23/09/2008

Memórias do tempo de outros tempos

 

imagens: URL

geada santa nostalgia

Entrámos ontem na estação do Outono. Por cá choveu e o céu esteve cinzento, mas apesar disso até esteve bastante quente, ainda sinal do efeito da forte trovoada que se fizera sentir na véspera.

Seja como for, e apesar das estações do ano estarem nitidamente a perder as suas características, levando até alguns entendidos a prognosticarem que no futuro haverá apenas duas estações, a estação das chuvas e a estação seca, a verdade é que a partir daqui já não se podem esperar os quentinhos dias de Verão, as idas à praia, os piqueniques sob deliciosas sombras ou longas noites na esplanada. Os dias já estão mais curtos e depois da habitual mudança para a hora de Inverno, no último Domingo de Outubro, vamos entrar em mais um ciclo de seis meses de adormecimento, repletos de dias tristonhos e enfarruscados, tão característicos do Outono e Inverno.

Neste constante marchar do ciclo da vida, do tempo e das estações, não tardam as primeiras geadas e com elas o tempo frio de rachar.

Recuando no tempo, até aos meus tempos de escola primária, não tenho dúvidas de que nessa altura as estações tinham mais personalidade, eram mais vincadas, pelo que o Inverno era mesmo rigoroso, com muitas chuvas, muitos ventos e muita geada e o Verão era mesmo quente. Era muito normal não se registar qualquer precipitação durante os meses de Junho, Julho e Agosto. Até mesmo Setembro era muito quente. A este respeito recordo que o povo da aldeia organizava a reza do terço na capela do largo, pedindo aos Deus e aos Santos que os contemplasse com a generosa oferta da chuva, tão precisa às pessoas, aos animais e às plantações nos campos, onde a batata queimava e o milho definhava. A diferença entre a chuva e a seca poderia resultar numa colheita abundante ou num acrescento de miséria à habitual pobreza das pessoas da aldeia.

Opostamente, durante os rigores do senhor Inverno, as rezas eram no sentido de parar o excesso de chuva de modo a permitir alimentar o gado, fazer o trabalho nos campos e nos pinhais. Por vezes chovia copiosamente durante vários dias seguidos e as mulheres nem sequer podiam ir à horta colher uma folha de couve para preparar o caldo da janta. Os caminhos andavam sempre alagados e os regatos e a ribeira da aldeia abandonavam os leitos e alagavam as margens, arrastando as medas de palha e as moreias de cana de milho, entupindo levadas e regueiros. Os ventos sempre fortes arrancavam as árvores e destapavam os frágeis telhados das casas. Recordo que no largo da aldeia, mesmo defronte da escola, existiam umas frondosas mimosas, e quase todos os anos uma delas sucumbia à fúria do vento. Claro que para a pequenada era uma alegria, brincando por entre um emaranhado de ramos e folhas da árvore caída. Tudo era pretexto para brincadeira.

Quanto ao tempo de geada, quando acontecia durava longos dias e os terrenos ficam encascados, duros de noite e enlameados de dia. Hoje em dia, de modo geral, as escolas têm alguma climatização e as próprias crianças dispõem de boas roupas adequadas ao tempo de chuva e de geada, mas no meu tempo de criança não era bem assim. As roupas eram escassas e pobres, o calçado fraco e roto e as escolas, aquele modelo clássico do Estado Novo, eram frias. Tinham até uma tradicional lareira mas muito raramente eram acendidas. No meu caso, apesar de invernos rigorosos de frio e chuva, nunca vi acenderem uma fogueira na lareira da sala de aulas. Por um lado não havia lenha e por outro a escola dessa altura não tinha pessoal auxiliar como agora pelo que as tarefas básicas de limpeza, da sala, do recreio e das retretes, eram realizadas pelos próprios alunos.

Ora nos tempos de geada, o truque para aquecer as mãos, para além do tradicional jogo da sardinha, que noutra altura desenvolverei, era aquecer em casa, no borralho da fogueira, uma pedra do tamanho de uma maçã. Esta era depois embrulhada em papel de jornal e levada para a escola no bolso. Enquanto durava o calor da pedra as mãos andavam quentes, mas esta situação nem sempre era tolerada pelas professoras, que não permitiam distracções com o constante aquecimento.

Também no terreiro exterior ao recreio, era frequente a criançada acender fogueiras para se aquecerem, aproveitando restos de lenha dos pinhais próximos. Muitas vezes queimava-se um simples jornal.

Claro que por vezes a brincadeira acabava a enfarruscarem-se uns aos outros com os carvões e a cinza. Depois, já na sala de aula, a professora completava o aquecimento com umas valentes bolachadas aplicadas nas mãos dos brincalhões.

Bons tempos, boas recordações, mas com alguma amargura misturada pelas dificuldades próprias dos rigores do tempo, das professoras e da própria pobreza da maioria das crianças e suas famílias.

Mesmo assim, sabe bem recordar estas consequências do tempo de outros tempos.

22/09/2008

Cromos soltos - Cromos de caramelos

 

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caderneta de cromos de caramelos santa nostalgia

Na rubrica Cromos Soltos, hoje damos à estampa  7 cromos de caramelos, incluindo o mítico Pélé, extraídos da caderneta "Desfile dos Famosos Futebolistas Mundiais", uma edição da Carsel, do longínquo ano de 1966, da qual, na imagem de baixo, reproduzimos a respectiva capa.

Para além da representação das equipas do campeonato nacional de futebol, daquela época, a caderneta tinha uma mais valia com a representação de várias selecções. Para além da selecção portuguesa, estão representadas as selecções nacionais da Bulgária, Jugoslávia, Argentina, Hungria, Checoslováquia, Rússia, Alemanha Ocidental, Espanha, Suiça, Chile, Uruguai, Colômbia, México e Brasil. Desconhecemos o critério da escolha das selecções, mas de destacar a ausência de grandes selecções como a Inglaterra (para mais como organizadora do Campeonato do Mundo de 66), a Itália e a França.

Tal como todas as cadernetas de cromos de caramelos, esta caderneta da Carsel é extremamente rara.

21/09/2008

Melhoral - Pastilhas milagrosas

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Melhoral Infantil



Hoje trago à memória as pastilhas Melhoral.

Este medicamento ainda hoje é muito popular. Há várias décadas que faz parte da farmácia da maior parte das famílias portuguesas. Tal como a Aspirina, da Bayer, a Melhoral é um medicamento cujo princípio activo é o ácido acetilsalicílico.

No cartaz de cima, dos anos 60, refere-se "Melhoral. Um medicamento de longas tradições, registado na Direcção Geral de Saúde". Tem, de facto, muitos anos no nosso país.
Recordo-me dos meus tempos de criança e da presença constante do Melhoral na prateleira do armário da cozinha. Ao primeiro sintoma de uma indisposição, uma dor de cabaça, dor de dentes e ouvidos, mau-estar geral e sinais de constipação ou gripe, a médica da casa, a minha mãe, sacava do Melhoral e este entrava em acção como remédio milagroso. Depois o cumprimento da famosa recomendação "avinha-te, abifa-te e abafa-te", completava o resto do tratamento.

Nessa altura as idas ao médico eram extremamente raras, apenas em casos graves e só ao fim de vários dias de tratamento infrutífero  a Melhoral. Para além das idas às vacinas, não me recordo de ir ao médico antes dos 16 anos. Com os meus sete irmãos foi mais ou menos igual.

Hoje em dia, ao mínimo sinal de tosse e febre, os pais vão a correr com os meninos para a urgência dos centros de Saúde e dos hospitais, mas no meu tempo de criança, o remédio era mesmo o Melhoral Infantil, uma versão menos potente e com o sabor a laranja. As respectivas pastilhas era mais pequenas e tinham uma cor alaranjada. É verdade que a princípio as pastilhas sabiam mesmo a laranja, mas se estivesse muito tempo na boca, à laia de rebuçado, o sabor tornava-se sintético e bastante amargo.

Pesquisado a origem das pastilhas Melhoral, os resultados não foram muito esclarecedores. Pelo que li, fiquei com a ideia de que existem vários fabricantes, mas, em verdade, desconheço qual a empresa detentora da marca.
No Brasil a mesma é produzida pela Dorsay Monange. Quanto ao Melhoral Infantil, em Espanha é produzido pela Sterling Health e no Brasil pela Sydney Ross. Pessoalmente, pelo que me recordo, a marca pertencerá à Sterling e em Portugal será fabricada pela Sterling Produtos Farmacêuticos Lda. Será que alguém dispõe de informações concretas quanto a este aspecto?

Independentemente da questão quanto à origem e propriedade da marca, a verdade é que as pastilhas Melhoral e Melhoral Infantil fazem parte das nossas memórias e ainda por cima daqueles piores momentos, associados à doença, mas mesmo reconhecendo que não fazia milagres, parecia, contudo, ser um remédio eficaz para aquelas situações ligeiras e que para as quais era recomendado. É assim justo que o Melhoral seja recordado como um dos companheiros dos nossos maus momentos infanto-juvenis.

20/09/2008

Coisas do antigamente - Sacos, sacas e cestas




Hoje em dia, uma rotineira ida às compras, seja ao mini-mercado da aldeia, seja ao supermercado, seja ao que se convencionou chamar de "grande-superfície", implica trazer para casa uma boa quantidade de sacos de plástico. Para além dos estritamente necessários, é frequente a regra de se pedir à menina da caixa uma molhada adicional de sacos, "para utilizar em casa".


É certo, que numa onda de preocupações relacionadas com o ambiente, há já locais de venda que cobram por cada saco utilizado, "obrigando" assim  a um aproveitamento racional de sacos de compras anteriores. Outros locais, usam sacos de papel, com nítidos benefícios ambientais. Ambas as situações, infelizmente, são ainda muito raras.
Pessoalmente estou em crer que neste aspecto algumas coisas tendem a mudar, mas nunca mais será como noutros tempos. Senão vejamos: Actualmente as pessoas vão às compras de mãos a abanar, isto é, sem recipientes onde acondicionar as compras. Estas entrem no carrinho, saem do carrinho e passam pela caixa, depois entrem em sacas de plástico, de novo para o carrinho e deste para o carrão, isto é, o automóvel. Em casa saem directamente para a despensa.

Como contraponto, noutros tempos, as mulheres da aldeia, onde quer que fossem às compras (e estas nem eram frequentes nem abundantes) levavam consigo um saco, de pano, quase sempre, de nylon, ou mesmo uma cesta ou cabaz de vime ou verga. Havia mesmo quem levasse à cabeça uma giga, daquelas tradicionais, muito utilizadas nas aldeias.
Por outro lado, hoje em dia todos os produtos são vendidos devidamente embalados. Mesmo os que tradicionalmente o não são, como a fruta e os legumes, uma vez seleccionados e pesados são logo acondicionados em sacas de plástico. Por cada produto uma embalagem que há-de ir para o lixo.
Pelo contrário, também noutros tempos, eram poucas as coisas que se compravam embaladas. Quase tudo se adquiria a granel, fosse na mercearia, fosse na drogaria, peixaria, talho ou até mesmo na farmácia.
Recordo que durante muito tempo, ainda em criança, a ida semanal às compras à mercearia da aldeia, era executada por mim e por um irmão mais velho. Recordo, pois, muito bem, que tudo o que comprava era vendido a granel, pesado e acondicionado em sacos de papel, em vários tamanhos de acordo com o que se pretendia. Era assim com o arrroz, com a massa, o feijão, o açúcar, a farinha, as bolachas, a manteiga, o queijo, a marmelada, as azeitonas, o café, etç, etç. Até mesmo os produtos líquidos, como o vinho, o azeite e o petróleo eram vendidos de forma avulsa, pelo que tinha que se ir prevenido com garrafas ou garrafões. Mesmo o chouriço, conservado em grandes latas com azeite, era vendido a granel e embrulhado em papel vegetal. Os papeleiros eram assim grandes fornecedores das mercearias, com papel, sacos (chamávamos de cartuchos) e saquetas. Havia cartuchos para quantidades de 1/4 de quilo, meio-quilo, um quilo, dois, cinco, etç. Para coisas pequenas, principalmente para azeitonas e amendoins, era tradicional elaborar-se com uma quadrado de papel uma saqueta em cone, tipo o actual corneto, o gelado da Olá.

Como se vê, outros tempos, outras condições. Tudo funcionava bem. Hoje em dia estes procedimentos e estas formas de vender são impensáveis. É certo que hoje em dia há uma melhor conservação dos alimentos, mais cuidados de higiene e um apertado controlo de qualidade. O que é certo, é que a forma de fabricar, produzir, armazenar e vender os produtos, implica o frequente recurso a produtos adicionais como conservantes, anti-oxidantes e outras mixórdias terminadas em "antes". Claro está, com nítido prejuízo da saúde das pessoas.

É fácil concluir que noutros tempos as coisas produziam-se para consumo imediato, principalmente os produtos perecíveis. Hoje, os mesmos produtos são feitos para duraram mais tempo, nos armazéns e nas prateleiras e poderem ser manuseados por milhares de mãos nos locais de exposição e venda. Até neste aspecto as coisas mudaram, pois hoje toda a gente pega, mexe, volta a pousar, volta a pegar e por aí fora. No antigamente não: Havia uma coisa chamada balcão, que limitava o espaço entre quem vendia e quem comprava. As coisas eram pedidas pelo nome e pelas quantidades desejáveis. Só depois é que eram aviadas. Com este processo, comprava-se o que se queria ou, quase sempre, o que se podia. Hoje, pelo contrário, as pessoas compram o que precisam, é certo,  mas muitas vezes o que não precisam e o que não podem comprar. É o consumismo, o apelo da imagem e do marketing no seu melhor.

Com tudo isto, é fácil perceber que hoje em dia há situações que se valorizaram para bem do consumo e do consumidor, nem poderia ser o contrário, mas muitos dos hábitos e procedimentos do antigamente perderam-se de forma irremediável e com eles muitos aspectos e valores positivos. O caso das embalagens é apenas um deles. Os restantes, as pessoas que, como eu, viveram esse período e o actual, facilmente aquilatarão.
Como remate final, posso afiançar que nessa altura da minha meninice, as famílias quase não produziam lixo. O plástico estava a aparecer mas era muito raro. As roupas eram remendadas e aproveitadas até à exaustão, pelo menos as de criança. Eram frequentes os remendos com grandes pedaços de pano de outra cor, nomeadamente as quadras na zona do traseiro e também na zona dos joelhos e cotovelos, onde se verificava maior desgaste. O mesmo acontecia com o calçado. As roupas, o calçado, os livros e muitas outras coisas transmitiam-se dos mais velhos para os mais novos. Mesmo o papel de jornal era aproveitado para diversas situações. As ferramentas, utensílios de uso diário e equipamentos eram reparados vezes sem conta. A comida, quase sempre escassa, era aproveitada ao máximo. Os restos, poucos, eram consumidos pelos animais, cães, gatos, galinhas, porcos ou vacas. Na aldeia quase toda a gente tinha este leque zoológico.
Nada era supérfluo pelo que tudo era aproveitado. Hoje em dia, algumas estatísticas apontam para uma produção de 150 quilos por mês por família. É muito lixo, como se compreenderá. É certo que se fala em reciclar, nos eco-pontos e outras coisas interessantes mas são apenas uma tentativa de minimizar o problema da sociedade actual que é a produção excessiva e desregulada de lixo.
Outros tempos, outros usos e costumes. Uns para melhor, outros para pior. É sempre assim.

17/09/2008

TV Rural - Engenheiro Sousa Veloso

 

Hoje trago à memória uma das figuras incontornáveis da história da RTP, o Engenheiro Agrónomo, Sousa Veloso, assim como o seu profícuo programa, o TV Rural.
Ambos são bastante conhecidos e populares pelo que não interessa aqui fazer uma exaustiva referência biográfica mas apenas algumas breves e merecidas notas.


O TV Rural surgiu numa altura em que a jovem RTP, a exemplo do que era norma na Europa, pretendia implementar um programa dedicado ao importante tema da agricultura no nosso país. Esta ideia teve inicialmente a parceria do Ministério da Agricultura, onde Sousa Veloso trabalhava, e principiou então um longo percurso que havia de durar 30 anos, com exibição semanal. Teve, pois, o seu início em 6 de Dezembro de 1960, vindo a terminar em 15 de Setembro de 1990, depois de mais de 1500 emissões, de 25 minutos cada, transpondo três décadas completas, marcando assim várias gerações de portugueses, de modo especial a gente da lavoura.


Nos seus programas, o Eng.º Sousa Veloso tratava, obviamente, de assuntos de interesse do mundo da agricultura, da lavoura, trazendo até a casa dos portugueses a actualidade e os problemas do sector, dos agricultores, das gentes da terra, mas também de forma técnica e instrutiva, acompanhando sempre o desenvolvimento e modernização da actividade, deveras importante num país, mais do que hoje, marcadamente rural.

As memórias de um programa como o TV Rural, que ao longo de três décadas entrou de forma pontual nos lares portugueses, deixou fortes nostalgias e recordações a todo um país. Lembro-me, por isso, de ver o TV Rural desde bem cedo, ainda nos anos 60, quando o meu saudoso avõ comprou uma das poucas televisões da aldeia. Era um dos seus programas preferidos e era com entusiasmo e pontualidade que via o Sousa Veloso, ora numa exploração de suínos, numa vacaria ou aviário, como numa exposição ou feira agrícola, num olival, seara ou pinhal. Todos eram cenários do TV Rural.

Será assim impossível apagar da memória o genérico de abertura (que foi sendo alterado ao longo do tempo), que no início era a famosa música do folclore português, "A Tirana". Recordo fortemente a cordial saudação na abertura do programa como também a famosa saudação do final ("senhores tele-espectadores despeço-me com amizade até ao próximo programa"). E, claro, está, a voz e a presença inconfundíveis do apresentador, Eng.º Sousa Veloso, com o seu ar simpático, as suas frondosas patilhas e a sua sobrancelha direita com um "remoínho".

Recordo-me do TV Rural ser exibido sempre ao Domingo, habitualmente às 14:00 horas, a seguir ao Telejornal da tarde. Creio, contudo, que na sua fase final, como que a adivinhar o último suspiro, chegou a passar ao Domingo de manhã e até tenho ideia de que passou aos sábados.

Num aproveitamento da popularidade de Sousa Veloso e do seu TV Rural, uma agência de publicidade desenvolveu há pouco tempo um spot publicitário a uma conhecida marca e produto, no caso o Compal Clássico, misturando imagens actuais e antigas com a ainda actual voz do apresentador. Apesar de ser mais um exemplo numa onda de spots com ingredientes nostálgicos, penso, contudo, que resultou bem.

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Leia aqui uma visão dos 30 anos do TV Rural pela pena do próprio Eng.º Sousa Veloso: URL

Coisas do antigamente

 

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Há dias recebi um email de uma simpática visitante, questionando-me sobre o facto de não publicar memórias e nostalgias sobre os anos mais recentes. Agradeci a questão e respondi o seguinte:

O Blogue Santa Nostalgia, modestamente, abarca sobretudo memórias pessoais e colectivas vividas nos anos, 60, 70 e 80. Embora até já tenha existido essa referência na apresentação do blogue, foi no entanto retirada, porque nâo existe um espartilho temporal assim tão rígido. É apenas um farol no mar das divagações.
Por outro lado, mesmo recordando, revivendo e partilhando (com cada vez mais visitantes) as memórias que guardo desse período, a verdade é que muitas delas têm ligações que descem a períodos anteriores como até sobem aos nossos dias, nomeadamente nos posts relacionados com o que chamo de publicidade antiga ou nostálgica, onde recordo produtos e marcas que, sendo antigas, ainda se mantêm actuais.


Não será, pois, de esperar que traga aqui como memórias e nostalgias situações referenciadas aos anos 90, pelo menos de forma recorrente. Para mim, um programa de televisão, uma música, um filme ou um produto dessa década não é assim uma nostalgia tão forte que mereça, pelo menos para já,  ser aqui trazida à memória, porque, obviamente, ainda está muito presente.


Olhando para a nossa blogosfera, abarcando os finais dos anos 80 e a década de 90, constato que há diversos espaços que exploram esse intervalo temporal. Por conseguinte, é com um sorriso que verifico que memórias dos anos 90 já são consideradas coisas do antigamente para certos bloguistas e respectivos visitantes. Nada contra, pelo contrário, mas as minhas coisas do antigamente, os meus verdes anos, e estou certo que do grosso dos visitantes do Santa Nostalgia, situam-se um pouco mais abaixo no poço do tempo. Em contrapartida, há também quem fale de coisas ainda mais antigas, para mim as mais interessantes de recordar. Essas eu não perco.

Faz, pois, sentido que a apresentação do Santa Nostalgia refira: Um espaço onde se pretende matar saudades e memórias ou até ressuscitá-las. Recordações dos tempos idos da nossa infância e juventude. Porque recordar é viver.

Ora os meus tempos de infância e juventude, já lá vão. Agora só mesmo em memórias e nostalgias. É esse o sentido do Santa Nostalgia.

16/09/2008

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Vitória Sport Club - Guimarães
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Sport Club de Espinho
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Clube de Futebol Os Belenenses
santa nostalgia_emblema_boavista fc
Boavista Futebol Club
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Associação Desportiva Sanjoanense
santa nostalgia_emblema_sc beira mar
Sport Club Beira Mar
santa nostalgia_emblema_sc farense
Sporting Club Farense

14/09/2008

Sabão Clarim - Com Clarim toca a lavar!

 

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aqui falamos do sabão Clarim e das memórias a ele associadas.

Fica aqui mais um cartaz publicitário dos anos 60, todo ele uma apologia à frescura.

A mensagem:

O Clarim é forte e é bom! A boa força branca do Clarim liberta a roupa de toda a sujidade! E deixa-a branca de neve e com bom perfume dos campos livres!...

É por isso que há cada vez mais mulheres em cada vez mais cidades do país a dizerem bem alto: "O Clarim sim! Poupa-nos a roupa, as mãos e o dinheiro!

12/09/2008

Penélope - A rapariga de cabelos compridos com chapéu.

 

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Recordo aqui uma moda, ou mesmo mania, que teve o seu início no princípio dos anos 80 (se a memória me não atraiçoa).

Trata-se do famoso autocolante da rapariga de cabelos compridos e com chapéu, e que por essa altura andava colada em tudo quanto era automóvel; Uns no vidro dianteiro, outros no posterior, ou até mesmo de lado ou até na própria chaparia.

A Penélope está representada num grafismo estilizado, quase sempre monocromático, principalmente em preto (original) mas também noutras cores e variações devido à comercialização da imagem.


Ao que parece esta moda foi importada (ou exportada) da discoteca espanhola "Penelope", da zona balnear de Benidorm. Efectivamente, esse grafismo da rapariga de cabelos compridos e com chapéu,de olhar enigmático, ainda hoje é o logotipo da famosa discoteca, que está a celebrar 40 anos de existência.
Será sempre intrigante a forma como a coisa rapidamente se espalhou, quase como uma nuvem radioactiva, para mais tendo em conta que na altura não existia a tecnologia de informação e comunicação que é a Internete, onde as modas, mitos e lendas urbanas se espalham num abrir e fechar de olhos.
Seja como for, a Penélope foi mesmo moda e mania e ainda hoje subsiste em muitos automóveis (novos e chaços).
Na altura, a quem aderia a esta moda adquirindo e fixando o autocolante da Penélope, era classificado como "azeiteiro". Penso que ainda hoje existe esta conotação.
Deste modo, seria uma injustiça que o autocolante da Penélope não figurasse nas minhas e vossas memórias e nostalgias.

Nazareth - Love Hurts

 

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"Love Hurts", no YouTube

 

Hoje quero trazer à memória uma canção que integra o portfólio das minhas recordações musicais dos idos anos de 70. Trata-se de "Love Hurts", dos NAZARETH, uma banda rock escocesa. Poder-se-ía pensar que daquelas terras altas das ilhas Britânicas apenas existissem tocadores de gaitas de foles, trajados com as tradicionais saias, as "kilts", mas não; também saíu bom rock.


Creio que já falei nisso numa memória anterior, mas recordo a romaria da minha aldeia como uma fonte de memórias musicais pois nessa altura, antes uns dias da data da festa, era montada no arraial a aparelhagem sonora, com aqueles clássicos altifalantes, a que chamavam "bocas" ou "cornetas" (1). O dono da mesma aparelhagem trazia então uma carrada de caixas com carradas de discos de vinil, singles e LP,s. Era uma alegria quando ele permitia que déssemos uma desfolhadela ao conteúdo das caixas. Então, os Nazareth, com o "Love Hurts" era presença habitual, sendo uma das músicas mais passadas.


É, pois, com nostalgia que trago à memória esta preciosidade que ainda hoje se ouve pelas rádios.
Os Nazareth, escoceses, como disse, formaram-se nos anos 60, na cidade de Dunfermline, com Dan McCafferty (vocalista), Manny Charlton (guitarrista), Pete Agnew (baixista) e Darrell Sweet (baterista).
A banda mudou-se no início dos anos 70 para Londres e foi melhorando, nomeadamente com a junção ao produtor Roger Glover, que imprimiu à banda um som mais hard. Para além de "Love Hurts", a banda teve muitos outros sucessos, tais como "Broken Down Angel" e "Bad Bad Boy". Ao nível de álbuns, merece destaque o "Hair of the Dog", de 1975.
Pode ler a história detalhada da banda no seu sítio oficial.

 

Letra da música:

Love hurts

Love hurts
love scares
love wounds and mares any heart
Not tough nor strong enough to take a lot of pain
Take a lot of pain
love is like a cloud
holds a lot of rain.
Love hurts
love hurts
I'm young I know but even so
I know a thing or two I've learned from you
I've really learned a lot
really learned a lot.
Love is like a stove
burns you when it's hot.
Love hurts
love hurts
some fools rave of happiness

Blissfulness
togetherness
some fools fool themselves
I guess

But they're not fooling me I know it isn't true

No
it isn't ture. Love is just a lie made to make you blue.
Love hurts
love hurts.

Love hurts
love scares
love wounds and mares any heart

 

(fonte: URL)

(1) o altifalante, "boca" ou "corneta", a que acima referia. Aparelhos que "vomitavam" muita da música que agora faz parte das minhas memórias e nostalgias.

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