19/11/2008

Brindes dos cromos de caramelos

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Hoje trago à memória os famosos brindes que eram oferecidos pelos cromos de caramelos. Para além do próprio invólucro, que era o cromo, e que alimentava as nossas colecções, compostas pelos nossos ídolos, através de senhas eram oferecidos diversos outros brindes, habitualmente na forma de brinquedos, incluindo as tão desejadas bolas de borracha.Como se compreenderá, os brinquedos nessa altura eram relativamente caros e não estavam ao alcance de qualquer carteira, pelo que os brindes dos cromos de caramelos eram assim uma oportunidade rara de se poder aceder a um brinquedo. 
 
O famoso cromo carimbado, uma autêntica raridade, habitualmente dava direito a uma bola maior e de melhor qualidade, por vezes de cautchu, que depois servia para renhidos jogos de futebol entre a rapaziado no largo da aldeia.
É verdade que hoje a paixão pelos cromos continua, mas tudo é diferente. Compram-se as saquetas, mas para além dos cromos em si, nem rebuçado, nem brinde...nem deslumbramento.

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Numa próxima oportunidade publicaremos outra sequência de imagens desses saudosos brindes dos cromos de caramelos, hoje autênticas raridades e outrora a delícia da rapaziada.

13/11/2008

Chicles MAY - O chicle da juventude

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Quem se recorda das famosas Chicles da May Portuguesa?
Hoje dizemos chicletes, mas no final dos anos 60 e princípios de 70, o termo era chicles ou mesmo pastilhas elásticas. Conforme se pode ver na imagem imediatamente acima a descrição até era a de "goma de mascar" e no inglês "chewing-gum".
As chicles da May eram de facto excelentes, pela sua elasticidade, sabor e, acima de tudo, o aroma inesquecível.

Para além do mais, as chicles da May tinham outra importante mais-valia, que eram as suas colecções de cromos de futebol, editadas pela Agência Portuguesa de Revistas. Sob a alçada da May, nesse período foram editados vários álbuns, com cromos de grande tamanho, tanto no formato de corpo inteiro como a meio-corpo. Para além do tema de futebol, a May também fez editar colecções com outros temas. Pessoalmente recordo-me da "Hippy" e "Os segredos do mar".

Tanto os cromos como os álbuns, actualmente são extremamente raros e valiosos, sendo, a par dos cromos de caramelos, um dos artigos mais procurados e desejados pelos coleccionistas.
Como não podia deixar de ser, nessa altura, fartei-me de coleccionar cromos da May e por arrasto, saborear as deliciosas chicles.

Com o tempo, e as suas vicissitudes, a maior parte dos cromos perdeu-se ou foi pasto de algumas fogueiras ateadas pela ira maternal. Naquele tempo era assim: Primeiro o trabalho, as obrigações e só depois a brincadeira e lazer. Mesmo assim guardo alguns exemplares e, acredite-se, ainda estão impregnados desse inconfundível aroma das chicles.
Que santa nostalgia!

11/11/2008

Os canhões de Navarone

 

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Ontem, Segunda-Feira, a RTP Memória exibiu um dos míticos filmes de guerra, exactamente "Os canhões de Navarone" - The guns of Navarone", no orginal.
Trata-se de um filme realizado em 1961, com um elenco de luxo, encabeçado pelo trio Gregory Peck (Capitão Keith Mallory)
David Niven (Cabo Miller) e Anthony Quinn (Coronel Andrea Stavros).

Sinopse: Fonte: Wikipédia

Em 1943, 2.000 soldados britânicos estão encurralados na Ilha de Kheros, pertencente à Turquia que ainda não entrou na guerra mas está sendo pressionada pelos alemães. Nao podem ser resgatados pela Marinha em função de dois enormes canhões nazistas construídos na escarpada ilha grega de Navarone.

Os aliados resolvem montar uma expedição secreta, para dinamitar os canhões. Liderada pelo valente Major Roy Franklin, que convence o Capt. Keith Mallory, um grande alpinista antes da guerra e que fala várias línguas, a levar um grupo de homens para escalar a encosta e explodir as armas. Faz parte da expedição um grego, Andrea Stavros, que lutou ao lado do Capitão mas o culpa pela morte da família e o jurou de morte para quando a guerra acabar. O cabo Miller, amigo de Franklin, é o perito em explosivos. Outros membros do grupo são assassinos treinados em corpo-a-corpo e mecânico de navios.

Depois de uma violenta tempestade, Franklin é ferido e tem uma perna gangrenada. Mallory assume o comando, sob a desconfiança de Miller, que acha que o capitão quer se livrar de Franklin, que estaria dificultando o alcance do já incerto êxito da missão.

 

A RTP Memória tem cumprido excelentemente o seu papel, nomeadamente, e de modo especial, na exibição de séries de culto dos anos 60, bem como grandes filmes dessa época, de que "Os Canhões de Navarone" é um exemplo.
Como não podia deixar de ser, este canal da RTP é uma boa fonte de memórias e nostalgias. Pena que, para a maioria, não esteja disponível em sinal aberto.

05/11/2008

Memórias revisitadas - Séries TV


Séries TV - Memórias por aqui publicadas:



01/11/2008

A Flecha Negra - La Freccia Nera

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Depois de no último artigo falarmos de uma fantástica série de televisão, As Aventuras de Robin Hood, que faz parte das minhas imensas recordações, memórias e nostalgias dos tempos de criança, aproveito a mesma onda para trazer à memória outra inesquecível série de TV, sensivelmente da mesma época, chamada de A Flecha Negra, no original, La Freccia Nera.

Tal como o título original revela, a série foi uma produção italiana, da RAI, com realização do conhecido Anton Giulio Majano, entre 1968 e 1969. A série constava de sete episódios, a preto-e-branco, com cerca de 60 minutos cada. Na RTP passou pouco tempo depois. Não consigo recordar o dia da sua exibição, mas creio que aos domingos.
La Freccia Nera, no inglês The Black Arrow, é uma adaptação do popular romance de  Robert Louis Stevenson, o mesmo autor de A Ilha do Tesouro, e tem sido argumento de vários versões para cinema e televisão.
A história de A Flecha Negra passa-se no séc. XV, na Inglaterra, por altura da famosa Guerra das Duas Rosas, entre duas grandes facções com pretensões dinásticas, protagonizadas pelas casas de York (rosa vermelha) e Lancaster (rosa branca).

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Em traços gerais, a história deriva à volta da epopeia de Richard (Dick) Shelton e a bela e rebelde Joan Sedley. Esta, para fugir a um casamento indesejado, com Dick Shelton, que não conhece, corta o cabelo, difarça-se com roupas e maneiras de rapaz e foge do castelo. Todavia, a história vai dar algumas voltas e Joan acaba por se envolver com o próprio jovem Dick, que desconhece a verdadeira identidade do falso rapaz, que se dá a conhecer pelo nome de John. Dick acaba por ajudar a fuga da Joan e ambos juntam-se ao bando do Flecha Negra, ambos combatendo as maldades do mauzão Sir Daniel Barcley.

Joan aos poucos vai conhecendo Dick, nas suas verdadeiras intenções e nobreza de carácter e assim acaba por se apaixonar por ele. Só quase no final da história é que revela a sua identidade, perante a surpresa de Dick Shelton e, claro, acabam por se casar.
Para além desta trama principal, toda a envolvência da história é repleta de situações típicas do séc. XV, tal como em Robin Hood, com lutas, batalhas, perseguições, traições, passagens secretas, castelos, lutas de espada, etç.

Principais personagens e intérpretes:
Dick Shelton - Aldo Reggiani
Joan Sedley - Loretta Goggi
Sir Oliver - Tino Bianchi
Duke of Gloucester - Adalberto Maria Merli
Sir Daniel Barcley - Arnoldo Foà
Randolph - Egisto Marcucci
Tal como Robin Hood, esta séria foi particularmente inspirativa para as nossas brincadeiras e aventuras de capa e espada. Para além do mais, a bela Joan deve ter sido das nossas primeiras paixões assolapadas. Logo depois a paixão mudou-se para a bela Marion des Neiges, na série Os Pequenos Vagabundos (Les Galapiats).
É, pois, com imensa nostalgia, que trago à memória esta fantástica e inesquecível série de TV, que convosco, crianças e jovens dessa época, pretendo partilhar.


- Um dos bons momentos da série, com a sua famosa música, que se tornou inesquecível nas nossas memórias.

La Freccia Nera (fonte: URL)
La la la larala lala laralalala laralalalala,
la la la larala lala laralalala laralalalala.


Sibila il vento la notte si appresta
e la cupa foresta minacciosa si fa.
Il passo trema se senti un fruscio,
forse è il segno d'addio che la vita ti dà. 


Lascia la spada se il cuor non ti regge,
perché questa è la spada
che da noi fuorilegge e ti porterà.

La la la larala lala laralalala laralalalala,
la la la larala lala laralalala laralalalala.

La freccia nera fischiando si scaglia,
è la sporca canaglia che il saluto ti dà.
Vieni fratello è questa la gente,
che val meno di niente, perché niente non ha.


Ma se il destino rovescia il suo gioco,
nascerà nel mattino una freccia di fuoco
e la libertà.

La la la larala lala laralalala laralalalala,
la la la larala lala laralalala laralalalala.

La freccia nera fischiando si scaglia,
è la sporca canaglia che il saluto ti dà.
Vieni fratello è questa la gente,
che val meno di niente, perché niente non ha.

31/10/2008

As aventuras de Robin Hood

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Uma das séries de TV que mais recordações me deixou, enquanto criança, foi sem dúvida As Aventuras de Robin Hood, no original The Adventures of Robin Hood, entre nós conhecido como Robin dos Bosques.

A série é de origem inglesa, produzida nos anos 50 pela ITV. Desenrolou-se ao longo de quatro temporadas, com um total de 143 episódios.
Na ITV foi para o ar entre 1955 e 1960 e quase em simultâneo na CBS americana entre 1955 e 1959.

Na RTP, passou a preto-e-branco, no final dos anos 60. Recordo-me que durante muito tempo era exibida aos domingos, por volta das 13:30 horas. Este horário era complicado para mim e para os meus colegas, pois o seu final (cada episódio demorava cerca de 25/30 minutos) coincidia sensivelmente com o início da aula de catequese. Por isso, não raras vezes, chegávamos ligeiramente atrasados mesmo depois de uma valente corrida (a igreja ficava distanciada de casa cerca de 1Km). Escusado será dizer que esta série era motivo de inspiração para muitas das nossas brincadeiras.

O papel principal, de Robin Hood, era protagonizado pelo actor Richard Green. Alguns dos personagens principais, como Lady Marian, João Pequeno e Will Scarlet foram, ao longo das quatro temporadas, interpretados por diferentes actores.
A trama dos episódios decorria dentro da história e lenda atribuída a Robin Hood, ou Robin dos Bosques, suficientemente conhecida de todos já que é um dos heróis mais conhecidos e popularizados, tanto na televisão como no cinema, na literatura e banda desenhada.

No entanto, relembra-se que a história decorre na Inglaterra, na Idade Média, ao tempo do reinado do Rei Ricardo. Este encontra-se ausente em combate nas Cruzadas, pelo que em seu lugar fica a reinar o Príncipe João. Este governa com impiedosa mão-de-ferro, tendo em conta apenas o seu interesse e dos seus correligionários, nomeadamente o Sheriff of Nottingham, com quem Robin luta constantemente, impondo ao povo elevados impostos.

Para combater esta injustiça e crueldade do substituto do rei e do Sheriff de Nottingham , Robin Hood lidera um famoso bando de foras-da-lei, escondidos na impenetrável floresta de Sherwodd, roubando aos ricos, quase sempre ao rei e seus comparsas, para distribuir pelos pobres e desfavorecidos.

Robin Hood conta com grandes companheiros de luta, tal como o forte João Pequeno, o glutão Frei Tuck, Will Scarlet, entre outros. Depois, em cada episódio, o namoro e romance de Robin Hood com a bela Lady Marian é tónica presente e quase sempre motivo de encrencas para Robin e seu bando.
Cada episódio está recheado de perseguições a cavalo, lutas entre Saxões e Normandos, lutas com escudo e espada, torneios com arco e flechas, visitas ao castelo, e todo um conjunto de situações características desse tempo da Idade Média.

Soube bem recordar esta série de televisão.

Consulte no link abaixo um excelente sítio sobre esta série, de onde extraímos algumas fotos:

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29/10/2008

O Fugitivo - Série TV

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“O Fugitivo” é uma série policial produzida nos anos sessenta, que narra a história de um médico, Dr. Richard Kimble, injustamente acusado do assassínio da sua mulher.
A sua única pista: um homem com um só braço. Um homem que só ele pode identificar.
Perseguido pelo impiedoso agente da polícia Philip Gerard, que acredita na culpabilidade de Kimble, este tem apenas um caminho para poder sobreviver: encontrar o homem que matou a sua mulher...
fonte: RTP Memória
Está a passar na RTP Memória a série "O Fugitivo", uma produção dos anos 60 e que entre nós obteve assinalável êxito quando passou na RTP no final dos anos sessenta. É agora uma excelente oportunidade para rever.

"The Fugitive", no original, teve 120 episódios, tendo sido exibida nos Estados Unidos pela cadeia ABC, entre Setembro de 1963 e Agosto de 1967, ao longo de quatro temporadas. As primeiras três temporadas foram produzidas a preto-e-branco e a última a cores. Em Portugal, na RTP, passou totalmente a preot-e-branco. As principais figuras da séria: David Janssen, no papel do Dr. Richard Kimble e Barry Morse (que também participou na série Espaço 1999) no papel do tenente Philip Gerard, o implacável e persistente perseguidor do Dr. Kimble. Ainda Bill Raisch , no papel do assassino, Fred Johnson - O Homem com um só braço e Jacqueline Scott no papel de Taft. Ao longo dos muitos episódios, a série teve a participação especial e esporádica de muitos nomes prestigiados do cinema e televisão.

As série, devido ao seu êxito, viria a ter uma versão em filme, em 1993, com Harrison Ford no papel do Dr. Richard Kimble e em 2000 uma versão, em série, com Tim Daly no papel principal. Esta versão teve apenas uma temporada e foi exibida na CBS.

Pessoalmente recordo-me de assistir à maior parte da série. Penso que o seu excessivo número de episódios contribuiu para algum desligamento já que obrigava a uma rotina de acompanhamento muito semelhante às actuais novelas, para não se perder o fio à meada. No entanto, do que consigo recordar-me, muitos episódios tinham uma estrutura própria, quase independente, pelo que a sequência e interligação da trama e dos acontecimentos muitas vezes não era muito notória; isto é, mesmo que se perdessem alguns episódios não se perdia o essencial da história. Tal como as modernas novelas, os espectadores ansiavam pelo climax, pelo final.

Apesar de tudo, desse desligamento esporádico, a série "O Fugitivo" foi uma das mais marcantes da nossa televisão e como tal tinha que figurar muito justamente aqui nestas memórias e nostalgias.

27/10/2008

Sabonete Rexina - Há sempre lugar para mais um...

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Hoje trago à memória um sabonete que sempre foi muito popular entre nós, os portugueses, o Rexina. Já aqui havia falado de um outro sabonete, talvez ainda mais popular, o sabonete LUX.

Curiosamente, o Rexina, sabonete desodorizante,  em muitos outros países, nomeadamente no Brasil, era conhecido como Rexona. Vá lá entender-se estas coisas do marketing. Em jeito de brincadeira, só pode ser, há quem diga que a alteração do nome teve a ver com o facto de Rexona se prestar entre nós a "bocas foleiras" com rima inconveniente e brejeira. Adivinhem...

Confesso que apesar de tudo apenas usei o Rexina uma ou outra vez. Em rigor, até nunca fui muito de usar sabonetes, e preferia mesmo o sabão, tanto nas conhecidas variedades azul e branco (muito bom contra a caspa) bem como o sabão macaco e o sabão rosa. Recordo-me a este propósito dos sabões, que os mesmos eram vendidos  em barras entre 40 a 50 cm de comprimento, embrulhadas em papel de jornal. Havia também quem comprasse ao peso pelo que o merceeiro usava uma grande facalhona para fraccionar a barra.

Por sua vez, em casa, esse bocado de barra ainda era mais fraccionado, mais ou menos no tamanho dos sabonetes, de forma a tornarem-se manuseáveis. Claro que nos primeiros dias de uso, era algo inconveniente, com as arestas demasiado vincadas. Depois, com o uso, o bocado de sabão tornava-se num autêntico sabonete, macio e arredondado, apenas, por norma, menos bem cheiroso. Neste aspecto, o Clarim, era dos mais perfumados.

Recordo-me que, por vezes, ao usar o sabão num tanque, ele lá escapava fugidio por entre os dedos e ía parar ao fundo. A solução era arregaçar a manga até ao sovaco e mergular o braço na água fria à procura do raio do sabão.
Dos sabonetes, o que mais usei, ainda em rapazola adolescente, já perto dos 18 anos, era o Feno de Portugal, que em próxima ocasião falarei mais detalhadamente. Ainda agora parece que estou a sentir o agradável aroma do Feno de Portugal debaixo de uma camisa lavada. A namorada adorava....

Ao Rexina, ficou popularizada a publicidade cujo slogan era, "Há sempre lugar para mais um.". Entendia eu que esse "mais um" teria que ser alguém, jovem, bonito(a) e a cheirar bem, a Rexina, claro.
O Rexina, ou o homónimo Rexona, é um produto da multinacional Unilever, e foi lançado no final dos anos 60.

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Cartaz publicitário com a versão Rexona.


Velho anúncio da promoção dos sabonetes Rexina, que ofereciam suportes para sabonetes, daqueles tipo ventosa, em borracha, e que ainda hoje se vêem à venda.

23/10/2008

Domingo de Outono

 

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DOMINGO DE OUTONO

Voltei a subir aos montes da minha infância
E percorri velhos caminhos,
Trilhos de sombras e murmúrios das águas.

A brisa dos meus passos quando menino,
Afagou de leve o meus rosto de homem,
Deixando neblina na forma de lágrimas.

Calcorreei tojo, silvados e subi ao velho carvalho,
Brinquei às escondidas na sua gasta folhagem
Tão quente como as suas cores.

Ouvi os gracejos do melro preto
E avistei o pisco de peito ruivo.

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É de facto uma emoção redobrada e sentida, sempre que percorremos caminhos e lugares que noutros tempos foram palcos das nossas brincadeiras de criança. A distância do tempo ajuda a sedimentar essa emoção e nostalgia.


Este local a que me refiro, neste meu simples poema, uma espécie de paraíso perdido, no fundo da minha aldeia, todo ele emana memórias e recordações: Os caminhos, os campos, os pinhais, a  ribeira, as nascentes de água, a represa, o moinho de água, as levadas, os velhos carvalhos, os castanheiros, as cerejeiras e macieiras, os melros, os piscos, os cucos, as poupas, as rolas, os pombos, os seus ninhos e seus chilreios, são elementos inesquecíveis e que, apesar dos anos e do aspecto de abandonado, permanecem ali, como que a convidar ao regresso, ao trabalho duro do campo, é certo, mas também às folias, aos jogos, às escondidas, ao apanha, ao nadar na represa de água tão fria quanto límpida e à construção das cabanas num renque de árvores.

Mas não...Há por ali um sentimento de mera nostalgia e ao mesmo tempo um sentimento de comoção por algo que se perdeu e apenas revive na memória. A morte do local, desse pequeno paraíso, é irreversível quanto a impiedosa abertura de uma nova auto-estrada, que inexoravelmente vai rasgar aquelas entranhas, bem por cima da represa, bem por cima do moinho, bem por cima das nossas mais puras recordações.


Mas a memória tem o dom e o condão de ressuscitar esses momentos, de condensar esses istantes, esses lugares e como tal viverão dentro de nós para sempre. As fotografias que fui colhendo vão dar uma ajuda.