15/06/2008

A Pedra Branca - Série TV



Hoje trago à memória a série de TV "A Pedra Branca". No original "Den Vita Stenen", foi realizada na Suécia, e exibida pelo canal local SVT em 1973 e constava de 13 episódios com duração de 30 minutos.
Entre nós passou na RTP poucos anos mais tarde, mas creio que ainda nessa década, e  aos sábados, a seguir ao almoço. Teve assinalável êxito na Suécia mas também em Portugal, Noruega, Espanha, França, Alemanha e Holanda, entre outros.

A série foi baseada no livro infantil de autoria da escritora Gunnel Linde, datado de 1963.

Era a história de dois amigos (um rapaz e uma rapariga, com idades de 10 anos), oriundos de diferentes classes sociais. Ela menina rica e ele menino pobre. A menina chamava-se Fia e o rapaz Hampus. Eram interpretados por Ulf Hasseltorp (ele) e Julia  Hede-wilkens (ela).

A história decorre nos anos de 1930 numa vila do interior. Fia é filha da senhora Petterson, uma melancólica professora de piano, por sua vez filha de um juiz.
A vivência na casa da família é marcada pela personalidade forte e pouco simpática da governanta Malin.
Num certo Verão, Hampus chega à aldeia com a sua família,seu padrasto, um sapateiro pobre, sua esposa e seis irmãos.
Hampus é pouco acarinhado pelos membros da sua família, que o chamam de estúpido e o culpam constantemente dos seus problemas, que os levam a mudar de residência com frequência.
Por sua vez Fia também vive num mundo muito próprio, pois na escola é provocada e marginalizada pelas colegas, com acusações de que tem uma mãe inútil e preguiçosa e que só sabe tocar piano. Em casa é muito reprimida pela governanta.

Ambos, em especial a menina, eram muito introvertidos e viviam à margem de todas as restantes crianças, sempre num jogo de mistério e encanto mas com toda a carga dramática decorrente dos seus diferentes estatutos sociais, espartilhados pelos adultos, no caso de Fia principalmente pela governanta da casa, que assim vivia num ambiente de recolhimento, sempre longe das outras crianças.

Certo é que estas duas crianças, num certo sentido solitárias e marginalizadas pelos contextos familiares e escolar, acabam por travar uma amizade muito especial, em que a pedrinha branca assume uma ligação de fantasia, coragem, aventura e lealdade.

Neste contexto o enredo decorria à volta de uma pedrinha branca, tipo um seixo do rio ou do mar, e que para ser conquistada por um dos dois amigos cada um deles tinha que realizar uma determinada situação, superar uma prova, um pouco à semelhança do jogo "Verdade ou Consequência". Para além do mais recordo ainda que aquele desafio em que Fia não podia falar em circunstância alguma durante um dia, o que originava algumas situações caricatas e embaraçosas para todos. Também o desafio em que Hampus teve que pintar uma careta no sino da igreja local. 

Recordo também o genérico de abertura e a sua linda música. Melancólica mas profunda e que pautava toda a trama. A menina tinha a pedra branca na mão e depois afagava-a no rosto. Lindo e terno.


Lista de intérpretes e personagens:

Julia Hede Wilkens - Fia 
Ulf Hasseltorp - Hampus
Ulf G. Johansson - Häradshövdingen - Juíz
Betty Tuvén - Tant Malin
Monica Nordquist - Fru Pettersson
Håkan Serner - Skomakaren
Maj-Britt Lindholm - Skomakarfrun
Ingemar Hasseltorp - Henning
Cecilia Nilsson - Eivor
Gunilla Söderholm - Siri
Ann-Charlotte Lithman - Nanna
Joakim Rundberg - Ture
Robert Rundberg - Lulle
Fanny Gjörup - Britta
Börje Mellvig - Livsmedelshandlaren
Eva Dahlqvist - Essay
Pia Skagermark - Solbritt
Björn Gustafson - Bagare Emilsson
Ove Tjernberg - Farornas Konung
Willy Peters - Doktorn




Fia com sua mãe

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Os dois amigos actualmente. Porque os anos não perdoam




Extracto do genérico de abertura

O meu relógio Cauny Prima

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O meu actual Cauny Calendario, de 17 rubis

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A característica marca no fundo da caixa

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O meu Cauny Major, com o inconfundível ponteiro vermelho

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A marcação no fundo da tampa do Major

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O Cauny Apollon, em homenagem da chegada do Homem à Lua. É um dos modelos mais populares

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O meu modelo mais recente, ainda embalado, de movimento automático e resistente à água

Actualmente o uso de relógio está extremamente vulgarizado, pelo que mesmo em idade pré-escolar já se vêem crianças ostentando estas máquinas de medir o tempo nos seus pequenos pulsos, mesmo que ainda não sejam capzes de ler as horas. Quase sempre modelos em plástico, coloridos e com temas dos desenhos animados.
As tendas dos vendedores asiáticos e marroquinos, instaladas em qualquer romaria, vendem ao preço da "uva-chorona" relógios para todos os gostos, quase sempre aparatosos, com muitos ponteiros e muitos botões laterais, e quase sempre imitações de grandes marcas como o Tag Heur, Rolex, Patek Philippe, Longines, Tissot e outras mais. Claro que a maior parte das vezes são relógios para durar alguns dias, pelo menos enquanto se aguenta a pilha.

Hoje, de facto, a abundância é geral, e para todas as carteiras, mas no que diz respeito aos relógios nem sempre foi assim. Recordo-me que no meu tempo de criança, o normal era receber-se o primeiro relógio de pulso no final da quarta classe ou aquando da cerimónia religiosa da Comunhão Solene, como foi o meu caso. Também por tradição, o relógio quase sempre era oferecido pelo padrinho.

Não deixo, por isso, de recordar o meu primeiro medidor do tempo, oferecido precisamente pelo meu padrinho e simultaneamente avô. Tinha eu dez anos e recordo-me perfeitamente que era um Cauny Calendário. As vicissitudes do tempo e as trapalhadas nas brincadeiras de criança ajudaram a que lhe perdesse o rasto. Felizmente, já tive a oportunidade de adquirir um outro exemplar, original, como novo, adquirido em Londres. Guardo-o religiosamente como se fosse aquele que recebi do meu saudoso padrinho e uso-o principalmente em dias mais ou menos festivos ou no fim-de-semana. Com um pouco de sorte, posso admitir que foi montado pelas mesmas pacientes mãos de um qualquer mestre relojoeiro.

Este "Calendário" trata-se de um dos muitos modelos clássicos, mecânicos, de corda, da famosa marca suiça, embora com várias variantes, mas quase todos de diâmetro generoso (35 mm) e extremamente delgados, isto é, muito elegantes, quase não se sentindo o mesmo no pulso.
A Cauny Prima é ainda hoje uma das mais emblemáticas e clássicas marcas de relógios, muito famosa nos anos 60 e 70, por produzir relógios de inolvidável qualidade e beleza a preços relativamente acessíveis à classe média. Daí a sua forte implantação nessas décadas.

A Cauny tem a sua origem em Le-Chaux-de-Fonds, na Suiça, em 1889, embora há quem afirme que apenas nos anos 20, sendo que nesta década principiou a sua comercialização. A marca ainda existe e, sem investigar, até porque não há muita informação disponível, ouvi falar que foi adquirida há algum tempo por uma empresa espanhola, que lhe recuperou a dinâmica e prestígio, continuando a produzir belos relógios com a mesma marca.

Conheço muitos modelos clássicos da Cauny, para homem e senhora, desde os mais simples e elegantes até aos de linhas desportivas e mais complexos, como o Chronograph Landeron e o Cauny Submarine; Desde os mais acessíveis até aos mais caros e luxuosos. Todos eles são de uma beleza que o tempo só veio reforçar.

Pessoalmente tenho talvez uma dúzia de modelos todos diferentes, incluindo o tal Cauny Calendário até ao Cauny Apolon, Cauny Cadet, Cauny Major, com o seu inconfundível ponteiro vermelho, que marca os segundos, e o mais recente, um Cauny automático, ainda por estrear.

Por tudo isso, dos objectos pessoais que nos marcam, os relógios ocupam um lugar de destaque. Não tanto hoje, com toda a facilidade com que se adquire, mas principalmente num tempo já distante e com todas as dificuldades próprias a ponto de se considerar então um relógio como um objecto de luxo, estimado e de valor sentimental. Devido a essa memória, a Cauny será sempre uma marca nas referências da minha memória, como também, estou certo, de muitos rapazes e raparigas da minha geração.

08/06/2008

Kalar - Banda Desenhada - Revista "O Falcão"


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"O Falcão" Capa da edição N.º 1, 1ª Série, publicado em 18-12-1958

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Como aconteceu com muitos colegas da minha geração, o meu gosto e a paixão pela Banda Desenhada surgiram logo nos primeiros anos da escola primária, fortalecendo-se nos anos seguintes e hoje, embora com outra maturidade, a sétima arte continua a exercer o mesmo fascínio. Assim, desde cedo entrei no universo dos heróis e das suas fantásticas aventuras, embora, como seria natural, com preferências bem definidas, quer quanto ao género, quer quanto ao herói e mesmo considerando os respectivos criadores.

Neste contexto, para quem tomou conhecimento com a Banda Desenhada a partir dos anos 60 e 70, conhece perfeitamente a revista juvenil "O Falcão", de tiragem semanal, hoje extinta, mas que durante muitos anos fez a delícia de todos os entusiastas das aventuras desenhadas, dos seus heróis, cenários e personagens. A par da revista Mundo de Aventuras, será talvez a edição mais conhecida e popular  de todas quanto se publicaram entre nós.

A revista foi quase sempre semanal mas também quinzenal e até mensal. Foi publicada em 3 séries, a primeira com 82 números (formato maior e com várias histórias em continuação), a segunda (formato bolso) com 1286 e a terceira, mais recente, com apenas 25 números.
Em cada edição (a partir da 2ª série) era publicada uma aventura de um determinado herói, por isso alguns ganhavam certa preferência junto dos leitores. No meu caso, sempre preferi as aventuras de Kalar, Ogan (o Viking), Sandor (o corsário) e Oliver (Robin dos Bosques). Mas muitos outros herois eram os preferidos de outros colegas, nomeadamente o muito conhecido Major Alvega (intérpido piloto da RAF) um dos mais representados na colecção), ENE 3, Arizona Jim, Caribú, Dogfight Dixon, Jim Canadá, Texas Kid e outros mais. Todas as histórias eram provenientes de diversas editoras europeias.

Do leque dos meus preferidos, hoje destaco o herói Kalar: Kalar é uma criação do mestre espanhol Tomas Marco Nadal (Marco, como nome artístico), catalão, nascido em 1929 e falecido em 2000. Marco é um dos nomes grandes da Banda Desenhada europeia e espanhola, tendo produzido sobretudo em França, onde nasceu Kalar. A sua obra é de profunda qualidade, muito vasta e o herói da selva é apenas parte dela.
Kalar começa com a a queda na selva de um avião, onde seguia um playboy milionário, Jean Calard. O avião não resistiu à tempestade que sobre ele se abateu mas Calard sobrevive. Encontra então o pigmeu Bongo, que traduz à sua maneira o nome para Kalar. Kalar rapidamente se sente atraído pela selva e por lá fica, aprendendo os seus segredos.
Kalar tem muito do herói Tarzan, nomeadamente na sua relação com a selva, os seus habitantes e toda a envolvência humana, mas mais modernizado, sempre com a sua farda de explorador tropical, com a sua espingarda e o seu jipe. Kalar tem em muitos animais grandes amigos que o ajudam em muitas das aventuras, principalmente o inseparável chimpanzé Gib e o leão Simba. Kalar também tem a sua amiga e namorada, a bela Pamela, que faz papel de médica e que é figura muito regular nas suas aventuras. O cenário de Kalar localiza-se nas frondosas selvas do Quénia, na África.

Kalar destaca-se essencialmente pelo rigor do seu desenho, o que não é muito comum na revista "O Falcão", quase sempre com arte de pouca qualidade. Marco desenvolve páginas de um rico pormenor e valor estético, com uma profunda textura, quer ao  nível da representação humana mas principalamente da fauna e cenários da selva. Cada página está sempre povoada de animais e impregnada da densidade da paisagem tropical africana. São famosos os seus desenhos de vários animais da série, que, inclusive, deram lugar a obras complementares, designadas de O Bestiário, publicadas em francês e em espanhol.
Por tudo isto, sabe sempre bem retirar da estante um dos diversos exemplares de "O Falcão" onde Kalar nos dá a conhecer mais uma aventura. Kalar, no entanto, foi publicado em outras colecções, nomeadamente a "Tigre", de formato idêntico à revista de "O Falcão" e também na Kuandor.

02/06/2008

Publicidade nostálgica - Cerveja Marina

 

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Cromos soltos - Humberto Coelho - S.L. Benfica - 72/73

 

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Humberto Coelho

Notabilizou-se como defesa-central ao serviço do S.L. Benfica, onde venceu 8 campeonatos, 6 taças e 1 supertaça. Esteve ainda na final da Taça UEFA, então a duas mãos, que perdeu para o Anderlecht, em 82/83. Do Benfica foi transferido para o Paris Saint Germain, de França (75/76, 76/77). De seguida passou pelos Estados Unidos no Las Vegas Quicksilver, mas por pouco tempo, regressando a Portugal e ao seu Benfica, onde terminou a carreira em grande.

Depois de abandonar o futebol chegou a ser seleccionador da selecção  de Portugal (onde como jogador fora internacional A por 64 vezes), tendo registado uma excelente campanha e presença no Euro 2000, onde chegou às meias-finais. Seguiram-se projectos internacionais como seleccionador de Marrocos e Coreia do Sul.

Por estes dias foi noticiado que vai abraçar um novo projecto como seleccionador nacional da Tunísia.

01/06/2008

Vickie o Viking

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Vickie, o Viking, foi uma das séries de animação passadas na nossa RTP, na década de 70, que mais memórias deixou.
Vickie era um rapazinho alegre e inteligente, filho de Halvar, chefe da aldeia viking de Flake, e Ilda, sua mulher. Devido à sua astúcia e inteligência, o pequeno viking cedo começou a acompanhar o pai e os seus guerreiros em algumas das suas expedições e aventuras, apesar da opinião contrária da sua mãe, Ilda, no papel de mãe galinha, equilibra e sensata.

Uma das características do Vickie era a solução que ele engendrava sempre que uma determinada situação se apresentava complexa e de difícil para seu pai e para o resto dos vikings. Então ele pensava, pensava, ...esfregava o nariz e a ideia surgia-lhe. Depois era só o tempo necessário para a mesma ser posta em prática e, pronto, tudo acabava em bem e o episódio tinha um final feliz.

Para além do próprio Vickie e seus pais, a série contava com várias personagens, todas elas divertidas e carismáticas: A amiga de Vickie, Ilvy, Gilby, o seu rival, Ulme, o músico, com a sua inseparável harpa, o alegre Gorm, os inseparáveis e casmurros amigos Snorre e Tjur, o bom gigante Fax, Urobe, o ancião e na parte dos inimigos o terrível Sven.

Para além de Vickie, a figura mais forte e omnipresente era seu pai, Halvar, sempre num papel de chefe sabichão, terrível e fanfarrão mas que no fundo era um coração bola de manteiga, sempre posto na linha pela sua cara-metada Ilda. Fartava-se de se meter em trapalhadas que o filho, com a sua astúcia e inteligência sempre acabava por resolver.

Vickie o viking nasceu a partir de uma série de livros infantis de autoria do sueco Runer Jonsson. Posteriormente foi adaptdo para televisão pela televisão alemã e austríaca e um estúdio de animação japonês, sendo produzida entre 72 e 74. Entre nós a série apareceu precisamente em 1974. Mais recentemente, recordo-me de ter passado novamente há dois ou três anos e sei que foi bem acolhida pela criançada pelo que há coisas que são intemporais e permanecem positivamente na nossas profundas memórias e nostalgias.

Para além de toda a envolvência da série, a música de abertura e o respectivo genérico ficaram sempre bem vivos. Como memória palpável guardo uma caderneta de 210 cromos, editada em 1975 pela Disvenda, que conta a história da caçada aos lobos e que o pequeno Vickie venceu pela astúcia.

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31/05/2008

Publicidade Nostálgica - Pastilhas elásticas Piratas

 

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As famosas pastilhas elásticas PIRATAS, fabricadas pela fábrica DIANA, sediada em Évora, para além de serem um excelente produto e muito popular entre a criançada, teve o mérito de lançar diversos artigos à volta da marca, como várias colecções de cromos, uma revista e até um clube de sócios que usufruia de diversas vantagens.


A revista. recheada de assuntos do agrado da malta, foi lançada em 1965 e durou até finais dos anos 70. Inicialmente era de publicação semanal mas posteriormente passou para uma periodicidade mensal.
Das colecções de cromos e respectivas cadernetas editadas, são conhecidas as famosas “COMBÓIOS”, “AVIÕES A JACTO”  e “EUROPA GEOGRÁFICA, POLÍTICA E ECONÓMICA” (possuo ambas). Famosa ficou também a colecção de cromos TRUQUES DE MAGIA.

Para além destas foram publicadas outras mais, porventura menos conhecidas.
Por tudo isso, por todo esse fantástico legado, as pastilhas elásticas PIRATAS merecem bem a nossa admiração e fazem parte do imaginário infantil de muitos portugueses.

27/05/2008

Calimero - É uma injustiça, não é?

 

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(vídeo da abertura da série em francês)

(lição de ecologia - francês)

(vídeo de um dos spots publicitários ao detergente AVA, a partir do qual Calimero se tornou popular, abrindo caminho à co-produção italo-japonesa)

Das muitas séries de animação que passaram na RTP, hoje recordo o Calimero, o pintaínho preto (não era preto, era sujo), com a sua característica e inseparável casca de ovo na cabeça.
Entre aventuras e desventuras, Calimero considerava-se sempre um infeliz e injustiçado, quer pelos amigos quer pelas situações em que se envolvia e que invariavelmente lhe corriam mal. Deste modo, lamentando-se constantemente, ficou célebre a sua frase "é uma injstiça, não é?" ou então, "Não é justo eles serem grandes e eu pequeno". Mas, no fundo, no fim de todas as peripécias do seu dia-a-dia, Calimero acabava por conquistar toda a gente com a sua simplicidade, honestidade e bom coração.

Ainda hoje o termo ou conceito do lamuriento e infeliz Calimero é frequentemente atribuído a quem passa o tempo a lamentar-se da vida, dos outros e até de si próprio.

Calimero fazia-se acompanhar nas suas aventuras pela sua namorada Priscila, sempre ajuízada e contraponto coerente às desventuras do seu amigo, também o aprendiz de cineasta, Valério, a gorduchinha Susi, o seu rival Papero Piero e a leal Rosella, entre outros.


A série, tal como se tornou famosa, foi produzida em duas épocas distintas: de 1973 a 1974 e de 1993 a 1994, mas já antes se tornou muito popular em Itália com uma série de anúncios publicitários para uma marca de detergentes. Calimero é uma criação dos irmãos Nino Pagot e Toni Pagot, datada de 1963.

A versão que faz parte das minhas memórias  é a produzida nos anos 70, em estúdio japonês, e que, se a memória não me atraiçoa, passou na RTP nos finais de 70 e princípios de 80. A série tornou-se muito popular, não só em Itália, como também em Portugal, França, Alemanha e Japão, entre muitos outros países. A segunda versão, com grafismo mais moderno, oned Calimero faz papel de jornalista, creio que não obteve o mesmo êxito.

- sítio oficial

- desenhos para colorir

24/05/2008

A Biblioteca Itinerante da Gulbenkian








Hoje trago à memória a Biblioteca Itinerante, da Fundação Calouste Gulbenkian, que durante muitos anos percorreu o país de lés-a-lés, especialmente em aldeias onde o acesso aos livros e à leitura era inexistente.
Não pretendo aqui fazer a história deste fantástico serviço, até porque há locais onde isso já é feito, como neste sítio, por exemplo, e pela Internet não faltam referências ao mesmo. Apenas de referir que o serviço foi criado pelo administrador da Fundação, Branquinho da Fonseca, em 1958.

O que quero recordar de modo especial é que a visita da Biblioteca Itinerante ao largo da minha aldeia acontecia uma vez por mês, sempre num dia certo, que agora não rcordo, mas tenho ideia de ser a uma quarta-feira, sempre a meio da tarde, e que eu frequentei durante toda a década de 70. Sei que depois continuou por mais alguns anos, acabando por terminar talvez no início dos anos 90. Sei também que oficialmente o serviço durou de 1958 a 2002. Durante esse período adquiriu cerca de cinco milhões de livros (de todos os géneros) e fez 97 milhões de empréstimos. Os serviços foram então entreguesas às autarquias que serviam.

São inesquecíveis as recordações da chegada da Biblioteca Itinerante, com a sua carrinha enigmática, o modelo Citroen HY (fabricado entre os anos de 1947 a 1981), que só por si irradiava uma magia fascinante. A que vinha ao largo da minha aldeia era de cor verde velho (mais ou menos igual à da última imagem). Tinha duas portas na parte traseira que se abriam de par-em-par e uma parte superior que abria para cima, para dar acesso ao fantástico mundo dos livros, da leitura e do fascínio das histórias e das imagens. Essa aura de reino maravilhoso era reforçado pelo tipo de leitura dos primeiros anos, onde preferencialmente eu escolhia livros de contos de fadas, repletos de reinos, reis, rainhas, princesas, gigantes, anões, fadas, feiticeiras e todo o resto da família de seres que povoam o imaginário infantil.

Aos poucos fui deixando as histórias infantis e mergulhei em livros sobre a fauna e flora, repletos de ilustrações maravilhosas e muitos outros livros sobre a terra, a história, as artes e as ciências.
Recordo ainda que aguardáva-mos pelo dia da visita da Biblioteca Itinerante com justificada impaciência. Todos queriam ser os primeiros a ser atendidos para melhor escolher. 
Lembro-me que eram dois os senhores que acompanhavam a Biblioteca, sendo um o motorista e o outro o encarregado ou revisor, o que anotava as devoluções e as requisições.
Não tenho a certeza quanto ao número de livros que se podia requisitar, mas creio que eram cinco.

Também recordo os momentos angustiantes quando tinha que devolver os livros danificados pela ira da mãe, como censora inquisitória, quando, hipnotizado pela leitura, eu não cumpria os deveres da escola e da casa. Nessas alturas não havia outro remédio senão tratar dos ferimentos às páginas rasgadas colando-as com cola e com fita adesiva, daquela clássica, e dissimular o melhor possível os livros feridos entre os resistentes. Claro que o revisor dava por ela mas fazia vista grossa pois a devolução de livros danificados devia ser norma nas aldeias, resultado da luta dos pais, alguns analfabetos e pouco dados à leitura, preocupados apenas com a mão-de-obra da pequenada e o cumprimento das suas responsabilidades. A leitura e o tempo dispendido com os livros eram considerados  pura malandrice, pelo que habitualmente era paga ao tabefe. Pelo meio os livros também eram castigados.
Hoje, felizmente, há livros por todo o lado e qualquer concelho ou freguesia já dispõem de boas bibliotecas. O livro, apesar de relativamente caro, está bastante disseminado e tornou-se vulgar na casa dos portugueses e a pequenada desde cedo habitua-se a receber bons livros como prendas de aniversário, Natal, Páscoa e noutras ocasiões ordinárias.
Por tudo isto, toda a malta da minha geração tem uma profunda memória e admiração pelo serviço da Biblioteca Itinerante, já que graças a ele viajámos no tempo  por reinos maravilhosos, com histórias fascinantes e aprendemos coisas do mundo que nos rodeia. Enfim, crescemos ajudados por tudo quanto aprendemos através dos livros que num momento mágico chegavam ao largo da aldeia naquelas carrinhas maravilhosas.
(nota: as imagens estão linkadas aos sítios de origem)

(sobre a Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian)

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