Mostrar mensagens com a etiqueta Programas TV. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Programas TV. Mostrar todas as mensagens

05/05/2009

Pippi das Meias Altas


Confesso que já há bastante tempo que era meu propósito trazer à memória a série de televisão que entre nós ficou conhecida como "Pippi das Meias Altas", mas faço-o agora por uma razão especial e coincidente que é o facto da actriz, que interpretou a personagem Pippi, Inger Nilsson, ter celebrado ontem o seu 50º aniversário, já que nasceu em 4 de Maio de 1959. Não me foi possível terminar o artigo ontem pelo que publica-se hoje.

Inger Nilsson nasceu na Suecia, tal como a série que interpretou, no original com o título de "Pippi Langstrump". No inglês "Pippi Longstocking". O nome da personagem ficou para sempre colado à actriz pelo que a mesma tem salientado publicamente que preferia não ser tão conhecida apenas por esse facto mas pelo todo da sua carreira, já que o seu trabalho tem sido diversificado, nomeadamente na televisão sueca e alemã, onde tem tido algum êxito.

A série de televisão baseia-se nos livros infanto-juvenis escritos pela também sueca, Astrid Lindgren.

Antes da versão para TV, "Pippi das Meias Altas" foi realizado como um filme para cinema, em 1949, então com Viveca Serlachius no papel da Pippi.
A série para televisão, com produção sueca, teve o seu início em 1969 com continuidade até 1973, creio que com 13 episódios, sempre com Inger Nilsson no papel principal.
Para além desta série, a que de facto popularizou a Pippi das Meias Altas, esta figura do imaginário infanto-juvenil teve ainda outras versões, nomeadamente uma soviética, em 1982 e uma americana, em 1988. Teve ainda uma versão de origem canadiana, em animação, com 26 episódios, em duas temporadas de 1997 a 1999, que também se tornou muito popular.
Entre nós, a série "Pippi das Meias Altas" passou na RTP em meados dos anos 70, por isso a preto-e-branco.
Como não podia deixar de ser, então uma criança, eu assisti com entusiasmo infantil às aventuras da Pippi das Meias Altas e seus amigos. Creio que a série passava aos domingos à tarde.

Pippi era uma rapariga de 10 anos, com uma figura deveras característica, com as suas pernas altas e magras, vestidas com umas longas meias coloridas (donde lhe advém o apelido), cabelo ruivo, atado em duas espécies de tranças ou puxos laterais, com o rosto sardento, um nariz arrebitado e uns dentes um pouco salientes. Pippi destacava-se pela sua irreverência, permanente boa disposição mas sobretudo pela sua coragem e incrível força, que lhe permitia pegar com facilidade nas coisas mais pesadas. Penso que era essa a sua característica que mais fascinava as crianças de então que seguiam avidamente os episódios.

pipi das meias altas santa nostalgia

Entre nós, a série foi um êxito e como tal, por essa altura, entre outras vertentes de marketing, foi  editada uma caderneta de cromos, que coleccionei, cuja tema era dedicado ao filme "Pippi e os Piratas".
Pippi tinha dois inseparáveis amigos, os irmãos Tommy (Pär Sundberg) e Annika (Maria Persson) e ainda o inseparável macaco, chamado Sr. Wilsson (Herr Nilson).

Neste filme, os amigos, em plena brincadeira, descobrem uma garrafa com uma mensagem de socorro, por coincidência enviada algures pelo pai de Pippi, o capitão Langkous, que tinha sido feito prisioneiro por um grupo de ferozes piratas, encontrando.se algures numa ilha do Pacífico. Então Pippi e os amigos (que estavam de férias), a bordo do seu balão voador, decidem ir à procura do pai para o resgatar.

Depois a aventura continua, entre muitas peripécias, com o confronto com os piratas e finalmente a libertação do pai de Pippi e o regresso de todos a casa, à Vila Revoltosa.
A caderneta, com uma dimensão de 238 x 335 mm,  é uma edição da Casa Arnaldo, sendo composta por 182 cromos, com fotogramas do respectivo filme.

A caderneta tinha inserto um cupão que depois de preenchido dava direito ao sorteio de uma viagem à Suécia.
As saquetas dos cromos tinham também senhas surpresa (250000), cada qual correspondente a 1 ponto. Depois, somando os diversos pontos  era possível reclamar vários prémios, tais como jogos, puzzles e livros, correspondendo a cada qual um determinado número de pontos de acordo com uma tabela impressa na caderneta.

pipi das meias altas 01

(capa da caderneta - Pippi Meias Altas e os Piratas)

pipi das meias altas 02

(página de cromos)

pipi das meias altas 04

(Pippi derrotando o terrível mas medroso capitão dos piratas)

inger nilsson

(Inger Nilsson, na actualidade (2009)


- Relembrar outra série de televisão produzida na Suécia, e que também passou na RTP nos anos 70: 

04/05/2009

Vasco Granja deixou-nos…






Soube, há instantes, que faleceu o Vasco Granja. Foi já de madrugada, em Cascais, onde vivia. Tinha 83 anos.
Esta triste notícia acabou por ser para o Santa Nostalgia uma infeliz coincidência, pois precisamente neste dia publicamos um artigo onde falamos do apresentador e do seu “Cinema de Animação”, a propósito da série de animação polaca, dos anos 70, “O Lápis Mágico”.
É uma infeliz coincidência porque à hora da publicação do artigo, obviamente não sabíamos do triste acontecimento, que apenas foi noticiado há minutos. Aliás, o artigo esteve para ser publicado durante o dia de ontem, Domingo.
Neste contexto, para além do que já falámos acerca do Vasco Granja, queremos deixar aqui uma sentida homenagem a esta figura incontornável da televisão portuguesa e de modo especial do cinema de animação.
O seu e nosso “Cinema de Animação” era um mundo de divertimento e fantasia, um espaço quase mágico que ajudou a enriquecer esse tempo fantástico e inesquecível que é a nossa infância.
Que descanse em paz.

Vasco Granja - Cinema de Animação – O Lápis Mágico

Uma das boas nostalgias do meu tempo de criança prende-se com a rubrica televisiva, "Cinema de Animação", apresentada pelo inesquecível e carismático Vasco Granja.
O programa "Cinema de Animação" teve o seu início em 1974, logo após a revolução do 25 de Abril e aguentou-se durante 16 anos, até 1990, tendo sido apresentados cerca de um milhar de edições.
Este programa da RTP, iniciado ainda no tempo do "preto-e-branco", primava pela variedade de desenhos animados que passava, apesar do apresentador, especialista de cinema de animação, mostrar uma preferência especial pelas produções dos países de leste, nomeadamente da Polónia, Jugoslávia e Checoslováquia, muitas vezes de características experimentalistas, em contraponto às clássicas séries dos Estados Unidos, nomeadamente da Disney e da Looney Tunes.

Vasco Granja seleccionava filmes de vários países, desde a Europa até ao Japão, incluindo filmes oriundos do Canadá, então muito forte no cinema de animação experimental, nomeadamente de autoria de Norman McLaren, um dos confessos realizadores preferidos do apresentador. A Vasco Granja e ao seu “Cinema de Animação” deve-se também a divulgação e popularidade da série “A pantera cor-de-rosa”, de Friz Freleng e David DePatie, sendo, à custa disso, apelidado de "o pai da pantera cor-de-rosa”.
De todos os bons filmes de animação que eu via no "Cinema de Animação", incluindo a “Pantera cor-de-rosa”, que continua a agradar, mesmo às novas gerações, a série "O Lápis Mágico" foi aquela que mais tocou a minha imaginação de criança.

"O Lápis Mágico", no original "Zaczarowany Olowek", era uma produção polaca, cujos episódios, com cerca de 10 minutos cada, giravam à volta de um menino que tinha como amigo um duende que por sua vez lhe emprestava um lápis com capacidades mágicas, pelo que tudo o que o menino desenhasse se materializava, tanto objectos como animais. O menino tinha ainda um inseparável companheiro, um cão amarelo, muito irrequieto e inteligente, que o ajudava em inúmeras situações.

O lápis mágico só funcionava em situações especiais, normalmente numa perspectiva do Bem  mas nunca ao serviço do Mal, principalmente quando alguém se apropriava do lápis ou obrigava o menino a fazer desenhos para uso maldoso.
Esta série de animação, como muitas outras tão características dos chamados países de Leste, não tinha falas e por conseguinte era apresentada sem legendas, mas apenas com música e sons. Apesar disso, as histórias eram de fácil compreensão para as crianças, mesmo as que ainda não sabiam ler e transmitiam valores de alegria, paz e amor, como fazia questão o apresentador.

Apesar da simplicidade da realização, esta série "O Lápis Mágico", tornou-se uma das preferidas da rubrica "Cinema de Animação" e deu azo a muitas e imaginativas brincadeiras. Pessoalmente, fartei-me de romper lápis e riscar paredes e papel na expectativa infantil de ver transformar-se em realidade os bolos, carros, cães e gatos que desenhava.
Felizmente, para matar saudades e voltar a divertir, e até para recordar a inesquecível música de abertura, hoje em dia ainda é possível assistir a vários episódios dispersos no sítio YouTube, bastando escrever na caixa de procura o título original, "Zaczarowany Olowek".

vasco granja cinema de animacao

Vasco Granja, o apresentador de “Cinema de Animação”

lapis magico 01
Genérico de abertura
lapis magico 02
O menino que utilizava o lápis mágico
lapis magico 03
O cão, companheiro do menino.
lapis magico 04
O menino e o cão
lapis magico 06
O duende entregando o lápis mágico ao menino
lapis magico 05
O menino a desenhar um urso
lapis magico 07
O menino a desenhar uma chave

20/04/2009

Noddy - Nodi - 60 anos de histórias de encantar

noddy_01_01

O Noddy é um boneco animado conhecido mundialmente, pelo que quase dispensa grandes e demoradas apresentações. Ele é conhecido tanto pelos miúdos, os seus grandes admiradores, quanto pelos graúdos.
A mais ou menos recente série de televisão (2002), conhecida entre nós por "Abram alas para o Noddy", veio generalizar e ampliar a popularidade do boneco de madeira. Noddy extravasou da televisão para mil-e-um formatos de merchandising, desde livros, vídeos, vídeo-jogos, cromos, material escolar, roupas, brindes, peluches, etc, etc.
Este simples artigo sobre o Noddy, vem na sequência da notícia divulgada hoje, que nos dá conta de que o canal de televisão inglês, o Channel 5, detentor dos direitos de imagem do boneco, estreia nesta mesma data uma nova série do Noddy, com 52 episódios, de 10 minutos cada, integrada no programa infantil Milkshake.

Esta é uma produção totalmente digital, comemorativa do 60º aniversário do boneco, e que em muitos aspectos foge da estrutura tradicional do Noddy. Desde logo a Cidade dos Brinquedos (Toyland) é muito maior, bem como surgem novas personagens. Por outro lado, o Noddy, para além do seu inseparável automóvel vermelho e amarelo, bem como do seu avião, tem agora ao seu dispor uma maior variedade de veículos para conduzir nas diversas histórias, nomeadamente um helicóptero, uma carrinha pick-up e um submarino.

Pode ser uma forma de alargar as potencialidades dos argumentos das histórias, mas certamente será um passo rumo ao corte com o passado do boneco. O comércio e o merchandising acima de tudo.
Muitos dos admiradores mais novos (e não só) certamente não saberão, mas o Noddy, como atrás se disse, está precisamente a completar 60 anos, pelo que se o tempo afectasse os bonecos, certamente hoje seria um velhinho sempre simpático com o seu chapéu de veludo azul e com o guizo na ponta, mas talvez já com barbas brancas como o seu melhor amigo, o Orelhas.

O Noddy de facto nasceu em 1949, criado pela fértil imaginação da famosa escritora inglesa de obras infanto-juvenis, Enid Blyton, mãe dos famosos "Cinco" e o "Clube dos Sete". Portanto, o Noddy original nasceu nos livros, com belas ilustrações do holandês Harmsen van der Beek (que assinava apenas como Beek). Só mais tarde, em 1955, é que nasceu a série de televisão, na BBC. Ao longo dos tempos a técnica de produção foi evoluindo, desde os primórdios com bonecos de marionetes até à actual era da produção digital. O Noddy sempre foi um produto popular, em qualquer dos formatos.

Quando eu era criança, o meu primeiro contacto com o Noddy foi precisamente nas série dos livros. Em Portugal, é conhecida a edição publicada pela ENP - Empresa Nacional de Publicidade (anos 60) e mais tarde (anos 80) uma edição pela Editorial Notícias.

Primeiramente acedi aos livros através da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian. Devorava-os pura e simplesmente. Fascinava-me aquele mundo colorido dos brinquedos, afinal, o nosso mundo, o das crianças. Mais tarde, já adolescente, tive a oportunidade de adquirir alguns livros. Infelizmente, a maior parte perdeu-se algures nas velhas gavetas e prateleiras mas ainda conservo uma meia-dúzia de títulos.
Eis os títulos da colecção:
1 - Nodi no País dos Brinquedos
2 - Viva o Nodi
3 - Nodi e o seu carro
4- Nodi no Bosque Escuro
5 - Nodi e o Orelhas Grandes
6 - Nodi vai à escola
7 - Nodi na praia
8 - Nodi em sarilhos
9 - Nodi e a borracha mágica
10- Nodi e a velha gabardina
11- Nodi e o Pai Natal
12- Nodi e a ursinha Tété
13- Coragen, Nodi
14- Nodi e o cãozinho Endiabrado
15- Tem cuidado, Nodi
16- O Nodi é um bom amigo
17- Mais uma aventura do Nodi
18- Nodi no mar
19- Nodi e o coelho-macaco
20- Nodi e o burro
Repare-se, desde logo, e pelos títulos, que a designação inicial em Português era Nodi e não Noddy como agora é divulgado. Depois, na versão dos livros, comparativamente com a conhecida série "Abram alas para o Noddy", há várias situações diferentes, a começar pelos nomes das personagens. Veja-se:
No livro: Nodi; Na série TV: Noddy
No livro: Orelhas Grandes; Na série TV: Orelhas
No livro: Sr. Plod, o polícia; Na série TV: Sr. Lei
No livro: Ursa Tété; Na série TV: Ursa Teresa
No livro: Sr. Boneco Preto, o garagista; Na série TV: Sr. Faísca
No livro: Os palitos; Na série TV: Os xadrezinhos
No livro: Endiabrado, o cão; Na série TV: Turbulento.
No livro: Gata Felpuda; Na série TV: Gata Rosa
Estes são alguns exemplos de alterações mas há mais. Seja como for, não admira que Nodi, ou Noddy, continue a fazer parte do mundo das crianças de ontem e de hoje. Afinal, o mundo deveria ser sempre como a Cidade dos Brinquedos: Um local simples, belo e colorido. Infelizmente a realidade é bem mais negra e cinzenta pelo que importa preservar as cores da nossa infância porque dentro de cada um de nós deve morar uma criança.
Esta é a nossa simples homenagem ao Noddy, pelos seus generosos 60 anos, sempre com o guizo a tilintar na nossa memória.



noddy_02_01


noddy_03_01

noddy_03_02

noddy_04_01

noddy_04_02

noddy_05_02

noddy_001

noddy_06

16/04/2009

Os homens de Shiloh - The Virginian - O Maioral

Corria o ano de 1973 e recordo-me de assistir na RTP, a preto-e-branco, à série de TV, "Os Homens de Shiloh", um western na linha de Bonanza e Lancer.
Quanto a designação, "Os Homens de Shiloh", no original "The Men from Shiloh", há alguma polémica quanto à sua verdadeira concepção: Há quem considere que se refere a uma nona e última temporada da famosa série "The Virginian - O Homem de Virgínia", mas há também quem entenda ser uma variante em continuação ou uma spin-off. Tudo isto porque, na realidade, da estrutura de "The Virginian", os principais actores, James Drury  e Doug McClure transitaram para a versão "Os Homens de Shiloh", ainda por cima mantendo os nomes das personagens, The Virginian e Trampas, a quem se juntou o conhecido Lee Majors, no papel de Roy Tate e Stewart Granger como o chefe do rancho Shiloh, o coronel Alan McKenzie.

"The Virginian", é uma série norte-americana, com um total de 226 episódios, com duração de 75 minutos cada, rodados/distribuídos  pela NBC ao longo de oito temporadas, de 1962 a 1970. É de facto um caso singular de produtividade. Por sua vez, a série "Os Homens de Shiloh"´que se lhe seguiu, contém 24 episódios, de 1970 a 1971, também com cerca de 75 minutos cada.

Da série "Os Homens de Shiloh", guardo fortes memórias, de modo especial da personagem Trampas (esquisito em português), mas com pronúncia de Trempas, protagonizado pelo actor Doug McClure, do qual tenho alguns cartões/cards de cowboys. O Trempas era a personagem que todos os meus colegas gostavam de assumir nas brincadeiras de índios e cowboys.

Por sua vez a série "The Virginian", passou em Portugal na RTP no final dos anos 60 com o título de "O Maioral". Por exemplo, em Julho de 1967, a série estava programada para o final da emissão de Domingo, por volta das 22:25 horas.

image

image

image

image

O principal elenco da série "Os Homens de Shiloh"

doug macclure trampas 01

Doug McClure

doug macclure trampas 02

Doug McClure, nos meus cartões/cards dos cowboys (clicar para ampliar).

31/03/2009

Hercule Poirot - O detective do bigode esquisito


Na RTP Memória, na rubrica "Séries a sério", tenho acompanhado a reposição da série "Hercule Poirot", o famoso detective belga, criação da popular autora do policial, crime e mistério, Agatha Christie.
A versão a que me refiro é a televisiva, com David Suchet no papel principal de Poirot, já que a personagem foi interpretada no cinema por outros actores, como Peter Ustinov e Albert Finney. Poirot foi também motivo de uma série de animação.
Esta série televisiva, exibida em Inglaterra pela ITV, foi produzida inicialmente pela LWT e posteriormente pela Granada Productions. Foram realizados 66 episódios, produzidos ao longo de 11 temporadas desde 1989 a 2008, sendo por isso um interessante caso de longevidade e popularidade.

A maior parte dos episódios, com duração de 52 a 60 minutos, comportam apenas uma história, sendo que alguns casos englobam dois episódios. A maior parte dos casos ocorre em Inglaterra, onde Poirot se encontra emigrado desde a eclosão da I Guerra Mundial, mas há episódios que ocorrem noutros locais, como em França, no Egipto, Estados Unidos, Grécia e ainda no famoso Expresso do Oriente, que atravessa vários países.

Hercule Poirot, fundamenta-se numa personalidade metódica e aprumada, o que se reflecte nos seus modos e maneiras, de falar, de comer e vestir, como também a de agir e pensar, fazendo dele, de certa maneira, um tipo algo exôtico ou excêntrico. Uma das suas inconfundíveis características é o seu bigode, por si só uma excentricidade, com pontas viradas para cima, sempre preto e irrepreensivelmente bem aparado. As suas saudações em francês também são uma das suas características.

As figuras proeminentes que o acompanham ou que com ele participam e interagem, são Arthur Hastings, um capitão do Exército británico na reserva, o inspector-chefe da Scotland Yard, James Japp, e miss Lemon.

Hastings é apresentado como sendo sócio de Poirot, e de facto com ele participa na maior parte dos episódios. No entanto, este situação não parece muito clara pois em certas situações é indicado com funcionário do detective.
Hastings está para Poirot como o Dr. John Watson está para Sherlock Holmes. Acompanha e ajuda Poirot nas investigações, por vezes em situações individuais, mas raramente é decisivo nas mesmas, a não ser involuntariamente, quando acciona os característicos flashs (fez-se luz) das "célulazinhas cinzentas" do detective, que permitem ligar o último elo que faltava à corrente da investigação. Por outro lado, Hastings, para além da sua paixão pelos automóveis, assume um papel de sentimental em relação às mulheres intervenientes nos casos, mas quase sempre tímido e sem sucesso até de forma desajeitada, o que é motivo de brincadeira por parte de Poirot. Hastings também retira as suas ilacções e teorias acerca dos casos mas, norma geral, baseadas nas aparências, por isso sem fundamento, pelo que quase nunca acerta no desfecho final.

Miss Felicity Lemon é de facto a sua funcionária, uma espécie de faz-tudo, já que tanto é secretária, como cozinheira e dona-de-casa, como também por vezes participa em situações de investigação. É extremamente competente e metódica, bem ao estilo inglês, o que muito agrada a Poirot, incluindo a preparação das suas tisanas. Nunca foi uma situação clara, mas fica no ar uma espécie de paixão por Poirot mas que não passa para além dessa percepção.

O inspector-chefe, Japp, intervém na maior parte dos episódios, nomeadamente nos que ocorrem na sua área de jurisdição. É o rosto oficial da polícia e comanda as operações relativas a muitos dos casos, nomeadamente dos homicídios. Japp é o contrário de Poirot, pois é um pouco impulsivo, desmazelado e por norma conduz as investigações por caminhos errados o que o leva a conclusões precipitadas e com base nas aparências, dando crédito a pistas falsas. No entanto, é um profundo admirador de Poirot embora raramente o reconheça directamente.

O envolvimento de Poirot nos diversos casos é uma das questões nem sempre bem sustentadas. Umas vezes é requisitado pelos familiares das vítimas, outras vezes pela coincidência dos casos ocorrerem em situações de proximidade do seu dia-a-dia. Pela polícia, muito raramente é requisitado, pelo que frequentemente a sua entrada nos casos, surpreende o inspector-chefe Japp e nem sempre a colaboração é a melhor, embora Japp quase sempre aceda aos pedidos e palpites de Poirot.

Confesso que da parte das novelas de Agatha Christie, de Poirot, li apenas uma ou duas, há já bastante tempo, pelo que já não lembro da estrutura e densidade narrativa. Todavia, quanto à estrutura da série televisiva de que falo, ela é muito semelhante na maior parte dos episódios. Uma primeira parte onde é apresentado o contexto do crime, o cenário e os intervenientes e finalmente o desfecho. Depois a introdução da polícia e de Poirot, ou vice-versa, a investigação, os interrogatórios e as análises dos factos e das provas e na parte final o desvendar do caso. Em muitos dos episódios o desvendar do caso é revelado por Poirot numa reunião com todos os intervenientes presentes. Regra geral, Poirot faz uma descrição do crime onde então são mostrados os pormenores e finalmente revela os culpados, quase sempre para surpresa de todos, nomeadamente de Hastings e Japp, contrariando as suas teorias. O culpado ou os culpados, norma geral contestam a acusação mas depois acabam por se revelar e confessar e até justificar os actos para os crimes.

Como é habitual neste tipo de séries policiais, quase sempre os suspeitos óbvios aos olhos dos espectadores, e já agora de Japp e de Hastings, acabam por se revelar inocentes e os mais discretos e menos plausíveis revelam-se como os autores dos diversos crimes. Por outro lado, muitas vezes os aspectos fundamentais para a investigação e sua conclusão quase que surgem do nada e apenas são revelados na narrativa final de Poirot, denotando assim alguma inconsistência com o decorrer de toda a trama. Pelo menos, pessoalmente, fico com essa perspectiva.

Tenho acompanhado a série com interesse, até porque passa a uma hora porreira, cerca das 21:00 horas, mas reconheço que a sua consistência e densidade dramática fica a milhas da série Sherlock Holmes. Não pela diferença e psicologia das suas figuras principais, que compreensivelmente existe, mas sobretudo pela dinâmica e envolvimento de cada caso. Seja como for, é uma série interessante, muito popular, com uma verdadeira legião mundial de admiradores, e que por tudo isso sabe bem recordar. Depois, não deixa de ser um verdadeiro clássico.

Casting:
David Suchet - Hercule Poirot (1989-2008)
Hugh Fraser - Captain Arthur Hastings (1989-2002)
Philip Jackson - Chief Inspector Japp (1989-2002)
Pauline Moran - Miss Felicity Lemon (1989-2002)
Zoë Wanamaker - Ariadne Oliver (2006-2008))
David Yelland - George (2006-2008))

image

image

image

image

Links interessantes sobre Hercule Poirot:


07/02/2009

Anos 70 - Programação RTP - II

image

image

Programação da RTP, de sexta-feira, 26 de Novembro de 1976
I Programa:
18:30 - Abertura
18:32 - Estúdio Velho - Infantil
19:00 - Tropicália - Um filme dos correspondentes no Brasil - Reinaldo Varela...
20:00 - Momento Desportivo - Os problemas do Desporto em debate
20:30 - Telejornal - 1ª edição - Noticiário do país e do estrangeiro
21:00 - Momento político - Programa da Secretaria ed Estado da Comunicação Social
21:15 - Melomania - Um programa de João de Freitas Branco e Augusto cabrita
21:45 - "Sandokan" - Série filmada

image


23:00 - Telejornal - 2ª edição

II programa:

20:28 - Abertura
20:30 - Telejornal - 1ª edição (em simultâneo com o I programa)
21:00 - Série filmada

Programação da RTP, de Sábado, 27 de Novembro de 1976

I Programa:

14:00 - Abertura
14:02 - Telejornal - 1ª edição
14:30 - A bela Mariana - Série filmada - 6º episódio
15:00 - Ida e volta - Um programa sobre os problemas do trãnsito e dos transportes
15:25 - O povo e a música
15:55 - Janosik - Série polaca, realizada por Jerzy Passendorfer com Marek Perepezko (Janosik)

image

16:55 - Horizontes desconhecidos
17:25 - Bota de 7 léguas - Noticiário para jovens
17:55 - Animação
18:20 - Concerto
19:15 - Espaço 1999 - Série de ficção científica

image

20:30 - Telejornal - 2ª edição
21:30 - O mundo tribal
22:30 - Variedades - programa musical
23:15 - Telejornal

II Programa:

20:20 - Abertura
20:30 - Telejornal - 1ª edição (em simultâneo com o I programa)
21:30 - Animação
22:00 - Cinemateca - Apresentação de Lauro António

05/11/2008

Memórias revisitadas - Séries TV


Séries TV - Memórias por aqui publicadas:



01/11/2008

A Flecha Negra - La Freccia Nera

image

Depois de no último artigo falarmos de uma fantástica série de televisão, As Aventuras de Robin Hood, que faz parte das minhas imensas recordações, memórias e nostalgias dos tempos de criança, aproveito a mesma onda para trazer à memória outra inesquecível série de TV, sensivelmente da mesma época, chamada de A Flecha Negra, no original, La Freccia Nera.

Tal como o título original revela, a série foi uma produção italiana, da RAI, com realização do conhecido Anton Giulio Majano, entre 1968 e 1969. A série constava de sete episódios, a preto-e-branco, com cerca de 60 minutos cada. Na RTP passou pouco tempo depois. Não consigo recordar o dia da sua exibição, mas creio que aos domingos.
La Freccia Nera, no inglês The Black Arrow, é uma adaptação do popular romance de  Robert Louis Stevenson, o mesmo autor de A Ilha do Tesouro, e tem sido argumento de vários versões para cinema e televisão.
A história de A Flecha Negra passa-se no séc. XV, na Inglaterra, por altura da famosa Guerra das Duas Rosas, entre duas grandes facções com pretensões dinásticas, protagonizadas pelas casas de York (rosa vermelha) e Lancaster (rosa branca).

joan

image

FrecciaNera

FrecciaNera2

Em traços gerais, a história deriva à volta da epopeia de Richard (Dick) Shelton e a bela e rebelde Joan Sedley. Esta, para fugir a um casamento indesejado, com Dick Shelton, que não conhece, corta o cabelo, difarça-se com roupas e maneiras de rapaz e foge do castelo. Todavia, a história vai dar algumas voltas e Joan acaba por se envolver com o próprio jovem Dick, que desconhece a verdadeira identidade do falso rapaz, que se dá a conhecer pelo nome de John. Dick acaba por ajudar a fuga da Joan e ambos juntam-se ao bando do Flecha Negra, ambos combatendo as maldades do mauzão Sir Daniel Barcley.

Joan aos poucos vai conhecendo Dick, nas suas verdadeiras intenções e nobreza de carácter e assim acaba por se apaixonar por ele. Só quase no final da história é que revela a sua identidade, perante a surpresa de Dick Shelton e, claro, acabam por se casar.
Para além desta trama principal, toda a envolvência da história é repleta de situações típicas do séc. XV, tal como em Robin Hood, com lutas, batalhas, perseguições, traições, passagens secretas, castelos, lutas de espada, etç.

Principais personagens e intérpretes:
Dick Shelton - Aldo Reggiani
Joan Sedley - Loretta Goggi
Sir Oliver - Tino Bianchi
Duke of Gloucester - Adalberto Maria Merli
Sir Daniel Barcley - Arnoldo Foà
Randolph - Egisto Marcucci
Tal como Robin Hood, esta séria foi particularmente inspirativa para as nossas brincadeiras e aventuras de capa e espada. Para além do mais, a bela Joan deve ter sido das nossas primeiras paixões assolapadas. Logo depois a paixão mudou-se para a bela Marion des Neiges, na série Os Pequenos Vagabundos (Les Galapiats).
É, pois, com imensa nostalgia, que trago à memória esta fantástica e inesquecível série de TV, que convosco, crianças e jovens dessa época, pretendo partilhar.


- Um dos bons momentos da série, com a sua famosa música, que se tornou inesquecível nas nossas memórias.

La Freccia Nera (fonte: URL)
La la la larala lala laralalala laralalalala,
la la la larala lala laralalala laralalalala.


Sibila il vento la notte si appresta
e la cupa foresta minacciosa si fa.
Il passo trema se senti un fruscio,
forse è il segno d'addio che la vita ti dà. 


Lascia la spada se il cuor non ti regge,
perché questa è la spada
che da noi fuorilegge e ti porterà.

La la la larala lala laralalala laralalalala,
la la la larala lala laralalala laralalalala.

La freccia nera fischiando si scaglia,
è la sporca canaglia che il saluto ti dà.
Vieni fratello è questa la gente,
che val meno di niente, perché niente non ha.


Ma se il destino rovescia il suo gioco,
nascerà nel mattino una freccia di fuoco
e la libertà.

La la la larala lala laralalala laralalalala,
la la la larala lala laralalala laralalalala.

La freccia nera fischiando si scaglia,
è la sporca canaglia che il saluto ti dà.
Vieni fratello è questa la gente,
che val meno di niente, perché niente non ha.