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29/08/2009

Ovelha tresmalhada

 

Eu sei que hoje em dia os gostos estão muito massificados e correntemente gostamos das mesmas coisas que a maioria das pessoas gosta, seja naquilo que comemos, vestimos, calçamos mas também até nos aspectos culturais, do desporto, do entretenimento e do lazer.
Não admira, pois, que nesta altura do ano, marcada pelas férias de grande parte da nossa população, os destinos preferidos desta continuem a ser as zonas de praia, no litoral, de modo especial na costa algarvia.
No estrangeiro estão também muito massificados os chamados supermercados do turismo, nas zonas das Caraíbas e México, como Punta Cana, Cancun e outros.
Somos, assim, ovelhas de um enorme rebanho que seguem instintivamente na cola do rabo de outras, rumando a pastos comuns, abanando os mesmos chocalhos.


Pode ser um terrível defeito, mas nunca gostei de alinhar por essa maioria pelo que neste período fujo do litoral como o diabo da cruz. Põem-me doente as estradas cheias de carros apressados, os estacionamentos atafulhados e as praias apinhadas de pessoas que, contudo, cada uma por si, age como se estivesse isolada no seu cantinho, na sua casa, seja na forma de se exibir, de comer, conversar, jogar a bola, fazer (quase) sexo, enfim, perturbar os outros a cada instante e em cada momento.

Neste sentido, adoro a praia em Dezembro ou em Janeiro, fria e ventosa, mas deserta, sem o tal rebanho massificado. Para a frequentar prefiro o gorro e o cachecol ao calção. As poucas vezes que faço praia resulta do sentido de sacrifício pelos filhos.


Como opção a estes lugares onde toda a gente vai, escolho sempre destinos no interior do nosso belo Portugal. Desta feita, depois de Chaves - Trás-os-Montes, no ano passado, optei pela região da Guarda, a cidade mais alta do país (1056 m). Fiquei por uns dias num excelente hotel, localizado mesmo à saída da A25,  e aproveitei o tempo para visitar não só a cidade, onde de resto já havia estado há anos, mas sobretudo para fazer uma série de percursos repletos de história e cultura, nomeadamente o circuito das aldeias históricas.

Assim, para além da cidade da Guarda, com destaque para a Sé Catedral, a Torre de Menagem, a Torre dos Ferreiros e toda a zona histórica envolvente, incluindo o Museu da Guarda, Igreja da Misericórdia, etc, visitei com alguma calma a judaica Belmonte, a granítica Sortelha, Sabugal, aos pés do rio Côa, Alfaiates, Almeida e Castelo Bom. No primeiro dia, à vinda para a Guarda, já tinha feito paragens em Penalva do Castelo, incluindo na Casa da Ínsua, um belo palacete rodeado de belos jardins.

Depois, no regresso a casa, visitei a bela Linhares com o seu castelo de duas torres e o casario encastrado nos penedos e ainda  Vouzela (onde almocei naquinhos de vitela solteira de Lafões, na localidade de Cambra), passagem pelas Termas de S. Pedro do Sul (bem conhecida de outras visitas) e percurso final subindo a Serra da Freita, por S. Crístovão de Lafões (mosteiro da Ordem de Cister), Santa Cruz de Trapa (solar dos Malafaias) e por Manhouce (cantado por Isabel Silvestre), onde, à sombra da sua ponte romana,  me refresquei nas águas cantantes do límpido rio Teixeira seguindo-se o resto da subida até Albergaria da Serra - Arouca, onde o rio Caima se despenha na majestosa Mizarela. Depois, finalmente, um salto final até casa, já não muito longe.

Para muitos, admito,  seria um calvário percorrido em quase 800 Km, por vales, serras e planaltos, mas para mim e para quem me acompanhou, foram alguns dias repletos de coisas boas: história, cultura, paisagem, gastronomia (cabrito, javali, vitela de lafões, vitela arouquesa, doces regionais e conventuais) e contacto com gente ainda pura, como a velhinha de quase 90 anos, em Sortelha, tecendo cestinhos de junco ou do não menos velhinho de Alfaiates que se dignou servir de guia.

Para finalizar e servir de simples testemunho, de seguida ficam algumas das centenas de fotografias que colhi.

 

(clicar nas imagens para ampliar)

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Penalva do Castelo -Casa da Ínsua

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Penalva do Castelo -Casa da Ínsua

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Guarda - Sé Catedral - vista norte

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Guarda - Sé Catedral - vista sul

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Guarda - Sé Catedral - pormenor interior

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Belmonte - castelo

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Belmonte - Igreja de S. Tiago

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Belmonte - Vista do castelo

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Sortelha - castelo

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Sortelha - casario

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Sabugal - castelo

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Sabugal - interior do castelo

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Sabugal - vista do castelo

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Alfaiates - castelo

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Alfaiates - igreja da Misericórdia

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Almeida - vista parcial

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Linhares - castelo

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Linhares - vista do castelo

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Vouzela - ponte romana sobre o rio Zela

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Vouzela - igreja matriz - Nª Sª Assunção - estilo românico

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Serra da Freita - rio Caima - frecha da Mizarela

 

 

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25/03/2009

Lisboa antiga - 2

 

Damos continuidade à publicação de mais algumas fotografias que nos mostram parte de uma Lisboa de outros tempos.

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(clicar nas fotos para ampliar)

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24/03/2009

Lisboa antiga - 1

 

Recebi por estes dias, no meu email, uma das habituais apresentações Power Point. Entre muita coisa fatela e curriqueira, por vezes aparecem coisas curiosas e interessantes, como foi o caso de uma que continha fotos antigas de cidade de Lisboa. A apresentação vem assinada por um Wilcocs, pelo que não posso fazer melhor referência ao autor ou à origem das fotos.

Para quem de facto conhece a actual realidade dos locais retratados, não pode deixar de se surpreender pela rápida e radical transformação dos sítios. Esta mudança, a que chamam progresso e desenvolvimento, é de facto mais notória e impressionante nas grandes cidades, como é o caso de Lisboa.

Aqui ficam algumas:

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(clicar nas imagens para ampliar)

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26/02/2009

Santuário de Lourdes - Postais

 O Santuário de Fátima é um dos locais mais conhecidos e visitados de Portugal, pelo que já há pouco mais a dizer que possa acrescentar alguma coisa à sua popularidade. É conhecido como um dos grandes Santuários Marianos a nível mundial e a ele ocorrem todos os anos, largos milhares de peregrinos católicos, tanto do país como do estrangeiro, com predominância nos dias 13 dos meses de Maio a Outubro.

Hoje, porém, não pretendemos falar do Santuário de Fátima, de modo especial, mas sim de um outro conhecido Santuário, o de Lourdes, localizado na região dos Pirinéus, no sul de França.

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Vista aéra do Santuário de Lourdes, obtida no Google Earth.

Tudo começou com os aparecimentos da Virgem Maria a uma menina chamada Bernardette Soubirous, em 1858. Depois da aprovação dos acontecimentos pela Igreja Católica, o local transformou-se num destino de peregrinação internacional que rivaliza com Fátima.

Lourdes tornou-se assim num local de culto, de peregrinações de fé mas também de turismo. Ora onde há turismo, e o mesmo acontece em Fátima, há venda de souvenirs e recordações, incluindo os clássicos postais. Neste aspecto, pela sua posição na montanha e com o rio Gave bem ao lado, o Santuário de Lourdes é muito mais fotogénico do que o congénere de Fátima.
Neste contexto, hoje publicamos alguns antigos mas belos postais adquiridos em Lourdes, nos anos 60.

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santa nostalgia lourdes franca 2

santa nostalgia lourdes franca 4

santa nostalgia lourdes franca 5

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26/01/2009

Águas medicinais Vidago Salus

santa nostalgia agua vidago salus

Hoje trago à memória um antigo postal publicitário às Águas Vidago Salus.
"É a mais rica das águas alcalinas. Facilita e digestão, descongestiona o fígado e limpa os rins. Associada ao vinho ou a outra bebida alcoólica é excelente e agradável".

Desde há longas décadas que as Águas Vidago Salus fazem parte do nosso quotidiano, logo das nossas memórias e recordações.

Hoje em dia o consumo de águas de mesa, naturais ou gaseificadas, está generalizado e cada vez mais fazem partes das nossas refeições, tanto em caso como nos restaurantes.
Noutros tempos, porém, o consumo de águas minerais, de modo especial as gaseificadas, eram consumidas quase como um complemento medicinal, principalmente contra más-disposições e enfartamentos, daí a designação de águas medicinais.

Por conseguinte, beber dessa água e logo de seguida arrotar, era um bom pronúncio de boa disposição. Não admira que estas águas estivessem por caso mais como um remédio do que propriamente uma bebida.

Quanto à história de Vidago e suas famosas águas medicinais, o melhor será espreitar o sítio da Vila de Vidago, ou ainda um bom artigo publicado no Blog da Rua Nove. Também a não perder o Blog Meu Vidago, documentado com postais antigos daquela pitoresca terra.

15/12/2008

Paisagem de Natal

Serra da Freita I

Serra da Freita II

Ontem, Domingo, subi à Serra da Freita, sempre bela, tanto no Verão como em pleno Inverno. Ontem, estava fria, gelada, com muita neve. Nalguns locais, mais abrigados, apenas uns salpicos mas noutros lados um extenso e branco lençol, frio e macio.

Como não podia deixar de ser, a nostalgia também esteve presente. Ao ver o meu filho brincar com a neve, recuei vários anos, às minhas brincadeiras, na neve, no granizo ou geada.
Depois os cedros e os pinheiros, salpicados de neve, tão característicos das paisagens natalícias, pelo menos as europeias, pois bem sabemos que em Belém, há dois mil anos, seria muito difícil, quase impossível encontrar por lá uma paisagem como esta.

Apesar do frio e do vento repleto de névoas, foi uma bela tarde, com belas fotografias, algumas autênticos postais. Estas agora publicadas são apenas duas delas.

23/10/2008

Domingo de Outono

 

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DOMINGO DE OUTONO

Voltei a subir aos montes da minha infância
E percorri velhos caminhos,
Trilhos de sombras e murmúrios das águas.

A brisa dos meus passos quando menino,
Afagou de leve o meus rosto de homem,
Deixando neblina na forma de lágrimas.

Calcorreei tojo, silvados e subi ao velho carvalho,
Brinquei às escondidas na sua gasta folhagem
Tão quente como as suas cores.

Ouvi os gracejos do melro preto
E avistei o pisco de peito ruivo.

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É de facto uma emoção redobrada e sentida, sempre que percorremos caminhos e lugares que noutros tempos foram palcos das nossas brincadeiras de criança. A distância do tempo ajuda a sedimentar essa emoção e nostalgia.


Este local a que me refiro, neste meu simples poema, uma espécie de paraíso perdido, no fundo da minha aldeia, todo ele emana memórias e recordações: Os caminhos, os campos, os pinhais, a  ribeira, as nascentes de água, a represa, o moinho de água, as levadas, os velhos carvalhos, os castanheiros, as cerejeiras e macieiras, os melros, os piscos, os cucos, as poupas, as rolas, os pombos, os seus ninhos e seus chilreios, são elementos inesquecíveis e que, apesar dos anos e do aspecto de abandonado, permanecem ali, como que a convidar ao regresso, ao trabalho duro do campo, é certo, mas também às folias, aos jogos, às escondidas, ao apanha, ao nadar na represa de água tão fria quanto límpida e à construção das cabanas num renque de árvores.

Mas não...Há por ali um sentimento de mera nostalgia e ao mesmo tempo um sentimento de comoção por algo que se perdeu e apenas revive na memória. A morte do local, desse pequeno paraíso, é irreversível quanto a impiedosa abertura de uma nova auto-estrada, que inexoravelmente vai rasgar aquelas entranhas, bem por cima da represa, bem por cima do moinho, bem por cima das nossas mais puras recordações.


Mas a memória tem o dom e o condão de ressuscitar esses momentos, de condensar esses istantes, esses lugares e como tal viverão dentro de nós para sempre. As fotografias que fui colhendo vão dar uma ajuda.