27/09/2008

Marco - Dos Apeninos aos Andes - I


"Marco, dos Apeninos aos Andes", é uma série de animação, de produção nipónica, que passou na RTP no final dos anos 70, precisamente em 1977, encantando e emocionando crianças e adultos.
A série é composta por 52 episódios de 26 minutos cada. Teve início a 12 de Junho de 1977 e passou a ser exibido em horário nobre, às 20:30 horas dos Domingos. 
Esta série veio substituir  a "Heidi", que obteve uma enorme popularidade, daí perceber-se o seu horário, situação que seria impensável nos nossos dias com o horário nobre a ser disputado por telenovelas e reality-shows.


Genérico de abertura da série, em espanhol.

 marco_santa nostalgia_03
Marco com António, seu irmão, e Pedro, seu pai.

Sinopse - Primeira parte
Marco, de oito anos, é filho de Ana Rossi e Pedro Rossi, e irmão mais novo de António. Vivem em Itália, na parte antiga da cidade de Génova, próximo do porto marítimo.
Devido às dificuldades da vida na cidade, a exemplo de muitas mulheres italianas da época, Ana decidiu emigrar para a Argentina, para  trabalhar como criada numa casa rica, em busca de uma vida melhor, que permitisse garantir um melhor futuro para a sua família.
Quando Ana dá a conhecer a decisão a Marco, este fica destroçado e profundamente abalado e nem o seu inseparável amigo, Amédio, um macaco de pelo branco que lhe fora oferecido pelo seu irmão, o conseguia animar.

A despedida foi demasiado dolorosa para o pobre Marco e a cena do adeus no porto, com o navio a afastar-se emocionou toda a gente.
Inicialmente as coisas correm bem à mãe de Marco e esta vai escrevendo e enviando com regularidade algum dinheiro para a família.
Marco, sempre cheio de saudades, encontrava apenas algum alento nos dias em que chegavam os navios com notícias da longínqua Argentina.

image
Marco com António, seu irmão, e Pedro, seu pai.

Enquanto isso, Marco, apesar de gostar de Pedro, seu pai, não conseguira compreender o porquê deste permitir a partida da mãe. Este sentimento de revolta aumentou quando os colegas da escola faziam referência à cobardia do seu pai, por deixar assim partir uma mulher sozinha, quando devia ser ele a emigrar.
Entretanto, as dificuldades começaram pois Ana deixou de escrever e de enviar dinheiro, deixando a família em dificuldades e preocupada. Devido ao agravamento das dificuldades, Pedro, António e Marco tiveram que mudar para as águas-furtadas de uma casa mais pobre.
Desde esta fase que começa a crescer em Marco uma grande vontade de partir à procura da mãe, pelo que com a ajuda do seu amigo Emílio, começa a fazer trabalhos para juntar dinheiro numa perspectiva de fazer  a viagem para se ir juntar à mãe.
Entretanto Marco conhece o professor Pepino, o director de uma companhia ambulante, formada por si e por suas filhas Conchita, Filomena e Julieta. Filomena tornou-se na grande amiga de Marco.
Depois do conhecimento, o artista disse a Marco que iria partir para a Argentina e convidou-o a partir com ele, mas o velho estava bêbado e falou de mais, mas Marco não percebeu isso.
Ana, finalmente escreve à família e contou que estivera doente, o que deixa Marco ainda mais angustiado.

Certo dia Marco conheceu no porto um jovem marinheiro que lhe contou que aos treze anos também tinha viajado clandestinamente num navio, o que fez Marco pensar nessa hipótese, pelo que certo dia fugiu de casa e escondeu-se num navio que iria partir para a Argentina. No entanto foi descoberto e o pai, avisado, veio ao barco para o levar. Marco, porém, acabou por insistir tanto e manifestar a sua vontade que o capitão do navio teve pena dele e acedeu a transportá-lo até ao Brasil. Perante esta situação e a insitência comovida de Marco, o pai acaba por concordar.
Chegou então o momento da partida e início de uma etapa para Marco, sempre com o pensamento e os sonhos no encontro com a sua mãe. Durante a viagam, que duraria 26 dias, Marco tem que trabalhar nas mais diversas situações, mas cumprindo sempre o seu papel e fazendo muitos amigos junto da tripuação do "Folgore", nomeadamente Rocky.
No Brasil, Marco consegue transporte num barco de emigrantes também italianos, que se dirigem para a Argentina. Foi uma viagem muito difícil, num navio sem condições, com frio, calor e muita fome, pelo que Marco estava triste e deprimido, sonhando sempre com a mãe, mas com o temor de chegar demasiado tarde. Pelo meio enfrentram uma violenta tempestade que colocou o navio e todos os passageiros em perigo de vida. Felizmente nada de grave aconteceu e Marco e os seus companheiros terminaram a viagem e finalmente desembarcou na Argentina. Uma nova etapa iria começar.

image

(continua)

Marco - Dos Apeninos aos Andes - II

 

image

Sinopse: Segunda parte

A partir da sua chegada, Marco passou pela Alfândega, mas as suas dificuldades principiaram ali pois, numa confusão, roubaram-lho o pouco dinheiro que tinha. Marco principiou então uma interminável busca pela mãe, andando de terra em terra, batendo a várias portas, falando com vários contactos e referências.

Inicialmente procurou no Nº 175 da Rua das Artes, onde perguntou por um seu tio, que anos antes tinha vindo para a Argentina. Disseram-lhe que já não morava ali. Relativamente à mãe, informaram-no que deveria ter ido para Baía Branca. De seguida, sempre com peripécias e dificuldades pelo meio, Marco foi recomendado a procurar em La Boca, um local de muita imigração. Aí Marco tem a felicidade de reencontrar o professor  Pepino e as suas filhas, Conchita, Filomena, a sua grande amiga, e Julieta.

Marco pôs Pepino ao corrente de todas as suas aventuras desde que embarcara em Génova. Pepino sabendo da intenção de Marco em viajar para Baía Branca, dispô-se a levá-lo até lá, o que aconteceu. Ali conheceu um mendigo, que parecia que o conhecia e o esperava). Chamou Marco e deu-lhe a informação de que o seu tio, o Sr. Merelli já tinha falecido e que a sua mãe Ana tinha ido para Buenos Aires. Marco despede-se novamente de Pepino e sua famíia e com algum dinheiro que lhe deu o mendigo e uma carta com a indicação onde procurar, volta para Buenos Aires. Ali vai à morada indicada, um armazém. Para tristeza de Marco, informaram-no que a sua mãe já não estava em Buenos Aires e que tinha ido há já algum tempo para Córdova, com a família Mequinez.

image

Com tudo isto, Marco não chegou a saber que o mendigo em Baía Branca era afinal o seu tio Merelli, que envergonhado e com remorsos por ter  ter gasto o dinheiro que Ana lhe pedira para enviar para Génova, o tinha enganado. 

Marco conhece Frosco, um empregado do tal armazém onde procurara informações da mãe, e este com a ajuda de um colega marinheiro promete-lhe arranjar um barco que o leve a Rosário e dali a Córdova seria perto. Assim Marco embarca no Adrea Doria, navegando pelo rio Paraná, que o conduziu até Rosário.

Nesta cidade, Marco voltou a fazer perguntas , nomeadamente junto de alguns contactos que lhe tinham indicado mas ninguém sabia responder. Por sorte encontra Frederico, um emigrante que conhecera a bordo do navio na viagem entre o Brasil e a Argentina. Este ficou ao corrente das desventuras de Marco e fez um peditório junto da comunidade italiana para o ajudar a fazer a viagem até Córdova. Marco compra então o bilhete e parte de combóio para Córdova. Começou a procurar indicações sobre a presença da família Mequinez mas descobriu que esta pusera a casa à venda  e de seguida deixou a cidade sem destino conhecido.

image

Entretanto trava conhecimento com um rapaz, o Pablo, e através deste,  a sua família permite que Marco por ali ficasse uns dias. Certa vez Marco ouviu falar que nos arredores da aldeia vivia uma família chamada Mequinez, numa casa muito rica.  Marco montou um burrito e lá foi na esperança de ser o Mequinez que procurava para obter informações do paradeiro de sua mãe. Quando conseguiu chegar á fala com o Sr. Mequinez, este a princípio não se recordava mas depois confirmou que de facto conhecera a mãe de Marco, Ana Rossi. Não estava com ele, e que era criada de um seu irmão e que vivia em Tucuman. Mas como este local era muito longínquo, perante o desalento de Marco, o Sr. Mequinez deu-lhe algum dinheiro para ele fazer a viagem. 

Com esta nova esperança, Marco ficou mais alegre e optimista,. Infelizmente, de regresso à casa do amigo Pablo, Marco depara-se com a mãe deste, Joana, muito doente. Chamaram um médico e como a família era muito pobre, Marco utilizou o dinheiro recebido do Sr. Mequinez para pagar ao médico. Fez uma boa acção mas ficou sem meios que lhe permitissem fazer a longa viagem.  Pablo tentou ajudar Marco e instigou-o a esconderem-se clandestinamente dentro do combóio que partiria pra Tucuman.  Pablo foi descoberto e foi posto fora do combóio mas Marco conseguiu passar despercebido. Todavia, depois de ter percorrido 30 quilómetros foi descoberto. Apesar de Marco lhe contar os motivos, o revisor pô-lo fora do combóio.

image

Triste, desolado e longe do destino, Marco começou a caminhar ao longo da linha. Entretanto depara-se com um grupo de pessoas, numa caravana de carros de bois. Contou-lhes o sucedido e pediu-lhes para lhe darem boleia até Tucamon. Os homens acabaram por concordar mas apenas até à localidade de Santiago, que era para onde se dirigiam. Dali teria que se desenrascar. 

Assim Marco partiu com a caravana, numa viagem que durou uma semana até que chegou ao sítio onde se separou dos seus novos amigos. Mesmo assim, a bondado dos homens da caravana foi tanta que ofereceram a Marco uma velha burra para o ajudar na viagem. Esta foi demorada e difícil, com fome e sede pelo meio e a velha burra não resistiu ao esforço e à fome e morreu.  Marcou, novamente triste e desalentado, prosseguiu a viagem a pé, mas sempre com o inseparável amigo macaco Amédio, que em todas as alegrias e desventuras nunca o abandonou.

Pelo caminho Marco conhece um viajante que o informa que Tucamon fica a duas horas de viagem em passo acelerado. Marco volta a encher-se de coragem e apesar de doente e demasiado fraco, encontra forças para prosseguir o seu destino.  Mesmo assim Marco é alvo de azar, pois tropeça numa pedra e cai ferido e exausto na berma do caminho. Ainda prosseguiu, num esforço imenso, mas parou para descansar debaixo de uma árovore e acabou por adormecer, sempre sonhando com a mão.  Por felicidade, Marco, já desmaiado pela fraqueza e dor, é encontrado por um outro viajante, o Fernando, que ali passava a cavalo. Pegou-lhe ao colo e envolveu-o numa manta. Acendeu uma fogueira e fez café.  Quando Marco volta a si, Fernando pergunta-lhe o que se passou e Marco contou-lhe a sua história. Fernando entretanto tratou da ferida infectada de Marco e pôs-lhe uma ligadura com um pedaço de pano da camisa. Como Fernando se dirigia a Santiago, teve que se separar de Marco, que estava mais restabelecido e assim podia continua a viagem a pé, pois já não faltava muito para chegar a Tucamon.

Pouco depois, Marco parou junto de um ancião e perguntou-lhe se ía com boa direcção para Tucamon.  Mas o velho não respondeu pelo que Marco julgou que ele fosse surdo. Passado algum tempo veio em direcção a ele um jovem num carro, que disse ter sido enviado pelo avõ, o tal ancião a quem Marco pedira a informação e que assim se oferecia para o transportar ao seu destino, já que também tinha necessidade de lá ir levar uma mercadoria. Marco ficou feliz e fez-se amigo de Ângelo, o jovem que conhecera.

(continua)

Marco - Dos Apeninos aos Andes - III

 

marco_santa nostalgia_02

Sinopse: Terceira parte

Finalmente Marco chegou a Tucamon. Ali pediu informações sobre o irmão do Sr. Mequinez, para quem supostamente trabalhava a sua mãe, Ana Rossi. Informaram-no onde era a casa do Engenheiro Sr. Mequinez. Ali foi informado, pelo próprio senhor Mequinez e sua esposa Cristina, que Ana estava ali, mas gravemente doente e que o médico nem se atrevia a operá-la com medo que não resistisse.  Deu-se então, finalmente, o tão ansiado encontro com a sua mãe, mas em condições dramáticas. Marco, morrendo de dor, abraçou-se comovidamnete a sua mãe e esta reconheceu-o e ficou surpreendida por este ter chegado ali.

Com a ajuda e o ânimo trazido por Marco, Ana foi recuperando as forças e assim ficou preparada para a operação.  Foi, pois, para o hospital. Sempre com Marco como companhia, Ana recuperou milagrosamente e o médico anunciou a Marco que a sua mãezinha estava fora de perigo.  Atribuiu a Marco o milagre da sua recuperação, pelo que sem ele ali, Ana não teria resistido. Valeram a pena os imensos sacrifícios de Marco, desde o momento em que se separou da mãe, em Génova, até ao momento em que a encontrou prostada numa cama, doente.

image

Marco e Ana ficaram em casa dos Mequinez por uns tempos até que ficasse totalmente restabelecida.

Finalmente, um mês depois, Marco e Ana partiram de regresso para Itália. Despediram-se afectuosamente da família que os ajudara a restabelecer e pelo caminho de regresso a Buenos Aires, reencontraram muitos dos amigos que Marco conhecera durante a sua aventura, nomeadamente o professor Pepino, a amiga Filomena e suas irmãs. Finalmente o embarque de regresso a Itália. Apesar de tudo, Ana conseguira amealhar bastante dinheiro que seria suficiente para pagar as dívidas da sua família e assim iniciarem uma vida nova, repleta de esperança.

A recepção em Itália, como seria de esperar, foi feliz. Pedro ficou radiante por rever a esposa e o pequeno filho. Os negócios também corriam melhor a Pedro e António, o irmão mais velho de Marco, tornara-se um excelente engenheiro dos caminhos-de-ferro, para onde havia ido trabalhar.

Como seria de esperar, foi um final repleto de felicidade e emocionante, para toda a família Rossi e seus amigos.

Encontro de Marco com sua mãe - em espanhol

image

marco_dos apeninos aos andes_final

 

Últimos momentos da série Marco, em espanhol.

Genérico do final de cada episódio - em espanhol

marco cromos santa nostalgia

marco_santa nostalgia_01

marco_dos apeninos aos andes_2parte_santa nostalgia_01

A aventura de Marco, é pautada sempre pela tristeza, drama, sofrimento e desencontros. Há até quem lhe chame de demasiado piegas. Quem assistiu à história pela RTP, ao longo de dezenas de episódios, frequentemente choraram ou emocionaram-se. Mas, apesar de ser uma série de animação, a verdade é que Marco é uma história de coragem, preservança e amor maternal de um filho, que apesar de ser uma criança, enfrenta desafios enormes, ultrapassando obstáculos, sacrifícios e adversidades.

Marco, por tudo isso, será sempre uma série marcante entre todo o vasto conjunto de séries de animação que passaram ao longo dos tempos pela televisão, de modo especial pela RTP. Não admira, pois, que a par da série Heidi, seja uma das mais lembradas. Acima de tudo, a série representava a transmissão de um conjunto de valores humanos e éticos que hoje em dia andam muito arredados das actuais séries de animação.

O sucesso da série Marco foi explorado nos mais variados suportes, desde livros, revistas, estampagens em vestuário, bonecos, brinquedos, etç.

Entre nós, no ano de 1977, a Disvenda, com a Silna Editora e a Visão Editora, lançaram uma colecção de cromos, dividida em duas cadernetas, relativa à primeira e segunda partes da série. A primeira caderneta comporta um total de 210 cromos e a segunda parte 96 cromos.

26/09/2008

Filuminismo - Série Pelourinhos

 

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_00

Série Pelourinhos

Colecção de 30 carteiras de fósforos, da Sociedade Nacional de Fósforos - SNF - Lisboa - Anos 70.

Série filuminística muito bonita com aguarelas de alguns dos mais belos pelourinhos portugueses.

Recordo-me dos meus tempos de criança em que coleccionei esta bela série de carteiras de fósforos. Mais tarde tive o privilégio de adquirir a série em carteiras espalmadas, produzidas especialmente para coleccionadores.

Esta, como muitas outras séries filuminísticas, demonstra uma forte componente cultural, constituindo-se com um excelente documento sobre o nosso património. Filuminismo não é apenas um hobbie ou um mero passatempo mas também um importante veículo cultural.

Abaixo reproduzimos a totalidade da colecção.

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_01

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_02

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_03

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_04

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_05

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_06

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_07

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_08

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_09

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_10

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_11

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_12

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_13

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_14

pelourinhos filuminismo santa nostalgia_15

Fórum Troca Cromos - Promoção e anúncios de trocas de cromos de futebol e extra-futebol

 

image

Já está online a versão em novo domínio do popular fórum Troca Cromos, um espaço destinado ao ponto de encontro dos entusiastas e coleccionadores de cromos de futebol e extra-futebol.

O antigo espaço funcionava num domínio e alojamento de terceiros pelo que a mudança para uma casa própria promete mais funcionalidades e novas rubricas.

fonte: URL

Sítio: http://trocacromos.com/

Qual é a coisa, qual é ela? - Adivinhas

 

image

image

As adivinhas sempre exerceram um fascínio particular, tanto entre crianças como nos próprios adultos.
No meu tempo de criança, eram muito utilizadas e faziam parte dos serões da aldeia, questionadas e adivinhadas junto à lareira, após o jantar, como passatempo das longas noites de Inverno.
Particularmente, aprendi de minha bisavó materna uma série delas que, talvez pela sua simplicidade, nunca mais esqueci. Recordo que tanto eu como os meus irmãos estávamos sempre a importuná-la pendindo-lhe que nos ensinasse novas adivinhas. Com paciência e sabedoria, tal como uma côdea na algibeira, tinha sempre uma nova para ensinar.
Hoje em dia as adivinhas perderam muita da sua importância e são poucas as crianças que despertam a curiosidade por estes enigmas decorrentes da sabedoria popular. Esporadicamente são ensinadas por algumas avós, mas muito raramente pelos pais, num sinal claro que tende a perder-se a sua importância e a sua transmissão pela via oral.
Apesar disso, as adivinhas estão bem catalogadas e até há sítios onde são devidamente divulgadas, como é o caso do Citador, que possui uma boa colecção.
Mas que sabe bem recordar, sabe.

Aqui ficam algumas das adivinhas que aprendi com a minha bisavó, correspondendo simultaneamente a algumas das mais populares, como seria natural:

1
Qual é a coisa, qual é ela:
- Uma casa tem doze meninas,
Cada uma com quatro quartos,
todas elas usam meias,
mas nenhuma rompe sapatos.

2
Qual é a coisa, qual é ela:
- Altos castelos, verdes e amarelos?

3
Qual é a coisa, qual é ela:
- Verde foi meu nascimento,
e de luto me vesti,
para dar a luz ao mundo,
mil tormentos padeci?

4
Qual é a coisa, qual é ela:
- Negros são meus trajes,
duro é o meu coração;
com as gotas do meu sangue
as trevas fugindo vão.

5
Qual é a coisa, qual é ela:
- Uma senhorinha muito ensonhorada,
nunca saí à rua mas anda sempre molhada?

6
Qual é a coisa, qual é ela:
- Que mal chega a casa
põe-se logo à janela?

7
Qual é a coisa, qual é ela:
- Uma árvore com doze raminhos,
cada raminho com seu ninho,
cada ninho com trinta pássarinhos?

8
Qual é a coisa, qual é ela:
- Sete filhos tem uma dama,
deles, seis trabalham com labor,
de manhã até à noite,
reza o sétimo ao senhor.

9
Qual é a coisa, qual é ela:
- Tenho um tio que é meu tio;
o meu tio tem um irmão;
o meu tio é meu tio;
e o irmão do meu tio não?

10
Qual é a coisa, qual é ela:
- À meia-noite se levanta o francês,
sabe das horas mas não sabe do mês,
usa esporas e não é cavaleiro,
tem serra mas não é carpinteiro,
usa picão mas não é pedreiro,
cava no chão e não acha dinheiro.

11
Qual é a coisa, qual é ela:
-Alto está, alto mora,
todos o vêem, mas ninguém o adora?

12
Qual é a coisa, qual é ela:
- Do tamanho de uma pulga,
Deita orelhas como uma burra?

13
Qual é a coisa, qual é ela:
-Pequenina como abelha,
enche a casa até à telha?

14
Qual é a coisa, qual é ela:
- Tem dentes mas não come,
tem barbas e não é homem?

15
Qual é a coisa, qual é ela:
- Sou ave, mas sem penas,
e capa de ovelha me cobre;
sou criada numa árvore,
Coitadinha, sou tão pobre?

16
Qual é a coisa, qual é ela:
- Nasci em verdes campos,
Vestidas por verdes laços,
Quem mais chora por mim,
É quem me faz em pedaços.

17
Qual é a coisa, qual é ela:
- Dentes de pau,
no chão se arreda,
por fora é mau,
por dentro é seda?

SOLUÇÔES:

1
R: Relógio e as horas

2
R: Laranjeira

3
R: Azeitona

4
R: Azeitona

5
R: Língua

6
R: Botão

7
R: Ano

8
R: Dias da semana

9
R: Pai

10
R: Galo

11
R: Sino na torre

12
R: semente de couve

13
R: Luz da candeia

14
R: Alho

15
R: Avelã

16
R: Cebola

17
R: Ouriço do castanheiro

25/09/2008

Fósforos Pátria

 

fosforos patria santa nostalgia

Antigo postal publicitário aos velhinhos fósforos Pátria. Recordo-me em criança de ver estas caixas de fósforos, ainda produzidas em folha de madeira, sempre presentes junto ao pial da lareira, uma espécia de bancada de pedra, negra do fumo, na casa do meu avõ paterno, um dos grandes lavradores da aldeia.

A palavra fósforo, tem origem nos termos gregos phos (luz) e phóros (que conduz), traduzindo-se naquele que traz a luz.

A origem dos fósforos remonta a meados de séc. XVII, mais concretamente em 1669, quando Henning Brand, um alquimista alemão descobriu acidentalmente uma susbtância proveniente da urina humana que depois de seca brilhava no escuro para além de arder com intensidade.

Leia na Wikipédia a história mais detalhada do percurso da descoberta deste simples mas importante produto.

É certo que nos nossos dias os fósforos são menos utilizados, devido em grande parte à sua substituição por isqueiros, tanto na utilização por fumadores como no lar. Jà não se acende o fogão com fósforos mas com isqueiros adaptados e até os modernos fogões dispõem de sistemas de auto-acendimento. No entanto, no passado, relativamente recente, os fósforos, em caixas ou em carteiras, em palitos de madeira ou em rolinhos de papel encerado, eram presença constante nas casas mas também nos bolsos dos fumadores.

Por arrasto da mudança de hábitos de consumo, as grandes e importantes fábricas fosforeiras portugueses, que produziram durante décadas autênticos objectos de colecção, que alimentaram o filuminismo, acabaram por entrar em decadência e encerrar. Hoje a produção de fósforos já não tem a importância económica de outrora e quase não se produzem peças com valor filuminístico.

23/09/2008

Memórias do tempo de outros tempos

 

imagens: URL

geada santa nostalgia

Entrámos ontem na estação do Outono. Por cá choveu e o céu esteve cinzento, mas apesar disso até esteve bastante quente, ainda sinal do efeito da forte trovoada que se fizera sentir na véspera.

Seja como for, e apesar das estações do ano estarem nitidamente a perder as suas características, levando até alguns entendidos a prognosticarem que no futuro haverá apenas duas estações, a estação das chuvas e a estação seca, a verdade é que a partir daqui já não se podem esperar os quentinhos dias de Verão, as idas à praia, os piqueniques sob deliciosas sombras ou longas noites na esplanada. Os dias já estão mais curtos e depois da habitual mudança para a hora de Inverno, no último Domingo de Outubro, vamos entrar em mais um ciclo de seis meses de adormecimento, repletos de dias tristonhos e enfarruscados, tão característicos do Outono e Inverno.

Neste constante marchar do ciclo da vida, do tempo e das estações, não tardam as primeiras geadas e com elas o tempo frio de rachar.

Recuando no tempo, até aos meus tempos de escola primária, não tenho dúvidas de que nessa altura as estações tinham mais personalidade, eram mais vincadas, pelo que o Inverno era mesmo rigoroso, com muitas chuvas, muitos ventos e muita geada e o Verão era mesmo quente. Era muito normal não se registar qualquer precipitação durante os meses de Junho, Julho e Agosto. Até mesmo Setembro era muito quente. A este respeito recordo que o povo da aldeia organizava a reza do terço na capela do largo, pedindo aos Deus e aos Santos que os contemplasse com a generosa oferta da chuva, tão precisa às pessoas, aos animais e às plantações nos campos, onde a batata queimava e o milho definhava. A diferença entre a chuva e a seca poderia resultar numa colheita abundante ou num acrescento de miséria à habitual pobreza das pessoas da aldeia.

Opostamente, durante os rigores do senhor Inverno, as rezas eram no sentido de parar o excesso de chuva de modo a permitir alimentar o gado, fazer o trabalho nos campos e nos pinhais. Por vezes chovia copiosamente durante vários dias seguidos e as mulheres nem sequer podiam ir à horta colher uma folha de couve para preparar o caldo da janta. Os caminhos andavam sempre alagados e os regatos e a ribeira da aldeia abandonavam os leitos e alagavam as margens, arrastando as medas de palha e as moreias de cana de milho, entupindo levadas e regueiros. Os ventos sempre fortes arrancavam as árvores e destapavam os frágeis telhados das casas. Recordo que no largo da aldeia, mesmo defronte da escola, existiam umas frondosas mimosas, e quase todos os anos uma delas sucumbia à fúria do vento. Claro que para a pequenada era uma alegria, brincando por entre um emaranhado de ramos e folhas da árvore caída. Tudo era pretexto para brincadeira.

Quanto ao tempo de geada, quando acontecia durava longos dias e os terrenos ficam encascados, duros de noite e enlameados de dia. Hoje em dia, de modo geral, as escolas têm alguma climatização e as próprias crianças dispõem de boas roupas adequadas ao tempo de chuva e de geada, mas no meu tempo de criança não era bem assim. As roupas eram escassas e pobres, o calçado fraco e roto e as escolas, aquele modelo clássico do Estado Novo, eram frias. Tinham até uma tradicional lareira mas muito raramente eram acendidas. No meu caso, apesar de invernos rigorosos de frio e chuva, nunca vi acenderem uma fogueira na lareira da sala de aulas. Por um lado não havia lenha e por outro a escola dessa altura não tinha pessoal auxiliar como agora pelo que as tarefas básicas de limpeza, da sala, do recreio e das retretes, eram realizadas pelos próprios alunos.

Ora nos tempos de geada, o truque para aquecer as mãos, para além do tradicional jogo da sardinha, que noutra altura desenvolverei, era aquecer em casa, no borralho da fogueira, uma pedra do tamanho de uma maçã. Esta era depois embrulhada em papel de jornal e levada para a escola no bolso. Enquanto durava o calor da pedra as mãos andavam quentes, mas esta situação nem sempre era tolerada pelas professoras, que não permitiam distracções com o constante aquecimento.

Também no terreiro exterior ao recreio, era frequente a criançada acender fogueiras para se aquecerem, aproveitando restos de lenha dos pinhais próximos. Muitas vezes queimava-se um simples jornal.

Claro que por vezes a brincadeira acabava a enfarruscarem-se uns aos outros com os carvões e a cinza. Depois, já na sala de aula, a professora completava o aquecimento com umas valentes bolachadas aplicadas nas mãos dos brincalhões.

Bons tempos, boas recordações, mas com alguma amargura misturada pelas dificuldades próprias dos rigores do tempo, das professoras e da própria pobreza da maioria das crianças e suas famílias.

Mesmo assim, sabe bem recordar estas consequências do tempo de outros tempos.

22/09/2008

Cromos soltos - Cromos de caramelos

 

caramelos_cromos soltos_santa nostalgia_jose carlos_sporting

caramelos_cromos soltos_santa nostalgia_torres_benfica

caramelos_cromos soltos_santa nostalgia_atraca_fcporto

caramelos_cromos soltos_santa nostalgia_vicente_belenenses

caramelos_cromos soltos_santa nostalgia_abdul_beira mar

caramelos_cromos soltos_santa nostalgia_abdul_voronin russia

caramelos_cromos soltos_santa nostalgia_pelo brasil

caderneta de cromos de caramelos santa nostalgia

Na rubrica Cromos Soltos, hoje damos à estampa  7 cromos de caramelos, incluindo o mítico Pélé, extraídos da caderneta "Desfile dos Famosos Futebolistas Mundiais", uma edição da Carsel, do longínquo ano de 1966, da qual, na imagem de baixo, reproduzimos a respectiva capa.

Para além da representação das equipas do campeonato nacional de futebol, daquela época, a caderneta tinha uma mais valia com a representação de várias selecções. Para além da selecção portuguesa, estão representadas as selecções nacionais da Bulgária, Jugoslávia, Argentina, Hungria, Checoslováquia, Rússia, Alemanha Ocidental, Espanha, Suiça, Chile, Uruguai, Colômbia, México e Brasil. Desconhecemos o critério da escolha das selecções, mas de destacar a ausência de grandes selecções como a Inglaterra (para mais como organizadora do Campeonato do Mundo de 66), a Itália e a França.

Tal como todas as cadernetas de cromos de caramelos, esta caderneta da Carsel é extremamente rara.

21/09/2008

Melhoral - Pastilhas milagrosas

publicidade antiga_santa nostalgia_melhoral_01

publicidade antiga_santa nostalgia_melhoral_02

pastilhas melhoral santa nostalgia 02

pastilhas melhoral santa nostalgia

Melhoral Infantil



Hoje trago à memória as pastilhas Melhoral.

Este medicamento ainda hoje é muito popular. Há várias décadas que faz parte da farmácia da maior parte das famílias portuguesas. Tal como a Aspirina, da Bayer, a Melhoral é um medicamento cujo princípio activo é o ácido acetilsalicílico.

No cartaz de cima, dos anos 60, refere-se "Melhoral. Um medicamento de longas tradições, registado na Direcção Geral de Saúde". Tem, de facto, muitos anos no nosso país.
Recordo-me dos meus tempos de criança e da presença constante do Melhoral na prateleira do armário da cozinha. Ao primeiro sintoma de uma indisposição, uma dor de cabaça, dor de dentes e ouvidos, mau-estar geral e sinais de constipação ou gripe, a médica da casa, a minha mãe, sacava do Melhoral e este entrava em acção como remédio milagroso. Depois o cumprimento da famosa recomendação "avinha-te, abifa-te e abafa-te", completava o resto do tratamento.

Nessa altura as idas ao médico eram extremamente raras, apenas em casos graves e só ao fim de vários dias de tratamento infrutífero  a Melhoral. Para além das idas às vacinas, não me recordo de ir ao médico antes dos 16 anos. Com os meus sete irmãos foi mais ou menos igual.

Hoje em dia, ao mínimo sinal de tosse e febre, os pais vão a correr com os meninos para a urgência dos centros de Saúde e dos hospitais, mas no meu tempo de criança, o remédio era mesmo o Melhoral Infantil, uma versão menos potente e com o sabor a laranja. As respectivas pastilhas era mais pequenas e tinham uma cor alaranjada. É verdade que a princípio as pastilhas sabiam mesmo a laranja, mas se estivesse muito tempo na boca, à laia de rebuçado, o sabor tornava-se sintético e bastante amargo.

Pesquisado a origem das pastilhas Melhoral, os resultados não foram muito esclarecedores. Pelo que li, fiquei com a ideia de que existem vários fabricantes, mas, em verdade, desconheço qual a empresa detentora da marca.
No Brasil a mesma é produzida pela Dorsay Monange. Quanto ao Melhoral Infantil, em Espanha é produzido pela Sterling Health e no Brasil pela Sydney Ross. Pessoalmente, pelo que me recordo, a marca pertencerá à Sterling e em Portugal será fabricada pela Sterling Produtos Farmacêuticos Lda. Será que alguém dispõe de informações concretas quanto a este aspecto?

Independentemente da questão quanto à origem e propriedade da marca, a verdade é que as pastilhas Melhoral e Melhoral Infantil fazem parte das nossas memórias e ainda por cima daqueles piores momentos, associados à doença, mas mesmo reconhecendo que não fazia milagres, parecia, contudo, ser um remédio eficaz para aquelas situações ligeiras e que para as quais era recomendado. É assim justo que o Melhoral seja recordado como um dos companheiros dos nossos maus momentos infanto-juvenis.