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11/06/2010

E tudo o vento levou - Gone with the Wind

 

e tudo o vento levou

e tudo o vento levou cartaz

 

Pode parecer mentira, mas só ontem, Domingo, na RTP Memória, tive a oportunidade e paciência de rever de forma completa o clássico filme "E tudo o vento levou", no original "Gone with the Wind".
Em algumas oportunidades, ficaram sempre algumas partes do filme por ver, pois afinal de contas são 3 horas e 42 minutos, dentro da habitual duração de outros grandes clássicos do cinema, como CLEÓPATRA (1963) 4h03; LAWRENCE DA ARÁBIA (1962): 3h42; OS DEZ MANDAMENTOS (1956): 3h40; BEN-HUR (1959): 3h32;SPARTACUS (1960): 3h18. Mesmo assim não vi as cenas iniciais, se bem que já as tinha visto noutras anteriores oportunidades. O facto de hoje ser dia de trabalho não ajudou nada mas lá fui aguentando.
Este filme é de 1939, com os principais papéis interpretados por grandes nomes de então, como Vivien Leigh (Scarlett O'Hara), Clark Gable (Rhett Butler), Olivia de Havilland (Melanie Hamilton Wilkes) e Leslie Howard (Ashley Wilkes).

O filme é por demais conhecido e sobre ele não faltam bons artigos e análises. Para mim é um grande filme e que segue a linha das grandes produções de Hollywood, com muitos figurantes e belos cenários e a clássica bela mulher e as atribulações de um romance à moda antiga.  É claro que pelos padrões actuais o filme pode parecer pouco profundo, ligeiro até, com os temas sociais e históricos da época (guerra civil, escravatura) a serem pouco espremidos, e com os aspectos banais das relações humanas a ocuparem o grosso do tempo, mas tem que se perceber o contexto e a filosofia vigentes na indústria cinematográfica da época em que foi produzido. Afinal o cinema de então, tal como hoje, era sobretudo um espectáculo e entretenimento de massas e não tanto uma coisa dada a grandes reflexões.

Por tudo isso, para além da beleza omnipresente de Vivien Leigh, o filme tem o seu valor e por tudo o que representou, é hoje justamente um dos chamados grandes clássicos do cinema hollywoodesco que sabe bem rever, mesmo que com vários anos de atraso.

Ao conseguir ver o filme na totalidade, ao fim de tantos anos, aprendi também que nunca é tarde para alguns ajustes de contas com coisas que fomos deixando passar, seja um grande filme ou um grande livro.

 

(artigo escrito em 26/04/2010)

15/02/2010

Por favor não comam os malmequeres – Série TV

 

"Por favor não comam os malmequeres", no original "Please Dont´t Eat the Daisies" é uma série de TV, produzida em 1965, nos Estados Unidos, composta por 58 episódios de cerca de 30 minutos cada, correspondentes a duas temporadas, exibida originalmente na NBC entre 1965 e 1967.
A série gira à volta de uma típica família americana, os Nash (um professor de teatro, a bela esposa, e quatro filhos rapazes, dois deles gémeos), com as peripécias e trapalhadas próprias do dia-a-dia passado na sua casa, uma velha mansão vitoriana. O carismático e bonacheirão cão da família, o Lad, ou LadDog, tem uma importante acção em toda a série.

A série foi baseada no livro homólogo, de Jean Kerr, que também inspirou, parcialmente o argumento de um filme-comédia com o mesmo nome, de 1960, realizado por Charles Walters e interpretado por Doris Day e David Niven.


Na série, lista dos principais intérpretes e personagens:

Patricia "Pat" Crowley...Joan Nash
Mark Miller...Jim Nash
Kim Tyler...Kyle Nash
Brian Nash...Joel Nash
Jeff Fithian...Trevor Nash
Joe Fithian...Tracy Nash

A série foi exibida pela RTP no início dos anos 70. Não tenho presente a data em concreto, mas tenho informações seguras de que passava em 1973, habitualmente às quintas-feiras, logo na parte inicial da abertura da emissão, que então acontecia pelas 12:45 sensivelmente.


Tenho vivas algumas memórias de alguns episódios mas apesar do estilo ligeiro e bem disposto, muito prório deste tipo de séries americanas, preferia as séries temperadas pela acção, mistério e aventura, o que não era propriamente o estilo de "Por favor não comam os malmequeres”. Apesar disso, foi uma série muito popular mesmo junto dos mais novos e que hoje sabe bem recordar.

 

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10/02/2010

Joselito – A voz de rouxinol

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 Em finais dos anos 60 e também pelos anos 70 fora, aos Domingos à tarde a RTP brindava-nos com a exibição de muitos e bons filmes, nomeadamente os incluídos na popular rubrica "Tarde de Cinema". Foram tantos e tantos que é impossível elencar os mesmos, mas, com os meus gostos de criança, preferia sobretudo os filmes recheados de aventura e emoção, incluindo o clássico Tarzan e uma variante, o Bomba, designado de filho de Tarzan, bem como umas boas e valentes cowboyadas e até filmes de capa-e-espada, como Os Três Mosqueteiros, Zorro, Robin Hood, filmes de corsários e piratas e outros mais.

Entre esta miríade de aventuras, por vezes lá vinham os clássicos filmes portugueses, com os inesquecíveis António Silva, Vasco Santana, Ribeirinho e Beatriz Costa, os filmes humorísticos, com Charlot, os irmãos MarxCantiflas, e também filmes marcadamente musicais, com o popular Gianni Morandi, Elvis Presley, Cliff Richards,  The Beatles e outros. Destes outros, porque recordo-me de ver vários, trago à memória a figura de Joselito, uma criança cantora, espanhola, e que teve muita popularidade nos anos 50 e 60, pelos seus discos e pelos seus filmes, tanto em Espanha, como em Portugal e na América Latina. Entre nós era muito admirado e quase ninguém gostava de perder os seus filmes, sobretudo as mulheres e raparigas, mais dadas a lamechices.
Actualmente, no Youtube, é possível recordar Joselito em alguns dos seus filmes e múiscas.

Não vou entrar em detalhes da sua vida, tanto de criança como de adulto (com menos popularidade) até porque podem ser consultados numa excelente página sobre o artista, recheada de aspectos biográficos, fotos, discos e outros. A página está em francês mas tem versão em inglês e facilmente pode ser traduzida para português.
Joselito e a sua voz vibrante, de rouxinol, de facto nessa época cantava e encantava e pelo meio de uns filmes de aventuras, também sabia bem ver e ouvir Joselito.

Quem se recorda?


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30/11/2009

Moonlighting – Modelo e Detective



Quem se lembra da série de TV, "Modelo e Detective", no original "Moonlighting", com os principais papeis a serem interpretados pela bela Cybill Shepherd (Madelyn 'Maddie' Hayes), uma bela modelo de sucesso mas aldrabada pelo seu agente e que recorre a Bruce Willis (David Addison Jr.), um detective carismático mas pouco reconhecido e que depois de aliados passaram a fazer um dupla de sucesso e inseparável?

Esta série proveniente dos Estados Unidos foi realizada nos anos 80 (entre 1985 e 1989) e ao longo de 5 temporadas desenvolveu-se em  66 episódios (há quem registe 67) de cerca de 45/50 minutos cada. Todavia, a dupla de actores referida participou em 54 episódios.
As histórias giravam em torno da Agência de Detectives Blue Moon, especialista em resolver questões intrincadas de homícidos, raptos e pessoas desaparecidas, afinal aspectos comuns a muitas outras séries americanas dos anos 80, sempre num registo ligeiro de drama, acção e comédia. Para além de tudo, fazia parte das histórias um eterno clima de cumplicidade, glamour e romance entre a dupla. A partir dessa série Bruce Willis tornou-se um actor bastante popular em Hollywood, vindo a participar em filmes de acção que o tornaram célebre, sempre no papel de durão e divertido. Também Cybill Shepherd viu a sua carreira ser relançada.
Pessoalmente acompanhei diversos episódios mas na realidade nunca foi uma série que me prendesse muita atenção talvez por me ter apanhado já numa idade em que prestava pouca disponibilidade à televisão em contraponto a outras coisas, como o namoro, a tropa e o casamento que veio ainda no decurso da exibição da série. Mesmo assim, reconheço que foi uma das séries marcantes ou emblemáticas dos anos 80, década que aliás foi muito profícua em êxitos de televisão provenientes dos Estados Unidos, algumas das quais já relembrámos e outros que viremos a recordar.

29/10/2009

As aventuras de Robin Hood - Repost


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Uma das séries de TV que mais recordações me deixou, enquanto criança, foi sem dúvida As Aventuras de Robin Hood, no original The Adventures of Robin Hood, entre nós conhecido como Robin dos Bosques.

A série é de origem inglesa, produzida nos anos 50 pela ITV. Desenrolou-se ao longo de quatro temporadas, com um total de 143 episódios.
Na ITV foi para o ar entre 1955 e 1960 e quase em simultâneo na CBS americana entre 1955 e 1959.

Na RTP, passou a preto-e-branco, no final dos anos 60. Recordo-me que durante muito tempo era exibida aos domingos, por volta das 13:30 horas. Este horário era complicado para mim e para os meus colegas, pois o seu final (cada episódio demorava cerca de 25/30 minutos) coincidia sensivelmente com o início da aula de catequese. Por isso, não raras vezes, chegávamos ligeiramente atrasados mesmo depois de uma valente corrida (a igreja ficava distanciada de casa cerca de 1Km). Escusado será dizer que esta série era motivo de inspiração para muitas das nossas brincadeiras.

O papel principal, de Robin Hood, era protagonizado pelo actor Richard Green. Alguns dos personagens principais, como Lady Marian, João Pequeno e Will Scarlet foram, ao longo das quatro temporadas, interpretados por diferentes actores.
A trama dos episódios decorria dentro da história e lenda atribuída a Robin Hood, ou Robin dos Bosques, suficientemente conhecida de todos já que é um dos heróis mais conhecidos e popularizados, tanto na televisão como no cinema, na literatura e banda desenhada.
No entanto, relembra-se que a história decorre na Inglaterra, na Idade Média, ao tempo do reinado do Rei Ricardo. Este encontra-se ausente em combate nas Cruzadas, pelo que em seu lugar fica a reinar o Príncipe João. Este governa com impiedosa mão-de-ferro, tendo em conta apenas o seu interesse e dos seus correligionários, nomeadamente o Sheriff of Nottingham, com quem Robin luta constantemente, impondo ao povo elevados impostos.
Para combater esta injustiça e crueldade do substituto do rei e do Sheriff de Nottingham , Robin Hood lidera um famoso bando de foras-da-lei, escondidos na impenetrável floresta de Sherwodd, roubando aos ricos, quase sempre ao rei e seus comparsas, para distribuir pelos pobres e desfavorecidos.

Robin Hood conta com grandes companheiros de luta, tal como o forte João Pequeno, o glutão Frei Tuck, Will Scarlet, entre outros. Depois, em cada episódio, o namoro e romance de Robin Hood com a bela Lady Marian é tónica presente e quase sempre motivo de encrencas para Robin e seu bando.
Cada episódio está recheado de perseguições a cavalo, lutas entre Saxões e Normandos, lutas com escudo e espada, torneios com arco e flechas, visitas ao castelo, e todo um conjunto de situações características desse tempo da Idade Média.
Soube bem recordar esta série de televisão.

- Tema de abertura no Youtube: link

Consulte dois excelentes sítios sobre esta série, de onde extraímos algumas fotos:

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21/10/2009

MacGyver – A série do Dr. Engenhocas


Está a passar na RTP Memória a série de culto dos anos 80, MacGyver. É exibida diariamente cerca das 21.30 horas. Para quem pretender reviver, é uma boa oportunidade.
McGyver, interpretado por Richard Dean Anderson,  é um agente governamental, da agência  DXS - Department of External Services, que se caracteriza pela sua esperteza e astúcia, aliadas ao domínio de técnicas e conhecimentos na área da mecânica, física e química que nos momentos chave das diversas histórias resolvia as coisas sem recurso a armas ou a violência.
Esta série de TV, de origem nos Estados Unidos, foi produzida por Henry Winkler e John Rich, ao longo de 8 temporadas de 1985 a 1992, num total de 139 episódios. Teve ainda lugar a dois filmes já em 1994. De facto foi uma produção muito profícua a que não é alheia a popularidade que granjeou a nível mundial.
Quanto a outras personagens, de destacar Pete Thornton, interpretado por Dana Elcar, que era o chefe de MacGyver, que assumia funções na entidade  DXS - Department of External Services.
Pessoalmente nunca fui muito apreciador da série, ao contrário de alguns dos meus irmãos, que são fãs. É verdade que MacGyver contrapunha a inteligência ao uso de armas ou violência, marcando um estilo muito próprio, longe dos vulgares estereotipos dos heróis ou super heróis, muito comuns nas séries americanas, mas algumas situações não me convenciam. Ou seja, sempre que se lhe deparava um problema, para além do seu inseparável canivete suiço, as coisas estavam ali, sempre à mão. Aparecia tudo quanto precisava como se tivessem sido encomendadas e feitas por medida. Ele era de facto um engenhocas, mas esse lado das histórias irritava-me um pouco.
A série absorveu muito do estilo demonstrado por outras séries importantes, nomeadamente a “Missão Impossível”, onde o uso de tecnologias em detrimento da violência era um ponto forte.
Apesar disso, assisti a muitos episódios e mesmo agora, sempre que posso, revejo na RTP Memória. MacGyver, foi de facto uma série que marcou toda a década de 80 e como tal merecer ser aqui recorda, até, porque como se disse no início, está a passar novamente na RTP Memória.

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12/06/2009

A família Boussardel - Les Boussardel

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"A família Boussardel", no original francês "Les Boussardel", é uma série de TV, que passou na RTP em 1974, nos serões das quartas-feiras, sendo composta apenas por cinco episódios de cerca de 110 minutos cada.
Esta série, adaptada do livro "Famille Boussardel" , um romance de Philippe Hériat , de 1946, foi realizada por René Lucot, e exibida primeiramente na França em 1972.

A história relata ao longo de cinco gerações a saga de uma típica família parisiense, no tempo de Napoleão, desde as suas humildes origens e sua ascenção até à conquista de um importante estatuto cultural e social na França de então. A influência desta família era tal que passava ao lado de  todas as convulsões sociais e políticas, incluindo as mudanças de regime e poder.

Os episódios tratam precisamente da história dessa família e da sua vivência nos diferentes contextos sociais e políticos de todo esse largo tempo, desde 1815, nas origens, até meados do séc. XX.
Em muitos aspectos, a história tem algumas semelhanças com outra conhecida série "A Família Forsyte".

A série contou com um grande elenco, de cerca de centena e meia de actores, onde se destacava a bela Nicole Courcel, no papel de Agnés Boussardel.

Casting parcial:
- Nicole Courcel : Agnès Boussardel (narradora)
- François Dalou : Florent Boussardel
- Maïa Simon : Adeline Boussardel
- Daniel Sarky : Ferdinand Boussardel
- André Dussolier : Louis Boussardel
- Nourdine Malek : Théodore Boussardel
- Danièle Vlaminck : Julie Boussardel
- Catherine Vichniakoff : Lydie Boussardel
- Monique Béluard : Amélie Boussardel
- Arlette Gilbert : Ramelot
- Catherine Ferran : Théodorine
- Nathalie Nerval : Mano
- Jean Rougerie : Caselli
- Louis Lyonnet : Albaret
- Dominique Bernard : Maurisson
- Christine Simon : Clémence
- René Bouloc : Félix
- Marius Laurey : Abbé Grard
- Marie-Pierre Casey : Josépha Branchu
- Annick Fougerie : Baptistine
- Nicole Vervil : Madame Clapier
- Yvon Sarray : Monsieur Clapier
- Jacqueline Dufranne : Madame Mignon
- Marc Fayolle : Monsieur Rossignol
- Jean Lepage : Pottier
- Henri Poirier : Mignon
- Guy Marly : Manguin
- Gérard Jourde : Victorin
- Gilles Béhat : Edgar
- Jean-François Guillet : Amaury
- Sylvaine Charlet : Aglaé
- Maria Laborit : Laure
- Julia Dancourt : Madame Ovise
- Sébastien Floch : Monsieur Peuch
- Francis Perrin : Dubost
- Martine Deriche : tante Paticot
- Luce Farel : Lionnette


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Nicole Courcel  

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Nicole Courcel  

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Maia Simon

11/06/2009

O salva-vidas voador - Bailey´s Bird

 

"O salva-vidas voador", no original "Bailey´s Bird", é uma série de TV, produzida em 1977 e exibida em 1979, na Austrália, composta por 26 episódios de cerca de 30 minutos, cada, dirigidos por Igor Auzins, Michael Jenkins e Peter Maxwell.
A série em Portugal foi exibida pela RTP logo no início dos anos 80.
"O salva-vidas voador" conta-nos a história do Comandante Bailey, dono de uma "companhia" de aviação, que na realidade tem apenas um único aparelho, que nem sequer é propriamente um avião, mas um velho hidrovião, já com 30 anos de idade.
A acção passa-se nas Ilhas Sabai e Malásia e para além de Bailey, o comandante, o grupo integra um rapaz, Nick, filho deste, um seu amigo nativo, e ainda outras figuras, a maioria crianças locais já que a série destina-se a um público juvenil.
Os episódios centram-se em aventuras à volta da temática do transporte de mercadorias, combate aos piratas e aos caçadores de caça ao tigre. Para além de tudo, os próprios jovens metiam-se frequentemente em "alhadas" que Bailey tinha que resolver. Pelo meio, as dificuldades próprias de um jovem (Nick) dividido entre o chamamento  de duas civilizações, a nativa e a continental.

Pessoalmente, recodo-me de não seguir a série na sua totalidade, como fiz relativamente a outras nos anos 70, mas mesmo assim assisti a vários episódios e as aventuras eram sempre agradáveis de seguir. Adorava ver aquele velho hidrovião, sempre com dificuldades a descolar mas, finalmente, lá se erguia rumo a mais uma missão.

Tendo sido uma série de sucesso em Portugal, é surpreendente a pouca informação disponível sobre esta produção australiana. Valeram-me a minha memória, nem sempre falível, e algumas velhas revistas.

salva vidas voador baileys bird santa nostalgia

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Casting:

    Hu Pryce     ........     Commandant Bailey
    Mark Lee    .........     Nick
    Holger Hagen    ....     Carl Mueller
    Noor Azizan    ......     Dr. Susalim
    Cletus Ng    .........     Chin Ho
    Shahar Khaalid    ..     Ahmad

 

*****SN*****

05/05/2009

Pippi das Meias Altas


Confesso que já há bastante tempo que era meu propósito trazer à memória a série de televisão que entre nós ficou conhecida como "Pippi das Meias Altas", mas faço-o agora por uma razão especial e coincidente que é o facto da actriz, que interpretou a personagem Pippi, Inger Nilsson, ter celebrado ontem o seu 50º aniversário, já que nasceu em 4 de Maio de 1959. Não me foi possível terminar o artigo ontem pelo que publica-se hoje.

Inger Nilsson nasceu na Suecia, tal como a série que interpretou, no original com o título de "Pippi Langstrump". No inglês "Pippi Longstocking". O nome da personagem ficou para sempre colado à actriz pelo que a mesma tem salientado publicamente que preferia não ser tão conhecida apenas por esse facto mas pelo todo da sua carreira, já que o seu trabalho tem sido diversificado, nomeadamente na televisão sueca e alemã, onde tem tido algum êxito.

A série de televisão baseia-se nos livros infanto-juvenis escritos pela também sueca, Astrid Lindgren.

Antes da versão para TV, "Pippi das Meias Altas" foi realizado como um filme para cinema, em 1949, então com Viveca Serlachius no papel da Pippi.
A série para televisão, com produção sueca, teve o seu início em 1969 com continuidade até 1973, creio que com 13 episódios, sempre com Inger Nilsson no papel principal.
Para além desta série, a que de facto popularizou a Pippi das Meias Altas, esta figura do imaginário infanto-juvenil teve ainda outras versões, nomeadamente uma soviética, em 1982 e uma americana, em 1988. Teve ainda uma versão de origem canadiana, em animação, com 26 episódios, em duas temporadas de 1997 a 1999, que também se tornou muito popular.
Entre nós, a série "Pippi das Meias Altas" passou na RTP em meados dos anos 70, por isso a preto-e-branco.
Como não podia deixar de ser, então uma criança, eu assisti com entusiasmo infantil às aventuras da Pippi das Meias Altas e seus amigos. Creio que a série passava aos domingos à tarde.

Pippi era uma rapariga de 10 anos, com uma figura deveras característica, com as suas pernas altas e magras, vestidas com umas longas meias coloridas (donde lhe advém o apelido), cabelo ruivo, atado em duas espécies de tranças ou puxos laterais, com o rosto sardento, um nariz arrebitado e uns dentes um pouco salientes. Pippi destacava-se pela sua irreverência, permanente boa disposição mas sobretudo pela sua coragem e incrível força, que lhe permitia pegar com facilidade nas coisas mais pesadas. Penso que era essa a sua característica que mais fascinava as crianças de então que seguiam avidamente os episódios.

pipi das meias altas santa nostalgia

Entre nós, a série foi um êxito e como tal, por essa altura, entre outras vertentes de marketing, foi  editada uma caderneta de cromos, que coleccionei, cuja tema era dedicado ao filme "Pippi e os Piratas".
Pippi tinha dois inseparáveis amigos, os irmãos Tommy (Pär Sundberg) e Annika (Maria Persson) e ainda o inseparável macaco, chamado Sr. Wilsson (Herr Nilson).

Neste filme, os amigos, em plena brincadeira, descobrem uma garrafa com uma mensagem de socorro, por coincidência enviada algures pelo pai de Pippi, o capitão Langkous, que tinha sido feito prisioneiro por um grupo de ferozes piratas, encontrando.se algures numa ilha do Pacífico. Então Pippi e os amigos (que estavam de férias), a bordo do seu balão voador, decidem ir à procura do pai para o resgatar.

Depois a aventura continua, entre muitas peripécias, com o confronto com os piratas e finalmente a libertação do pai de Pippi e o regresso de todos a casa, à Vila Revoltosa.
A caderneta, com uma dimensão de 238 x 335 mm,  é uma edição da Casa Arnaldo, sendo composta por 182 cromos, com fotogramas do respectivo filme.

A caderneta tinha inserto um cupão que depois de preenchido dava direito ao sorteio de uma viagem à Suécia.
As saquetas dos cromos tinham também senhas surpresa (250000), cada qual correspondente a 1 ponto. Depois, somando os diversos pontos  era possível reclamar vários prémios, tais como jogos, puzzles e livros, correspondendo a cada qual um determinado número de pontos de acordo com uma tabela impressa na caderneta.

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(capa da caderneta - Pippi Meias Altas e os Piratas)

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(página de cromos)

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(Pippi derrotando o terrível mas medroso capitão dos piratas)

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(Inger Nilsson, na actualidade (2009)


- Relembrar outra série de televisão produzida na Suécia, e que também passou na RTP nos anos 70: 

14/04/2009

Charlie's Angels - Os Anjos de Charlie

 

Li, por estes dias, que a actriz norte-americana, Farrah Fawcett, de 62 anos, se encontrava hospitalizada decorrente de uma doença cancerosa que a afecta há já 3 anos.
Deste modo, pelos piores motivos, veio-me à memória a série de TV "Os Anjos de Charlie", no original "Charlie's Angels", na qual a popular artista, considerada como uma sex-symbol dos anos 70/80,  participou na primeira temporada, interpretando o papel de Jill Munroe, uma sensual e fogosa loira.


"Os Anjos de Charlie" era o nome de uma série produzida para a cadeia norte-america ABC, em 116 episódios, de 1976 a 1981, ao longo de cinco temporadas.

Em Portugal, a série passou a partir do final dos anos 70 e tornou-se muito popular.


A série consistia no desempenho de um trio de jovens raparigas, pertencentes à Agência de Detectives Charles Townsend. As suas missões, dadas a conhecer pelo misterioso chefe (Charlie Townsend), passavam-se, norma geral, em lugares exôticos e sofisticados, e incluiam um tempero equilibrado de mistério, acção e glamour no desvendar de cada crime.
O chefe misterioso do grupo era apenas identificado pela sua voz, pelo que era desconhecido, quer das raparigas quer dos espectadores. A sua identidade só foi revelada já no final da última temporada. Como elemento de ligação entre a chefia e o grupo, existia a figura de John Bosley.


As raparigas primavam pela inteligência e beleza mas cada uma delas demonstrava características próprias, desde os conhecimentos na tecnologia, até às artes marciais e poder de sedução.


No caso particular de Farrah Fawcett, esta apenas participou na primeira temporada, tendo sido depois susbtituída por Cheryl Ladd, estreante nas lides, que desempenhou o papel de Kris Munroe, irmã de Jill. A este propósito, diz-se que a saída de Farrah Fawcett foi extemporânea, já que não teve a concordância dos produtores, pelo que estes lhe moveram uma acção judicial por quebra de contrato, pedindo-lhe uma elevada indemnização. Para resolver esta questão, chegou-se a um acordo em que a actriz se comprometia a participar esporadicamente em alguns episódios, o que acabou por acontecer em 3 filmes por cada uma de três temporadas.

Ainda quanto a saídas do elenco, Kate Jackson, no papel de Sabrina Duncan, a menina-inteligente do trio, também abandonou a série no final da terceira temporada sendo substituída por Tanya Roberts, no papel de Julie Rogers. Deste modo, Jaclyn Smith, a interpretar Kelly Garrett, foi a única do grupo original a aguentar-se na totalidade das aventuras.

Na sequência do êxito da série, em 2000, foi produzida uma versão para cinema, com o trio de raparigas a ser interpretado pelas conhecidas Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu e em 2003 uma nova versão com a participação de Demi Moore e Rodrigo Santoro, conhecido actor das novelas brasileiras.

Para falar verdade, não cheguei a assitir a estas versões modernas pelo que não posso emitir opinião quanto a diferenças, sendo certo que os recursos tecnológicos e efeitos especiais evoluiram substancialmente depois de quase três décadas após a série original. Há quem diga que foi uma fraca sequela.

É certo que a série analisada nos nossos dias, define-se como uma montra de clichés estereotipados, bem característicos de diversas séries televisivas produzidas nos anos 80, mas na altura da sua produção e exibição não deixou de ser um bom entretenimento, bem ao gosto de todos. Afinal a televisão não foi sempre isso? Fundamentalmente um modo de divertir e entreter?

Ainda relativamente à série "Os Anjos de Charlie", que no Brasil ficou conhecida por "As Panteras" (vá lá saber-se porquê..) recordo-me que era com entusiasmo que a rapaziada assistia com pontualidade aos episódios e fazia parte das discussões saber-se qual das três raparigas seria a melhor. Foram discussões que duraram tempos e tempos, até porque a série foi longa e os anjos até nem foram três mas cinco. De todo o modo, em jeito brejeiro, convenhamos que "eram todas bem boas". Pelo menos na altura tínhamos essa apreciação.

 

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*****SN*****

08/04/2009

Os garotos da 47-A


Hoje trago à memória uma série de TV, no original "The kids from 47-A", em Portugal exibida com o título de " Os garotos da 47-A".
A série, de origem inglesa, consta de um total de 42 episódios, com cerca de 30 minutos cada, produzida pela ATV Midlands entre 1973 e 1974.
O conjunto dos 42 episódios foram produzidos em três séries: A primeira com 15 episódios, a segunda com 13 e a terceira com 14, incluindo o chamado on-off, que serviu de desfecho à série.
A série foi exibida pela RTP, a preto-e-branco, com estreia em 2 de Março de 1974. Recordo-me que passava aos Sábados, depois da hora do almoço. Quase a seguir à abertura da emissão.

A história mostra-nos um grupo de quatro irmãos, duas raparigas e dois rapazes (com idades de 8, 12, 14 e 16 anos), os Gathercole, órfãos de pai e que viviam com a mãe na 47ª Avenida. Um dia a mãe teve que ser internada no hospital pelo que pediu a ajuda a uma familiar, tia das crianças, para delas tomar conta na sua ausência. Infelizmente, a tia teve um acidente e partiu uma perna pelo que os garotos inverteram os papéis e passaram eles a tomar conta da tia e de si próprios.

A partir da segunda série de episódios, a mãe das crianças morre, pelo que estes ficam entregues a si próprios, sendo Jess Gathercole, a irmã mais velha, já empregada num escritório, a assumir o papel de mãe.
Deste modo, os diversos episódios giram em torno de problemas domésticos e do dia-a-dia que as crianças têm que saber enfrentar e resolver.
No último episódio, exibido já em 1975, Jess casa-se, terminando assim a série.

A série não foi nada de extraordinário, daí serem poucos os que dela guardam memórias, mas não deixou de ser interessante. Era simultaneamente uma lição de vida de entreajuda entre os irmãos, no sentido de contornarem e resolverem os diversos problemas que se lhes deparavam.
Apesar de me recordar relativamente bem da série, assisti a um bom número de episódios, mas dada a distância do tempo não me lembro com rigor se foi exibida na sua totalidade e se de forma contínua.

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Na imagem, Nigel Greaves, no papel de Willy Gathercole, um apaixonado pelo futebol.

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Na imagem, Christine McKenna, que obteve uma grande notoriedade poucos anos depois (1979) no papel de Christina (a que corresponde a foto), na também popular série Flambards.

Intérpretes e personagens:
Christine McKenna ...  Jess Gathercole
Gaynor Hodgson ......  Binny Gathercole
Russell Lewis ..........  George Gathercole
Nigel Greaves ..........  Willy Gathercole

06/04/2009

Tenente Columbo

 

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Depois de ter falado aqui sobre o detective Hercule Poirot, essa fantástica personagem das novelas policiais de Agatha Christie, hoje trago à memória outra série televisiva que pessoalmente me agradou e porque de certa forma marcou uma época e inovou o conceito clássico dos filmes policiais, de crime e mistério.


Trata-se de Columbo; Tenente Columbo, da Divisão de Homicídios da Polícia de Los Angeles, interpretado pelo inesquecível Peter Falk.
A série é composta por duas longas metragens, consideradas piloto, em 1968 e 1971 e 43 episódios distribuidos por 7 temporadas. Os episódios de um modo geral era longos, entre 70 a 90 minutos, ou até mais.
Posteriormente foi ainda desenvolvida uma série especial composta por 8 episódios, de 1991 a 2003, mas já sem o êxito da série anterior. Notava-se uma perda geral do fulgor inicial, mesmo por parte de Peter Falk.


A série foi exibida na NBC americana de 1971 a 1978. Em Portugal passou, creio que, no final dos anos 70, claro que a preto-e-branco. Em 2005 foi reposta na RTP Memória. Espero que volte a ser exibida pois na ocasião não tinha assinatura da TV Cabo.


O Tenente Columbo apresentava-se como uma figura carismática mas de aspecto vulgar e desmazelado. Com a sua postura ligeiramente curvada, sempre de gabardine encardida e a fumar ou a mascar  um longo charuto, Columbo esmiuçava de forma insistente e persistente, num soberbo jogo de nervos, tipo gato-e-rato, todos os contextos da investigação de forma aparentemente inócua. Esse ar de insignificante e até um pouco cabeça-no-ar, acabava por ser uma arma. Ficou conhecida a sua última questão nos interrogatórios, já quando voltava as costas: Ah, só mais uma coisa... (Just one more thing...) Esta última pergunta, por um motivo ou outro, quase sempre se revelava fatal para os interrogados e crucial para o desfecho da história.


A estrutura de cada episódio fugia às habituais regras deste tipo de filmes. De facto, cada caso começava com a preparação e concretização do crime, incluindo o fundamental alibi do criminoso, pelo que desde logo o espectador ficava a par da autoria e da forma como tudo aconteceu.
Seguidamente a esta fase, entrava em cena o Tenente Columbo e o interesse da história transmitia-se à forma como o espectador acompanhava a evolução da investigação, os avanços e os recuos bem como o raciocínio do inteligente polícia até ao culminar da trama, com Columbo a solucionar o crime. No fundo, era como se o filme fosse visto ao contrário. Seja como for, a fórmula resultou em pleno e a série foi um êxito a nível mundial.


Os casos eram tratados com muita densidade. Cada crime era executado de forma imaginativa e quase perfeita, habitualmente por pessoas bem colocadas na sociedade, inteligentes, frias e calculistas, pelo que era grande o desafio do Tenente Columbo.

Columbo não tinha qualquer parceiro, como acontece em Sherlock Holmes ou Poirot.
Uma das curiosidades da série é que nunca foi mencionado o primeiro nome de Columbo, embora em alguns episódios, são mostrados alguns close-ups à sua cartera de identificação de polícia, pelo que no respectivo cartão é possível ler-se Frank. Será por isso, Frank Columbo.

 

*****SN*****

03/04/2009

A hora de Alfred Hithcock

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A Hora de Hitchcock é uma fantástica antologia de thrillers apresentada pelo grande mestre do suspense e do mistério, Alfred Hithcock.
Serão emitidos 32 episódios de crime e de bizarro, onde o bem e o mal se confrontam numa linguagem inteligente e fascinante, envolvendo o telespectador de uma forma tão intensa, sendo o final sempre inesperado...
De segunda a sexta-feira, pelas 21.00h.
(fonte: RTP Memória)
Depois de exibida a série "Hercule Poirot", esse fantástico herói nascido da fértil e engenhosa imaginação de Agatha Christie, a RTP Memoria começou ontem, 2 de Abril, a passar a antologia  "A Hora de Hitchcock", que se resumirá a 32 filmes do mestre do suspense. Pena que esta antologia não seja exibida na totalidade dos seus episódios. Talvez esteja reservada para outra altura.
Sobre Hitchcock pouco haverá a dizer de tão conhecido que é. Mesmo os seus filmes são intemporais e volta e meia passam pela TV.

31/03/2009

Hercule Poirot - O detective do bigode esquisito


Na RTP Memória, na rubrica "Séries a sério", tenho acompanhado a reposição da série "Hercule Poirot", o famoso detective belga, criação da popular autora do policial, crime e mistério, Agatha Christie.
A versão a que me refiro é a televisiva, com David Suchet no papel principal de Poirot, já que a personagem foi interpretada no cinema por outros actores, como Peter Ustinov e Albert Finney. Poirot foi também motivo de uma série de animação.
Esta série televisiva, exibida em Inglaterra pela ITV, foi produzida inicialmente pela LWT e posteriormente pela Granada Productions. Foram realizados 66 episódios, produzidos ao longo de 11 temporadas desde 1989 a 2008, sendo por isso um interessante caso de longevidade e popularidade.

A maior parte dos episódios, com duração de 52 a 60 minutos, comportam apenas uma história, sendo que alguns casos englobam dois episódios. A maior parte dos casos ocorre em Inglaterra, onde Poirot se encontra emigrado desde a eclosão da I Guerra Mundial, mas há episódios que ocorrem noutros locais, como em França, no Egipto, Estados Unidos, Grécia e ainda no famoso Expresso do Oriente, que atravessa vários países.

Hercule Poirot, fundamenta-se numa personalidade metódica e aprumada, o que se reflecte nos seus modos e maneiras, de falar, de comer e vestir, como também a de agir e pensar, fazendo dele, de certa maneira, um tipo algo exôtico ou excêntrico. Uma das suas inconfundíveis características é o seu bigode, por si só uma excentricidade, com pontas viradas para cima, sempre preto e irrepreensivelmente bem aparado. As suas saudações em francês também são uma das suas características.

As figuras proeminentes que o acompanham ou que com ele participam e interagem, são Arthur Hastings, um capitão do Exército británico na reserva, o inspector-chefe da Scotland Yard, James Japp, e miss Lemon.

Hastings é apresentado como sendo sócio de Poirot, e de facto com ele participa na maior parte dos episódios. No entanto, este situação não parece muito clara pois em certas situações é indicado com funcionário do detective.
Hastings está para Poirot como o Dr. John Watson está para Sherlock Holmes. Acompanha e ajuda Poirot nas investigações, por vezes em situações individuais, mas raramente é decisivo nas mesmas, a não ser involuntariamente, quando acciona os característicos flashs (fez-se luz) das "célulazinhas cinzentas" do detective, que permitem ligar o último elo que faltava à corrente da investigação. Por outro lado, Hastings, para além da sua paixão pelos automóveis, assume um papel de sentimental em relação às mulheres intervenientes nos casos, mas quase sempre tímido e sem sucesso até de forma desajeitada, o que é motivo de brincadeira por parte de Poirot. Hastings também retira as suas ilacções e teorias acerca dos casos mas, norma geral, baseadas nas aparências, por isso sem fundamento, pelo que quase nunca acerta no desfecho final.

Miss Felicity Lemon é de facto a sua funcionária, uma espécie de faz-tudo, já que tanto é secretária, como cozinheira e dona-de-casa, como também por vezes participa em situações de investigação. É extremamente competente e metódica, bem ao estilo inglês, o que muito agrada a Poirot, incluindo a preparação das suas tisanas. Nunca foi uma situação clara, mas fica no ar uma espécie de paixão por Poirot mas que não passa para além dessa percepção.

O inspector-chefe, Japp, intervém na maior parte dos episódios, nomeadamente nos que ocorrem na sua área de jurisdição. É o rosto oficial da polícia e comanda as operações relativas a muitos dos casos, nomeadamente dos homicídios. Japp é o contrário de Poirot, pois é um pouco impulsivo, desmazelado e por norma conduz as investigações por caminhos errados o que o leva a conclusões precipitadas e com base nas aparências, dando crédito a pistas falsas. No entanto, é um profundo admirador de Poirot embora raramente o reconheça directamente.

O envolvimento de Poirot nos diversos casos é uma das questões nem sempre bem sustentadas. Umas vezes é requisitado pelos familiares das vítimas, outras vezes pela coincidência dos casos ocorrerem em situações de proximidade do seu dia-a-dia. Pela polícia, muito raramente é requisitado, pelo que frequentemente a sua entrada nos casos, surpreende o inspector-chefe Japp e nem sempre a colaboração é a melhor, embora Japp quase sempre aceda aos pedidos e palpites de Poirot.

Confesso que da parte das novelas de Agatha Christie, de Poirot, li apenas uma ou duas, há já bastante tempo, pelo que já não lembro da estrutura e densidade narrativa. Todavia, quanto à estrutura da série televisiva de que falo, ela é muito semelhante na maior parte dos episódios. Uma primeira parte onde é apresentado o contexto do crime, o cenário e os intervenientes e finalmente o desfecho. Depois a introdução da polícia e de Poirot, ou vice-versa, a investigação, os interrogatórios e as análises dos factos e das provas e na parte final o desvendar do caso. Em muitos dos episódios o desvendar do caso é revelado por Poirot numa reunião com todos os intervenientes presentes. Regra geral, Poirot faz uma descrição do crime onde então são mostrados os pormenores e finalmente revela os culpados, quase sempre para surpresa de todos, nomeadamente de Hastings e Japp, contrariando as suas teorias. O culpado ou os culpados, norma geral contestam a acusação mas depois acabam por se revelar e confessar e até justificar os actos para os crimes.

Como é habitual neste tipo de séries policiais, quase sempre os suspeitos óbvios aos olhos dos espectadores, e já agora de Japp e de Hastings, acabam por se revelar inocentes e os mais discretos e menos plausíveis revelam-se como os autores dos diversos crimes. Por outro lado, muitas vezes os aspectos fundamentais para a investigação e sua conclusão quase que surgem do nada e apenas são revelados na narrativa final de Poirot, denotando assim alguma inconsistência com o decorrer de toda a trama. Pelo menos, pessoalmente, fico com essa perspectiva.

Tenho acompanhado a série com interesse, até porque passa a uma hora porreira, cerca das 21:00 horas, mas reconheço que a sua consistência e densidade dramática fica a milhas da série Sherlock Holmes. Não pela diferença e psicologia das suas figuras principais, que compreensivelmente existe, mas sobretudo pela dinâmica e envolvimento de cada caso. Seja como for, é uma série interessante, muito popular, com uma verdadeira legião mundial de admiradores, e que por tudo isso sabe bem recordar. Depois, não deixa de ser um verdadeiro clássico.

Casting:
David Suchet - Hercule Poirot (1989-2008)
Hugh Fraser - Captain Arthur Hastings (1989-2002)
Philip Jackson - Chief Inspector Japp (1989-2002)
Pauline Moran - Miss Felicity Lemon (1989-2002)
Zoë Wanamaker - Ariadne Oliver (2006-2008))
David Yelland - George (2006-2008))

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Links interessantes sobre Hercule Poirot:


17/03/2009

Sandokan - O tigre da Malásia

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Uma série de televisão que hoje trago à memória é "Sandokan - O tigre da Malásia".
Trata-se de uma série  de 6 episódios de 60 minutos cada, co-produzida pela televisão italiana, RAI em parceria com a ORTF e Bavaria Film, em 1976, baseada no livro de Emílio Salgari e com realização de Sergio Sollima. Entre nós a série foi exibida a preto-e-branco na RTP. O primeiro episódio foi para o ar numa sexta-feira, 19 de Novembro pelas 22:00 horas.

Principais intérpretes e personagens:
Kabir Bedi --- Sandokan
Philippe Leroy --- Yanez De Gomera
Carol André --- Marianne
Hans Caninenberg --- Lord Guillonk
Adolfo Celi --- Lord Brooks
Andrea Giordana --- Sir William Fitzgerald
Renzo Giovampietro --- Dr. Kirby
Milla Sannoner --- Lucy

O intérprete principal, Kabir Bedi,  era de origem indiana e foi convidado pela RAI para o papel do herói.
A série foi rodada nos locais originais descritos pelo Emílio Salgari, ou seja na região da Malásia e Bornéu, na altura dominada pelo Império Británico e pelos interesses comerciais da Companhia das Índias.
Sandokan, o Tigre da Malásia, é de origem real, mas, por vingança de quem lhe assassinou a família, privando-o do seu reino, transforma-se num pirata aventureiro, temido pelos navios ingleses e holandeses.
Sandokan tinha uma amigo inseparável, pelos vistos português, chamado Ianes, também de origem nobre mas um aventureiro nato.
Com o desenrolar da história, Sandokan conhece e apaixona-se por Marianne, a bela orfá, que vive com o seu tio, Lord James Guillonk, em Labouan.
A série é dominada pela intriga, aventura e acção. Sandokan chega a casar com Marianne, mas o final termina em tragédia, pois Marianne morre atingida por uma bala numa das lutas finais do grupo de Sandokan com os soldados.

A série teve um assinalável êxito, tanto em Portugal como em toda a Europa. O tema de abertura da série tornou-se inesquecível e ainda hoje é recordado facilmente por quem na altura assitiu à série.
Para além do êxito da TV, entre nós foi editada uma caderneta com 300 cromos, com fotogramas da série, que assim ajudou a perdurar as memórias à volta do heróis de olhos pretos. Como não podia deixar de ser, essa caderneta faz parte da minha colecção.

Quando a série foi exibida, eu era pouco mais do que uma criança, pelo que as aventuras do Tigre da Malásia serviram de inspiração a muitas das nossas brincadeiras.

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