada, a 1000, 1500, 2000 euros e até mais, dependendo da idade e raridade do modelo ou do estado de conservação base.

Pela minha parte, logo no início de 1980 comprei também uma motorizada, que ainda possuo, um modelo da EFS Fórmula 1 com motor alemão da Sachs, de 5 velocidades, cor preta. O mesmo modelo mas com variantes, também foi comercializado com o motor Kreidler, tipicamente da Florett, mas também com  Zundapp e Casal, bem como noutras cores, nomeadamente um dourado/cobreado e mesmo vermelho. Se a memória me não atraiçoa, esta Fórmula 1 era dos modelos mais caros disponíveis no stand e custou-me cerca de 60 contos, pagos a prestações garantidas por letras de câmbio. Deu muitas voltas em tempos de solteiro e mesmo já depois de casado, e dessas muitas voltas sobram muitas histórias à sua volta.

Depois de comprado o primeiro carro, tem estado encostada e apenas muito ocasionalmente  a ponho a trabalhar para que não "adormeça" definitivamente. Por estes dias, tirei-lhe o pó, e depois de alguns empurrões lá pegou e até permitiu dar uma pequena volta. Até uma nova oportunidade, vai voltar a ficar encostada.
Por um lado há a tentação de a restaurar, com pintura e cromados novos e reposição de uma ou outra peça já desaparecida ou avariada e uma afinadela no motor. Mas por outro lado não sou adepto de restauros profundos porque acho que as coisas têm que demonstrar o peso e o efeito dos anos e do uso. Daí que muitos as queiram afinadas mas com a patine ou marcas próprias do tempo. Mas são opções e até há muitos motorizadeiros que à falta das suas motorizadas originais, que venderam ou mandaram para a sucata, acabam agora por comprar semelhantes às que tiveram ou desejaram ter. Sentimental e afectivamente não é a mesma coisa, mas remedeia.

Seja como for, mania, moda, saudade ou mais do que isso, não deixa de ser interessante e positivo que se recuperem velhas máquinas que tiveram um papel importante na vida de muitas pessoas, num tempo em que os meios eram poucos e os automóveis um luxo reservado a ricos.

Pessoalmente, confesso, não ligo patavina às motos (com excepção das verdadeiras clássicas) e o conceito de motard não me diz absolutamente nada e acho tanta piada a uma concentração de motas e motards como estar parado numa fila de trânsito em plena auto-estrada num dia de calor tórrido. Em contrapartida, quanto às motorizadas, estas têm de facto alguma magia pela sua simplicidade mecânica e estrutural e pelo contributo que deram a uma certa classe operária, traduzindo-se num meio de transporte prático e económico, ajudando assim ao desenvolvimento de uma grande parte da população portuguesa, de modo notório nesses idos anos de 60, 70 e 80. Por outro lado, muito ao contrário das motos, as motorizadas tiveram em Portugal, sobretudo na região da Bairrada, uma importante implementação industrial que em muito contribuiu para o desenvolvimento não só da região como do país. Foi um sector com história e tradição.

É certo que os tempos actuais são outros, e continuam a vender-se motas e motociclos, incluindo chinesas, até em resposta ao crescente aumento dos combustíveis, mas já num contexto social muito diferente, sendo que, todavia, o automóvel veio definitivamente sufocar a importância dos concorrentes de duas rodas. Mas com os combustíveis a subirem a preços quase criminosos, porque altamente afectados por impostos, não tardará o tempo em que os  carros, pelo menos nas urbes, darão a lugar aos bichos de duas rodas e até mesmo a bicicletas, de resto como já sucede em muitas cidades e muitos países.

Vejamos, entretanto, se esta moda das motorizadas e dos motorizadeiros será sol de pouca dura ou se veio para ficar, sendo certo que as velhinhas máquinas nunca perderão a sua magia e o seu peso histórico.

Quanto à EFS, a ter em conta alguns dados publicados pela web,  a marca nasceu em 1911, fundada por Eurico Ferreira de Sucena, com estabelecimento na Borralha, em Àgueda,  então como fabricante de de acessórios para bicicletas e para o ciclismo. Anos depois, em 1939, a EFS fabricou as primeiras bicicletas a pedais e posteriormente em 1952 iniciou a produção de bicicletas equipadas com motor.
A década de 1960 foi muito positiva para a marca de Eurico Ferreira de Sucena, com um incremento das encomendas para o mercado interno mas também com o início das exportações dos seus veículos para alguns países europeus, americanos e mesmo asiáticos.

A empresa continuou a crescer nos anos seguintes e em 1974 entrou em laboração uma segunda unidade industrial, localizada em Avelãs de Caminho - Anadia, dando-se simultaneamente a mudança da sede e administração da EFS.
O grosso da produção centrava-se então nos ciclomotores mas em 1978 a empresa dá corpo aos motociclos com a fabricação de uma moto de 125 cm3 equipada com motor Puch, de dois tempos. De resto a empresa não tinha motor de fabrico próprio e os seus modelos eram equipados sobretudo com motores Sachs, Zundapp, Casal, Puch e Kreidler, Cucciolo, Derbi, Minarelli e até mesmo da japonesa Yamaha.

Já na década de 1980, embora ainda com muita venda de ciclomotores, a EFS deparou-se com forte concorrência, nomeadamente de outros países e acabou por entrar em decadência e veio mesmo a encerrar as portas.  De resto esta mexida no mercado por essa época afectou muitas empresas do ramo, como a Macal, Casal, Famel e muitas outras que caíram inapelavelmente deixando um rasto de história.

Por sua vez, a metalurgia Casal foi fundada em 1964 por João Francisco do Casal. Foi a maior fábrica de motores nacionais, produzindo motores de diversas cilindradas para diversos fins, incluindo motociclos. A Casal foi a marca portuguesa que atingiu maior notoriedade e chegou a exportou para diversos países.
A Famel, Fábrica de Produtos Metálicos, foi fundada em 1949 na Mourisca, em Águeda, por João Simões Cunha, Augusto Valente de Almeida e Agnelo Simões.

29/05/2019

José Mário Branco - Permanente inquietação


Já falamos [aqui] de José Mário Branco, ilustrando então, como agora, o artigo com uma capa da emblemática revista Tele Semana de 12 de Julho de 1974.
Por estes dias, em que fez 77 anos de idade (nasceu a 25 de Maio de 1942), um grupo de uma dezena de músicos sobre a égide da Valentim de Carvalho lançou na véspera, sexta-feira, 24 de Maio, um disco de tributo e agradecimento ao cantautor, com a interpretação de várias das suas músicas que foram êxitos durante a sua longa carreira.

08/05/2019

Adeus, Camolas!





As notícias destes dias deram-nos conta do falecimento de José Carlos da Silva Camolas, antigo avançado que se sagrou bicampeão nacional pelo Benfica em 1966/67 e 1967/68, faleceu segunda-feira, aos 71 anos, ainda relativamente novo.

Camolas representou outros clubes como o S.C. Varzim, Os Belenenses e União de Tomar, clube onde esteve oito épocas e onde se tornou porventura mais popular e reconhecido. Na parte descendente da carreira alinhou também por clubes como o Benfica de Castelo Branco, Alcains, Escalos de Cima e Palmelense.

Para além da notícia, sempre triste mas natural, porque todos morremos, o desaparecimento do mundo dos vivos do Camolas tem o significado de que os nomes populares e emblemáticos do nosso futebol e do nosso imaginário dos anos 60 e 70 também morrem. Foi assim com José Torres, Vitor Baptista, Eusébio e com muitos outros, de vários clubes e não só do Benfica, e assim continuará a ser.
Camolas, para além da qualidade que naturalmente evidenciava como futebolista, tinha o dom de ser um nome de futebolista, daqueles que pegam à primeira e se tornam inesquecíveis pela forma redonda e fácil como saem da boca. Um nome digno de cromo, como, de resto, muitos outros e os exemplos seriam mais que muitos.

Figurará sempre nas nossas memórias e em muitas das nossas cadernetas de cromos, mesmo que naqueles de caramelos, impressos tão toscamente que em muito aumentam a mística e a saudade desses tempos e dessas figuras que povoavam e ainda moram em algumas das nossas cadernetas e colecções.
Que descanse em paz o Camolas! 

30/09/2018

Martin´s snacks

Cartaz publicitário de 1977 aos snacks da Martin´s.
Não me sendo desconhecida a marca e associada a outras lambarices, confesso que apesar de muita pesquisa nada encontrei sobre a mesma. Se portuguesa, estrangeira, etc. Fica, pois, para já, o mistério.



21/08/2018

La Pandilla




Durante quase toda a década de 1970, era êxito no panorama musical espanhol, latino-americano e mesmo no português, a banda "La Pandilla", um grupo juvenil formado em Espanha em 1970, com um estilo pop ligeiro muito na senda da também popular banda espanhola "Los Ángeles".

A banda foi formada por Pepa Aguirre, dela fazendo parte sua sobrinha Mari Blanca Ruiz Martínez de Aguirre, sua filha Mari Nieves e seu filho Santiago (Santi) e ainda dois outros rapazes, Juan Carlos e Francisco Javier Martínez Navarro. Em 1974, já numa fase em que o timbre das vozes se começavam a alterar em virtude do avanço na idade dos adolescentes, o grupo foi renovado e em substituição de alguns deles entraram para o grupo os gémeos Ruben e Javi Lopez e Gabriel (Gaby) Jimenez. O grupo continuou a gravar discos até 1977 e a envolver-se em momentos televisivos. 

O seu primeiro trabalho discográfico, "Villancilos", teve lançamento em 1970. Dos muitos êxitos, alguns lançados em Portugal pela Movieplay, de maior sucesso e que ficou pelos "ouvidos", talvez o tema "Amarillo", do EP homónimo de 1972 e "Zoo Loco" de 1973, este que foi dos discos mais vendidos.

Pela web há bastante informação sobre o grupo, nomeadamente na sua página de fãs.

Em Portugal as bandas infanto-juvenis nunca foram muitas, pelo menos com grande projecção e gravações, mas ainda assim é possível fazer referência aos Mini Pop, formados um pouco antes que os "La Pandilla" e posteriormente os "Queijinhos Frescos" de Ana Faria, os "Onda Choc", ainda pela mão de Ana Faria e os Ministars.

Formações de "La Pandilla:

Maria Blanca Ruiz Martinez (de 1970 a 1977)
Francisco Javier Martinez (de 1970 a 1977)
Juan Carlos Martinez (de 1970 a 1974)
Nieves Martinez (de 1970 a 1974)
Santi Martinez (de 1970 a 1974)
Gabriel Jiménez González (de 1974 a 1977)
Francisco Javier López (de 1974 a 1977)
Rúben López (de 1974 a 1977)

16/08/2018

Escrever é Lutar





Pelo ano de 1974, logo após a revolução do 25 de Abril, a RTP iniciou  o programa "Escrever é Lutar", que se traduzia numa série de entrevistas concedidas por figuras públicas do momento ligadas à literatura, no contexto do rescaldo da revolução aos jornalistas José Carlos Vasconcelos e Fernando Assis Pacheco.

José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, José Tengarrinha, Maria Velho da Costa, Jorge Reis, Baptista Bastos, Manuel da Fonseca, António José Saraiva, José Augusto Seabra e Manuel Alegre, entre muitos outros, foram algumas das figuras entrevistadas num estilo muito próprio desses tempos em que a nossa  televisão era a preto-e-branco.

A rubrica decorreu entre os anos de 1974 a 1976. Cada entrevista tinha uma duração aproximada de 25 minutos. No arquivo da RTP onde felizmente é possível aceder, ver e ouvir muitas dessas entrevistas, estão disponíveis 26 episódios, sendo que não conseguimos apurar se tal número corresponde ao total de entrevistas produzidas se apenas uma parte.

Seja como for, o material disponível é muito abrangente e, em larga medida, todos os episódios são hoje importantes documentos  e testemunhos desse período muito específico, pela visão e pensamento de figuras ligadas à literatura.

14/08/2018

José Mário Branco - Permanente revolução


Aprecie-se, ou não, José Mário Branco é um dos nomes incontornáveis da cultura e música portuguesas e desta da designada popular e de intervenção. Desde um activo na igreja católica até militante do Partido Comunista, este carismático cantautor (cantor e compositor), com a curiosidade de ser filho do professor António Branco, profícuo editor de manuais da escola primária por esses tempos dos anos 60 e 70, é de facto uma figura indelével da nossa sociedade.

Relembramos a sua figura nesta capa da revista Tele Semana de 12 de Julho de 1974, por isso logo a seguir ao 25 de Abril, em que os cantores de intervenção, atá então reprimidos e alguns deles exilados, soltaram toda a sua energia e marcaram musicalmente todo esse período pós-revolucionário.
JMB, regressou do exílio em França e na entrevista então dada à emblemática revista de assuntos televisivos e do espectáculo, disse que "...juntei-me com alguns camaradas, para tentarmos fazer um trabalho colectivo de carácter revolucionário e na base de princípios ideológicos anti-reformistas".  Para além do que isso possa querer dizer, e na altura este tipo de chavões eram moda, José Mário Branco manifestava-se, então, contra os espectáculos no "Canto Livre" no palco do S. Luís, mesmo que com nomes como Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Carlos Paredes, Manuel Freire, Sérgio Godinho e muitos outros, porque, considerava "...são espectáculos que se dirigem a um público priveligiado. Não é para esse público que os os cantores populares devem dirigir os seus esforços, mas sim para junto das massas trabalhadores (...)...para os trabalhadores em greve, nas fábricas, nos bairros e nas agremiações populares, como é o meu caso..."

Certo é que José Mário Branco, um pouco no lado marginal da nossa realidade musical, foi prosseguindo a sua carreira com carisma e nesse aspecto manteve-se fiel ao seu estilo, compondo e cantando como se vivêssemos numa permanente revolução.

05/07/2018

Ciências Geográfico-Naturais - 1ª e 2ª Classe - Manual Escolar


Hoje trago à memória o manual escolar "Ciências Geográfico-Naturais - 1ª e 2ª Classe. É de autoria do Professor Pedro Carvalho, com edição da Porto Editora.
O manual tem as dimensões de 18 x 24 cm e 48 páginas profusamente ilustradas a cores.

O livro não tem qualquer referência à data e uma primeira análise ao estilo é de que será da década de 70.  Todavia, uma das ilustrações, a única com assinatura irreconhecível, tem o que parece ser uma referência à data de 82. Poderá assim ser do início dos anos 80? Talvez.

Este Professor Pedro Carvalho é autor de muitos manuais do ensino primário, desde pelo menos dos anos 50 a finais dos anos 70, e sobretudo das disciplinas de História e Ciências Geográfico e Naturais. Infelizmente, porque as referências na Web são quase nulas, pouco ou nada conseguimos apurar sobre este profícuo autor. Talvez alguém entre os nossos leitores possa acrescentar algo mais.

Este manual tem uma referência à colaboração de Mário Ramiro. Também sobre este nada conseguimos apurar ficando sem saber se essa colaboração se reporta à componente do texto ou da ilustração. Quanto às ilustrações também não existe referência aos autores, de resto o que na época era quase a regra, sendo que facilmente se distinguem vários estilos, pelo que será de supor que intervieram vários artistas.

Seja como for, é um belo manual, recomendado como "lições de observação", por isso muito ilustrado, abordando muitos assuntos relacionados ao tema da geografia natural e humana. 

Curiosamente são raros os manuais de ciências destinados às primeiras duas classes do Ensino Primário, até porque, principalmente na primeira delas, os alunos aprendem a ler e obviamente que apenas na segunda classe terão já a aptidão de leitura  e mesmo assim com alguma dificuldade. Daí que este tipo de manuais eram em regra destinados apenas à terceira classe e sobretudo à quarta.

Ficam, abaixo, algumas das quase meia centena de páginas.








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04/06/2018

Baretta - Série TV


Pelo final do ano de 1978 a RTP ainda na era do "preto-e-branco" transmitia às quintas-feiras à noite a série policial norte-americana "Baretta". 
Tony Baretta, interpretado por Robert Blake, era um detective policial no Estado da Califórnia, filho de humildes imigrantes italianos, com uma personalidade muito própria, mesmo algo excêntrica, desde logo porque tinha como amigo e companheiro um cacatua macho de nome Fred.

Tony Baretta tinha assim um estilo muito próprio para desvendar os casos que lhe iam surgindo, recorrendo a disfarces para se misturar nos ambientes que investigava e contando com a ajuda de alguns informadores, como Galo, interpretado por Michael D. Roberts. Investigação, acção, alguma violência mas também algum humor, sobretudo pela interacção com Galo, eram os ingredientes base da série, para além dos permanentes dasaguisados e problemas entre o estilo de Baretta e os seus superiores.

A série, uma criação de Stephen J. Cannel, produzida pela Roy Huggins-Public Arts e Productions e Universal Television, foi exibida originalmente na cadeia televisiva ABC, de 17 de Janeiro de 1975 a 18 de Maio de 1978. Como se percebe pela introdução do artigo, a exibição em Portugal aconteceu logo de seguida. Teve um total de 80 episódios de 60 minutos cada, aproximadamente, divididos por quatro temporadas. Nalgumas fontes é referido como sendo 82 episódios.

01/06/2018

Duplas humorísticas da nossa televisão

Na história dos programas de entretenimento e humor da televisão portuguesa, sobretudo até meados dos anos 80, foram surgindo parelhas de actores humorísticos que ficaram célebres pelas personagens e rábulas que interpretavam, ficando assim na memória colectiva dos portugueses pela popularidade que alcançaram.
 
Desde logo, em 1975, a dupla "Senhor Feliz e Senhor Contente", interpretada por Nicolau Breyner e Herman José, este no início da sua carreira televisiva. A rábula era presença semanal no popular programa "Nicolau no País das Maravilhas".
 
Uns anos mais tarde, mais concretamente em 1978, dentro do mesmo contexto de sátira social e política ao Portugal de então, teve êxito a parelha de vagabundos maltrapilhos "Olho Vivo e Zé de Olhão", soberbamente interpretada por Herman José e Joel Branco, que no programa "A Feira" deliciavam os telespectadores.
 
Já nos anos 80, logo em 1981 no programa "Sabadabadu",, tornou-se famosa a dupla de borrachões "Agostinho e Agostinha" interpretada pelos populares Camilo de Oliveira e Ivone Silva, novamente num registo de sátira política e social.
Estas três duplas foram de facto as mais populares e marcantes mas outras mais, quase sempre no mesmo registo, foram passando pela nossa televisão, sobretudo pela RTP.



Era uma vez...o Homem - Série de animação



Hoje trazemos à memória a série animada de televisão "Era uma vez... o Homem", do original francês "Il était une fois… l'homme".
Apesar de só agora lhe darmos destaque, poderia perfeitamente ser das primeiras evocações tal foi a sua importância e impacto que teve, tanto com entretenimento como momento de cultura e formação.
Embora o título o sugira, a série poderia perfeitamente designar-se de "História Universal". De facto é explicada a História mundial, desde os primeiros sinais da humanidade até aos dias da modernidade e mais além. Claro que, sendo em animação, foi concebida num registo ligeiro e com bastante humor, adequado ao gosto do público infanto-juvenil, a quem se direccionava, mas muito do agrado de outras idades.

A série, criada por Albert Barillé, foi produzida em França, pela Procidis, no ano de 1978, exibida pelo Canal France 3, com um total de 26 episódios de aproximadamente 30 minutos cada. Contou com a co-produção de vários canais europeus, nomeadamente a TVE de Espanha, RAI de Itália, mas ainda da Bélgica, Suiça, Holanda, Noruega, Suécia, mas também do Canadá e Japão.

 Por si só, o genérico de abertura, com o célebre tema musical da Tocata e Fuga em Ré Menor, BWV 565 de Johann Sebastian Bach, era todo ele um resumo da evolução do homem e da civilização.
Uma das particularidades da série era o facto de todos os episódios terem como elemento comum e caracterizador um grupo de personagens mais ou menos fixo, de que não faltavam os "maus da fita", estes sempre prontos a complicar as contas da História e da evolução da Humanidade. 

Em Portugal a série passou pela primeira vez na RTP logo após a sua produção, portanto ainda fresquinha, de 1978 a 1979, por isso exibida ainda na era do preto-e-branco. A exibição em Portugal era legendada, por isso  narrada em francês por Roger Carel. Em exibições posteriores a série foi dobrada para português.

Com a mesma filosofia e da mesma produção, foram realizados outros spin-offs, alguns dos quais também foram exibidos em Portugal nos anos seguintes, nomeadamente "Era uma vez...a Vida", esta essencialmente sobre o corpo humano, "Era uma vez...o Espaço" e ainda os Exploradores, o Planeta Terra, os Inventores e As Américas.
A série foi muito popular e não supreende que por isso tenha dado lugar a diversos sucedâneos, hoje ditos produtos de merchandising, incluindo livros, colecções de cromos, etc.

Hoje em dia creio que é possível adquirir a série em DVD ou mesmo visualizar os episódios disponíveis em canais como o Youtube, embora aqui com uma qualidade de imagem que deixa muito a desejar. Mas serve, sim, para matar saudades e rever, uma vez que os factos ensinados são intemporais.

Por tudo isto e mais alguns motivos, a série "Era uma vez... o Homem" foi sem dúvida uma das mais emblemáticas que passaram na nossa velhinha RTP e que de algum modo foram marcantes para quem por esses idos tempos do final da década de 70 era criança ou adolescente. Ainda hoje, pela sua actualidade e intemporalidade, sabe bem ver e rever.

09/04/2018

Eleonora - Mini-série de televisão


"Eleonora" é uma mini-série de televisão italiana, produzida pela RAI em 1972, escrita por Tullio Pinelli e realizada por Silverio Blasi e que pouco tempo depois foi exibida na RTP. Foram 6 episódios de muita "choradeira" já que a história se prestava a isso.
Eleonora era uma jovem da burguesia de Milão cuja ligação amorosa com um artista pouco convencional para a época, traduzia-se num intempestivo relacionamento com a pai, bem como uma relação de amor entre o dramático, conflituoso e intenso. Como não podia deixar de ser, a série apesar de curta prendeu os espectadores, sobretudo mulheres, e tornou-se muito popular e ainda  hoje, por Itália, é considerada das melhores se sempre.
Eleonora era interpretada pela famosa Giulietta Masina, que foi mulher do igualmente famoso Federico Fellini, no que em muito ajudou à popularidade.

Elenco principal de "Eleonora"
Giulietta Masina > Eleonora
Giulio Brogi > Andrea
Roldano Lupi > Carlo Fontana
Vittorio Sanipoli > Paolo
Enrica Bonaccorti > Olga

13/02/2018

Zakarella


Hoje trazemos à memória a revista de banda desenhada "Zakarella", destinada a adultos. O seu primeiro número, de periodicidade quinzenal, saiu à rua no dia 1 de Março de 1976. Infelizmente, para os fãs do estilo, teve um curto reinado e terminou no mês de Março de 1978, com um espólio de 28 edições. Hoje em dia a revista é objecto de culto e de colecção.

Rezam as crónicas que o seu fim deveu-se ao facto de, por decisão do Banco de Portugal, nesse período quente da nossa história política e económica pós-revolução do 25 de Abril de 1974, ter proibido o pagamento de bens não essenciais com divisa estrangeira. Ora como a banda desenhada não se comparava à necessidade do pão, leite ou gasolina, ficou assim a editora com um berbicacho em mãos para pagar os direitos das histórias públicas de origem norte-americana que  enchiam as páginas, pelo que Zakarella chegou ao fim, ainda com muito para dar do seu mundo de fantasia, terror e sexo.

Zakarella era uma voluptuosa mulher, renegada, em fuga de um profundo inferno terreno governado por um cruel Satã, sendo tele transportada directamente para a grande Lisboa. Em cada história saída da imaginação do autor e editor Roussado Pinto, que assinava com o pseudónimo de Ross Pynn, a jovem Zakarella caía nas garras da malvadez e lascívia de toda a espécie de criminosos e senhores do mal, sujeitando-se assim às mais bizarras sevícias sexuais e torturas. Tinha a seu favor a capacidade de se regenerar e curar de todas as feridas e afrontas dos seres maléficos, ficando novinha em folha para em cada conto voltar a ser diabolizada.

Estas histórias de Roussado Pinto, em rigor pouco significativas, ganhavam vida e interesse acrescido com as capas e ilustrações interiores produzidas pela fantástica arte de Carlos Alberto Santos, profícuo artista plástico (já falecido) e que durante várias décadas enriqueceu edições de livros de contos, banda desenhada e colecções de cromos com a chancela da saudosa Agência Portuguesa de Revistas. Tal como Zakarella, também a APR já não faz parte deste mundo, apenas nas colecções que vão existindo em coleccionadores diligentes e saudosistas bem como nas velhas prateleiras de alfarrabistas.
Zakarella não fugiu ao epíteto de Vampirella portuguesa, numa comparação à heroína da banda desenhada norte-americana, de facto com semelhanças na voluptuosidade e na na pouca roupinha e no estilo de fantasia e terror, embora com diferenças de enredo.

Seja como for, Zakarella enquanto durou foi devorada não só pelos seres maléficos que povoavam a suas histórias, como também pelos leitores entusiastas da banda desenhada ou contos fantásticos com uma boa dose de erotismo. Faz, por isso, com toda a justiça, parte do imaginário desses tempos recuados da década de 70 do séc. passado.