Estamos em pleno período de incêndios florestais. Aliás, este período deixou de estar marcadamente relacionado com o Verão já que sempre que se regista uns dias de sol, mesmo no Inverno, lá surgem os incêndios, como praga dos nossos dias. Ainda hoje está a chover mas se amanhã voltar o sol voltam os incêndios.
Pessoalmente não tenho a mínima dúvida em considerar que 99% dos incêndios nas nossas florestas são de origem criminosa e nem quero ir pela teoria da conspiração de que as empresas que alugam ao Estado os meios de combate aéreos são elas próprias as primeiras interessadas nos incêndios e por conseguinte surgem como potenciais suspeitas na deflagração de muitos focos; Esse é um assunto da responsabilidade das autoridades.
Seja como for, localizado entre o mar e a serra, sempre vivi numa zona de muita floresta, mato e pinhal, onde predomina o pinheiro bravo, o eucalipto e outras espécies de menor representação, como o carvalho, o castanheiro e a acácia. Durante toda a minha infância e juventude, nunca tive a oportunidade de assistir a um incêndio, mesmo nos verões terrivelmente quentes, com semanas consecutivas de tempo seco e altas temperaturas. Algumas situações contribuiam para isso: Por um lado os matos e pinhais estavam sempre impecavelmente limpos. Todos os resíduos (tojo, carqueja, urze, esteva) eram aproveitados pelos lavradores para a cama dos animais e assim produzirem estrume natural para fertilizar as terras. Os resíduos de lenha eram totalmente utilizados para o lume, para aquecimento e para cozinhar. Os caminhos vicinais, públicos e de servidão, estavam sempre impecavelmente transitáveis para pessoas, carros-de-bois e até tractores. Finalmente, não menos importante, nesses tempos a autoridade e a justiça eram mesmo exercidas, muitas vezes reconhecidamente de forma exagerada e desproporcionada, mas que não davam lugar à criminalidade banalizada que hoje se regista.
Hoje em dia, com o abandono das terras, os campos, matos e pinhais estão de um modo geral abandonados, desmazelados e entregues à Natureza e à mão maldosa do homem. Este, por sua vez, goza de uma impunidade gritante e a autoridade pouco ou nada pode fazer; as condenações efectivas dos poucos criminosos apanhados são ridículas e permissivas.
Com todo este conjunto de situações, não surpreende que de ano para ano as nossas manchas florestais estejam a ser dizimadas para prejuízo económico e sobretudo do ambiente.
O Governo todos anos gasta enormes recursos económicos no combate a incêndios mas muito ainda está por fazer na área da prevenção, tanto a nível legislativo como no da educação e fiscalização permanente das nossas florestas. De algum modo, os proprietários deveriam ser obrigados ou incentivados a fazer limpezas periódicas; Os caminhos deveriam manter-se limpos e transitáveis, entre outras medidas. Estou certo que uma grande fatia do dinheiro gasto com bombeiros, aviões e helicópteros, se fosse distribuido pelas populações e proprietários para aplicação na gestão da floresta e da sua limpeza, os incêndios teriam uma acção reduzida, longe das proporções atingidas actualmente. Todavia, esta política de gastos importa a muita gente menos aos proprietários. Terminar com os incêndios seria pôr cobro a interesses instalados e aos lucros fáceis de muita gente.
Dentro deste contexto das medidas de prevenção, publicamos hoje uma sequência de carteiras de fósforos, editadas pela Fosforeira Portuguesa – Espinho, creio que no final dos anos 70, já com uma componente educativa.
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