31/07/2008

Bom dia! Como tem passado Vossa Excelência? Bem, muito obrigado! Até amanhã!

 

 bucha e estica santa nostalgia

Hoje em dia é concensual a ideia de que vivemos numa pequena aldeia global. A internet, uma tecnologia de comunicação e informação, veio materializar esta realidade. Neste sentido, o conhecimento e a partilha de informação e conhecimento está ao alcançe de um simples clique.


Apesar desta globalização, desta pseudo-aproximação, o certo é que se traduz numa relação fundamentalmente virtual. Estamos demasiado próximos, separados apenas por uma janela em forma de ecrã, mas na realidade nunca estivemos tão distantes, pelo menos em termos de afectividades e sua partilha. 
Actualmente as pessoas têm uma vida com círculos de relações muito compartimentadas. Vivemos num prédio  onde habitam 100 ou 200 pessoas mas não conhecemos nem nos relacionamentos com ninguém. Quando muito, com os vizinhos do lado porque inevitavelmente nos encontramos à saída ou à entrada da escada ou do elevador. Por conseguinte, somos desconhecidos e agimos como isso.


Neste contexto, hoje quase não nos cumprimentamos nem nos saudámos. Fora do ciclo rotineiro da casa, da família, da escola e do emprego, ninguém cumprimenta um desconhecido. Quando na rua nos cruzamos com um qualquer estranho, ou mesmo conhecido mas sem qualquer grau de confiança, não somos capazes de lhe dizer um "bom dia" ou um simples "olá". Nem um simples olhar directo ou sorriso. A maior parte das vezes olhamos para o chão ou até desviamos caminho ou paramos a olhar para o lado a fingir que estamos distraídos.
Esta situação, obviamente, tende a agravar-se, porque com o permanente clima de insegurança, ninguém confia em ninguém e qualquer pessoa desconhecida, até prova em contrário, é um potencial ladrão, um terrorista ou um pedófilo. O medo está a condicionar as nossas relações de confiança e afectos com pessoas menos conhecidas.


Noutros tempos, porém, o cumprimento era uma regra geral de bom trato e boa educação. Mesmo a desconhecidos, não se regateava os bons-dias, boas-tardes ou boas-noites, conforme a altura do dia. Esses cumprimentos eram mútuos. Por outro lado, as saudações podiam ainda ser mais íntimas, como o desejar um "até amanhã" ou um simples "até logo". Frequentemente também se saudava com um "como tem passado?" e despedia-se com um "até amanhã, se Deus quiser". Independentemente da crença, este tipo de saudação comportava alguma intimidade e afectividade, mesmo para com pessoas estranhas. Era essa a norma.


Por outro lado, gestos de afectividade, deferência e respeito para com os outros, superiores ou subalternos, e principalmente para com as senhoras e idosos, hoje estão quase perdidos ou em desuso. O gesto de se tirar o chapéu como forma de cumprimento, principalmente perante superiores e senhoras, hoje não passa de uma raridade e até motivo de ridículo, bem como as formas de tratamento, quer verbais quer na escrita.


É, pois, com saudade, que trazemos à memória coisas tão simples como os cumprimentos e as saudações entre pessoas, que no antigamente eram espontâneos e sinais de boa educação e respeito e que hoje se vão tornando raros e confinados a situações de protocolo dos nossos nichos da sociedade, repletos de doutores e engenheiros. Hoje o tratamento por "senhor doutor" ou "senhor engenheiro", mais do que um tratamento de educação, é um formalismo artificial e sempre com alguma segunda intenção em mente, de gozo ou impostorice, de graxa como se costuma dizer.


O resto é o que se sabe e o que se vê: Muita gente mal educada, sem qualquer noção da boa educação e respeito pelos outros. Os velhos livros e manuais de princípios e deveres cívicos estão nos arquivos e quase sempre são conotados com os tempos da velha senhora como se o respeito e a boa educação fossem exclusividades de um tempo e de um status.

A educação hoje fundamenta-se na liberdade e todos sabemos no que dá a zelosa liberdade quanto aos direitos mas escassa e deficiente quanto aos deveres.
Não é de admirar, pois, que seja já uma saudade e uma memória a forma franca e correcta como as pessoas, ainda num passado recente se cumprimentavam e saudavam.

30/07/2008

A fisga, um brinquedo e uma arma

 

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miudo com fisga santa nostalgia 

Um dos brinquedos muito populares entre os rapazes do meu tempo de criança, era, sem dúvida alguma, a fisga. Pela sua natureza, um objecto que permitia projectar pequenas pedras a longa distância, com algum grau de precisão, dependendo da destreza do atirador, a fisga era um forte complemento das aventuras e brincadeiras, quase sempre versões adaptadas das séries de televisão, de modo especial do tema do western americano, ou seja os "filmes de cowboys".


Certamente que a fisga habitualmente era usada com propósitos pouco recomendáveis, pois quase sempre eram usadas para atirar contra os pássaros, de modo especial os pardais e os melros. Os mais rebeldes também usavam as fisgas para outras maldades, como partir vidros e lâmpadas da iluminação pública e danificar a fruta nos pomares dos vizinhos. Frequentemente eram utilizadas nas "guerras" entre diversos grupos rivais de rapazes, pelo que por vezes o seu uso provocava ferimentos.

Era, pois, um brinquedo, mas demasiado perigoso, diga-se, tanto mais que os rapazes brincavam livremente sem a orientação de adultos, pais ou professores.
Usada de forma adequada, a fisga servia para brincadeiras que implicavam destreza, como atirar contra alvos feitos por latas ou garrafas de vidro.


Para o processo de construção de uma fisga é necessária uma parte de um ramo de uma árvore, em forma de Y, de modo geral seleccionada de um ramo de carvalho, ou castanheiro, pela sua resistência. Também eram necessárias duas tiras de material elástico, com cerca de 25 cm de comprimento e 1,5 cm de largura, norma geral recortadas de uma câmara-de-ar do pneu de motorizada ou bicicleta. Finalmente era preciso o suporte ou a funda para a colocação da pedrinha. Para o efeito usava-se um bocado de couro, em forma de rectângulo, com as dimensões aproximadas de 4 x 8 cm, geralmente recortado de uma bota ou sapato velhos.


Para preparação, alisava-se a peça de madeira, chamada na minha terra de galha, retirando-se todas as imperfeições. A cerca de 1 cm abaixo das duas extremidades superiores da galha eram feitos sulcos circulares para melhor afixar as tiras de borracha. No rectângulo de couro, nas extremidades, eram feitos dois rasgos para passagem das extremidades das tiras de borracha que depois eram devidamente atadas com um fio de sapateiro ou um arame fino, acontecendo o mesmo com as extremidades opostas que se prendiam à galha.

Realizadas estas operações estava construída a fisga, que nalgumas regiões do nosso país é também conhecida por atiradeira.
Finalmente, como munições, eram necessárias as indispensáveis pedrinhas, de preferência do tamanho de uma cereja, ou até mais pequenas, quanto mais regulares melhor, sendo as ideais os seixos do rio ou da praia, pois eram as que garantiam um tiro mais certeiro. Um bom atirador de fisga andava sempre com os bolsos cheios de pedras.


A fisga, apesar dos perigos de um uso indevido, é um brinquedo, quando usado num contexto adequado, sem dúvida, mas noutros tempos mais remotos era sobretudo arma artesanal, tanto usada para caçar como em situações de ataque, cuja capacidade dependia do seu tamanho, sendo o seu conceito aplicado noutras armas.

Para quem pretende reviver o uso da fisga, deixando as crianças experimentar, é conveniente uma adequada vigilância e em local propício, com campo aberto pela frente, não vá acontecer o pior.

Brincadeiras de ontem e de hoje

 

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Actualmente o grosso dos tempos livres das crianças é passado de forma estática frente ao televisor, em jogos no computador ou em consolas, como a Play Station.
Sem dúvida que os tempos, os contextos e os meios são outros, bastante diferentes dos anos 70, por exemplo, mas desde logo há uma ideia base que ressalta: As crianças de agora tendem a passar os tempos livres em situações de isolamento, com todos os inconvenientes, não só em casa, como até nos ambientes do recreio na escola. Os brinquedos actuais, as consolas, os telemóveis e afins, confina-os a esse auto isolamento porque pela sua natureza não são propriamente brinquedos de partilha ou de conjunto.

As emoções são assim individualizadas e pouco exteriorizadas. Qualquer técnico da temática da criança, sua psicologia e desenvolvimento, saberá identificar os aspectos negativos que esta realidade pode comportar se não houver outras situações que procurem menorizar esta realidade.


Pelo contrário, de há vinte e cinco anos para trás, as crianças brincavam sobretudo em conjunto, praticando jogos que requeriam precisamente essa componente de equipa. Frequentemente, as brincadeiras e os jogos implicavam a disputa, o desafio constante de se levar a melhor sobre os outros e a superação sobre si próprio, commportando na sua maioria uma forte componente lúdica mas também desportiva. O exercício físico estava assim presente na maior parte das brincadeiras. As corridas, os saltos, a perícia e até mesmo os exercícios mentais, estavam omnipresentes em todos os momentos de brincadeira, tanto no recreio da escola, como nos restantes tempos livros. Acresce que muitos dos brinquedos eram construídos pelas próprias crianças, incluindo todo um processo de imaginação e destreza.


Hoje as crianças, fora do contexto escolar, quase não tem amigos ou colegas de brincadeira. Até mesmo em ambientes pouco urbanos, as crianças quase não têm vizinhos. Outrora, a rua era um dos palcos da brincadeiras. Hoje, pelos piores motivos relacionados com a insegurança, ninguém permite que o filho brinque na rua, mesmo que em frente da casa. Para além do mais, hoje a maior parte das crianças são filhos únicos, pelo que nem com os próprios irmãos é complementada a partilha dos jogos e emoções das brincadeiras. Para agravar a situação, é reconhecido que os pais, devido às exigências do dia-a-dia, também brincam muito pouco com os seus filhoes. Os pais portugueses estão à frente nesta negativa realidade.


Com toda esta situação como pano de fundo, trazer à memória neste espaço,  brinquedos, brincadeiras e formas de brincar das crianças de há trinta anos, acaba por ser um exercício de comparação e reflexão entre os diferentes contextos temporais, sociais e culturais, mas também uma forma de documentar esses momentos mágicos, que certamente jamais serão repetidos.

29/07/2008

Jogo do Rapa

 

jogo do rapa santa nostalgia

o "Jogo do Rapa" é um dos mais populares do nosso país, sendo jogado quase sempre por crianças, tanto rapazes como raparigas, principalmente durante o tempo da escola primária.
O Rapa pode ser jogado tanto por duas como por mais crianças. Regra geral pode ser jogado à volta de uma mesa, num muro com base superior plana e mais ou menos regular ou até no próprio chão, tanto dentro de casa como no chão do próprio caminho ou terreiro.


Para o "Jogo do Rapa" é imprescindível o uso de um pequeno objecto fabricado em madeira, exactamente um pequeno pião, com o corpo principal dotado com quatro faces, mais ou menos quadradas, com um bico em cone e uma ponta superior, cilíndrica, para ser rodopiada com um movimento de rotação dos dedos polegar e indicador. O pião podia estar mais ou menos decorado com faixas de tinta de várias cores o que dava um bonito efeito quando rodopiava.


Cada uma das faces está pintada com uma letra, maiúscula, portanto com um total de quatro letras e que são: R, P, T, D. O R significa "Rapa", isto é, o jogador que rodou o pião pode recolher todas as prendas que estão no centro do local do jogo. Esta é a jogada mais desejada; O P significa "Põe" pelo que o jogador deve colocar na mesa uma prenda adicional; O D, quer dizer "Deixa", pelo que se deve deixar tudo na mesma, sem recolher nem pôr; Finalmente, o T, significa "Tira", pelo que deve ser retirada uma prenda pelo jogador que rodopiou o pião. Por conseguinte, a jogada mais desejada é o R, pois permite rapar todo o espólio das prendas em jogo. Depois de todos os jogadores terem jogado a sua vez, o jogo é retomado com os jogadores novamente a colocarem cada um uma prenda e assim sucessivamente em cada ciclo. Escusado será dizer que se a opção D, "Deixa", calhar com alguma frequência, o espólio das prendas tende a aumentar pelo que a próxima saída do R,  "Rapa", será deveras ambicionada e rentável.


No início de cada jogada, os jogadores devem sortear ou "cantar" a ordem de jogar. O primeiro será o "primas", o segundo o "xigas" e o terceiro o "restas". Se houver mais de três jogadores, será atribuída a ordem numérica, ou seja, quarto, quinto, sexto, etc.
Cada jogador deve colocar no centro do plano do jogo uma prenda. Seguidamente o pião é rodopiado no centro da mesa, por cada jogador, de acordo com a ordem estabelecida, devendo rodar até caír aleatoriamente. A letra correspondente à face voltada para cima significa a acção que cada jogador deve tomar, conforme acima descrito.


Tradicionalmente, em muitas regiões, o "Jogo do Rapa" está associado à época natalícia, sendo jogado a pinhões, rebuçados ou uvas-passas. Os estudiosos dizem que há uma relação com um jogo de tradição judaica, muito semelhante.


Na minha região o Rapa não tinha propriamente uma época definida pelo que se jogava em qualquer altura do ano. Aliás, muitos dos jogos do nosso tempo de criança eram um pouco de modas. Numa determinada altura dava-se preferência a um determinado jogo mas volvido algum tempo era ver entretida a criançada com outro jogo.
Na minha região o pequeno pião de madeira, indispensável ao jogo, é conhecido por "piorra". Noutras terras, porém, é conhecido mesmo por "pião" ou também por "rapa".
Quanto às prendas, era o que calhava. Tanto se jogava a botões como a cromos e caricas. Na época da Páscoa era frequente jogar-se a rebuçados de caramelos ou amêndoas.

28/07/2008

Publicidade nostálgica - Tulicreme


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As crianças adoram e as mães preferem
Tulicreme é um creme para barrar, nutritivo, feito a partir de gorduras 100% vegetais e muito prático, que foi lançado em Portugal em 1964 com a variedade de chocolate. Em 1997, esta marca infantil foi relançada e foram adicionados leite e vitaminas à fórmula de Tulicreme.
Sem corantes nem conservantes e enriquecido com vitaminas A, B2, D e E Tulicreme é feito com os melhores ingredientes e tem tudo o que os seus filhos necessitam para compensar as energias que despendem.
Cremoso, saboroso e nutritivo.

fonte do texto: Unilever

- Quem não se lembra do saboroso creme de barrar, de chocolate mas também de avelã, ainda mais macio? A marca ainda hoje é comercializada mas até aposto que o sabor de há trinta anos era bem melhor. Ainda o sinto na boca. Sempre que via os reclames na televisão ficava com´"água-na-boca". Ainda por cima os tempos eram de dificuldade para a maioria das famílias portuguesas pelo que as crianças andavam quase sempre com "cara-de-fome". Por isso, comer uma sande barrada com Tulicreme era, muitas vezes, apenas um delicioso sonho de menino.

27/07/2008

Caderneta de cromos de caramelos - Embaixadores do Futebol

 

caramelos embaixadores futebol capa

Caderneta de cromos de caramelos - A nostalgia e o encanto das antigas cadernetas de cromos de futebol que para além de alimentarem as nossas colecções e a paixão pelo futebol,também ajudavam a adoçar a boca com os inesquecíveis caramelos devidamente embrulhados pelos próprios cromos.

Título: Embaixadores do futebol

Editora: A Francesa

Época: 1967

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25/07/2008

Tempo da tropa

 

tropa

Quem não se recorda do seu tempo de tropa?


Com o fim do serviço militar obrigatório a tropa tornou-se mais uma saída profissional do que propriamente uma forma de servir a Pátria. Depois, há que dizê-lo, quem é que sentia realmente esse sentido do dever, quando por ali andavam obrigados e arrastados das suas casas, familiares e amigos, principalmente no tempo da tropa a sério, em plena Guerra do Ultramar, nas suas diversas frentes.


Seja como for, não pretendo aqui fazer um exercício sobre a tropa, o serviço militar, nem debater os seus contextos históricos e sociais. Pretendo apenas recordar o tempo de tropa, pura e simples, e se possível trazer à baila as melhores lembranças, aqueles momentos que jamais esqueceremos e agora nos fazem sorrir com saudade e até mesmo, estou certo que na maioria dos casos, em desejar voltar a esse tempo e a essa experiência.


No meu caso, passei pela tropa já depois de assentes as poeiras decorrentes da revolução do 25 de Abril de 1974, portanto já sem o pesadelo e o estigma da Guerra no Ultramar.
Quiz o destino ou o acaso, ou outras coincidências, que prestasse o serviço militar durante dois anos, completos, ao serviço do ramo da Marinha de Guerra Portuguesa.


Iniciei o serviço militar na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, mesmo na borda do Tejo, seguindo, depois de concluída a instrução básica, até ao Alfeite, mais concretamente para a Escola de Comunicações, no complexo da Marinha, frequentando o respectivo curso na especialidade de Operador Táctico.


Durante todo este percurso de dois anos passei pelos postos de segundo grumete recruta, segundo grumete, primeiro grumete e segundo marinheiro. Tenho ideia de que o posto de primeiro marinheiro era para quem decidisse permanecer no quadros depois do serviço militar obrigatório, podendo depois concorrer ao posto de cabo e por aí fora.

Durante o último ano, já com o curso, estive de serviço no Centro de Telecomunicações, no Comando Naval do Continente, na Base Naval de Lisboa, sediada no Alfeite, onde fazia parte de uma das três divisões que asseguravam um serviço permanente 24 horas por dia.

Foi assim um tempo que hoje recordo, com uma mistura de sentimentos, desde lembranças de bons momentos, que foram muitos, mas também de dificuldades, responsabilidades e até coisas negativas, desde logo pela suspensão da vida activa que a tropa representava.


Pelo meio recordo todos os episódios durante a recruta, durante o curso e mesmo durante o serviço final, nomeadamente os vários turnos durante a madrugada. Também lembro as intermináveis viagens de combóio, pela madrugada fora, com paragens em todas as estações e apeadeiros, em jornadas que demoravam seis e sete horas.
Recordo os episódios na caserna, com a cama feita à espanhola, açúcar nos lenções e as peripécias no refeitório e nas saídas e escapadelas às meninas do Intendente, em Lisboa. Também me lembro de ter que decorar os postos, as bandeiras do Código Internacional de Sinais, e aprender os nós-de-marinheiro.

Também não esqueço, porque foi uma das bases do meu curso, a aprendizagem do código morse na especialidade de luzes. Cheguei mesmo a ganhar medalhas, tanto na categoria de transmissão como recepção.

Inesquecível as inúmeras vezes que subia as dezenas de degraus de acesso à torre central na Base Naval, ao nascer e ao pôr-do-sol para içar a bandeira (tenho ideia de que se chamava preparativa), pondo em sentido todas as guarnições ali acostadas. Pelo meio recusei a oportunidade de embarcar no emblemático Navio Escola Sagres, por troca com um colega. Não há nada como ter os pés firmes em terra.

Não posso também esquecer os vários amigos que fiz, provenientes de vários locais do nosso país, desde o Algarve até ao Minho.
Como vêem, até a tropa pode ser sinónimo de recordações e nostalgias. Quem as não tem?

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- Vista aérea da Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, onde realizei a recruta. Lá está, junto à parada, o edifício da minha caserna.

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- Vista aérea do complexo de escolas da Marinha de Guerra Portuguesa, no Alfeite. Lá está a Escola de Comunicações, a parada, as casernas e o refeitório. Ah, e o Tejo.

21/07/2008

O livro da primeira classe - 1954

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O Livro da Primeira Classe - Ensino Primário Elementar 
Autor: Ministério da Educação Nacional
Editora: Editora Educação Nacional, L.da - Porto
Ano da edição analisada: 1954
Formato: 173 x 225 mm - 144 páginas
Ilustrações: Raquel Roque Gameiro.
Trata-se de um dos mais bonitos livros de leitura do ensino primário, nomeadamente da primeira classe. Em formato generoso e de capa dura, segue o esquema habitual de ensino na época, principiando pelas vogais, partindo para as consoantes, com leituras de acordo com as letras aprendidas.

Tem ainda uma secção destinada à aprendizagem da doutrina cristã (páginas 91 a 112), com as principais verdades da fé católica, mas também com noções e princípios dos deveres cívicos.

A terceira secção é dedicada ao ensino da aritmética (páginas 113 a 144), com a aprendizagem dos números e sua noção, noção de quantidades, exercícios com as operações de soma, subtracção, divisão e multiplicação. Todos os exercícios estão profusamente ilustrados ajudando em muito o processo de compreensão e aprendizagem. Reúne conhecimentos que nos nossos dias só são adquiridos já ao nível da terceira ou até mesmo da quarta classes o que não surpreende se tivermos em linha de conta que a antiga quarta classe comportava um desenvolvimento e conhecimentos  agora adquiridos apenas ao nível do nono ano.

Um dos aspectos de todo o livro é a qualidade das suas ilustrações, de autoria de Raquel Gameiro, com belas cores, tornando a sua leitura num exercício agradável.

Foi livro único durante bastantes anos pelo que é hoje muito recordado por muitos portugueses.

Cerveja Cuca

 

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CUCA ( Companhia União de Cervejas de Angola) - A cerveja angolana, por excelência, e que noutros tempos se consumia regularmente por cá e que hoje se encontra apenas em boas cervejarias.

Em Angola a marca continua a ter muita importância pelo que estão previstos vários investimentos neste importante sector.

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20/07/2008

Fiat 127




Com toda a legitimidade de um quarentão, é claro que tenho fortes recordações de diversos modelos de automóveis dos anos 60, 70 e 80 e que actualmente já são autênticos clássicos. Hoje, porém, trago à memória o Fiat 127.
Este clássico modelo da fabricante italiana, tornou-se entre nós um carro muito popular, graças às suas elegantes linhas, a que hoje se classificariam como desportivas e à sua fácil condução. Em termos económicos, como a maior parte dos modelos da Fiat, tinham preços relativamente acessíveis, mesmo no contexto das dificuldades da altura, até porque comprar um carro, caro ou barato, era um luxo ao alcance de poucos. A solução era mesmo comprar como usado, por vezes depois de já ter passado pelas mãos de meia dúzia de proprietários.

Um dos motivos que lembro o Fiat 127, é que foi precisamente o primeiro carro que conduzi depois de obtida a carta de condução. Pertencia ao meu irmão mais velho, sempre bem estimado, e com alguns extras que lhe reforçavam a pinta de um desportivo. Era azul escuro, tinha um airlon traseiro, um volante pequeno e revestido a couro, faróis de nevoeiro, uma excelente aparelhagem de som, com colunas Pioneer e equalizador. Uma bomba. Infelizmente para mim e felizmente para o seu proprietário, apenas fiz uma viagem, pois, novato como era, esqueci de baixar totalmente o travão de mão e ao fim de poucos quilómetros o carro já estava todo envolvido em fumo que saía dos tambores das rodas.
Seja como for, o Fiat 127 será sempre um dos carros a quem devo algumas memórias do meu passado e sem dúvida de muitos portugueses.

- Mais sobre o Fiat 127