29/05/2019

Erva de S. Roberto



A Erva de S. Roberto é uma planta relativamente vulgar e que cresce espontaneamente por todo o país, de modo especial em campos, cômoros, muros de pedra e bermas de caminhos. É caracterizada pelos seus caules vermelhos, pequenas flores lilás e um aroma acre, forte e pouco agradável.
Sendo bastante vulgar, é uma planta há muito conhecida pelas suas fantásticas propriedades medicinais, sendo indicada sobretudo para inflamações, problemas na boca, como aftas, úlceras, hemorragias, hemorróides, cálculo dos rins, nefrite, infecções ao nível dos olhos, gastrites e muitas outras. 

Esta erva é por conseguinte muito abundante na minha aldeia e desde há muitos anos que conheço as suas propriedades e indicações.
A Erva de S. Roberto, também conhecida por Bico-de-Cegonha (no Brasil) e Erva Roberta, entre outros nomes, estava sempre disponível na "farmácia da minha bisavó, profunda conhecedora de tudo quanto era erva medicinal. Colhia-a na fase madura, quando já tinha florido e as suas folhas e caules adquiriam uma cor avermelhada. Depois de seca em local sombrio, era utilizada na preparação de chãs.

Mais do que pelas características de erva medicinal, recordo esta planta sobretudo pelas suas sementes características em forma de espigão, ou até mesmo de espermatozóides gigantes. Quando maduras uma vez separadas cada uma das sementes do invólucro, os respectivos chicotes retorcem-se ao calor do sol. Por esse motivo, as crianças do meu tempo costumavam espetar na roupa esses espigões para os ver a retorcer ao sol, a encaracolar sobre si. Quando isto acontecia, dizíamos uma pequena lenga-lenga: "Serafim torce torce! Serafim torce, torce!" 
É claro que ignoro a origem desta brincadeira mas sei que era muito conhecida por todas as crianças do meu tempo. As ervas, essas por esta altura do ano povoam a traseira do meu quintal entre cidreira e menta.

[Nota: Artigo em reposição, publicado no Santa Nostalgia há dez anos, em 29/05/2009]

10/05/2019

D´Argy - 18 anos até aos 50



Cartazes publicitários ao creme de beleza, pó de arroz e rouge. Anos 40. Nos tempos em que estas coisas faziam "milagres" e as raparigas de 50 pareciam ter 18 anos. Era bom, era!

08/05/2019

Adeus, Camolas!





As notícias destes dias deram-nos conta do falecimento de José Carlos da Silva Camolas, antigo avançado que se sagrou bicampeão nacional pelo Benfica em 1966/67 e 1967/68, faleceu segunda-feira, aos 71 anos, ainda relativamente novo.

Camolas representou outros clubes como o S.C. Varzim, Os Belenenses e União de Tomar, clube onde esteve oito épocas e onde se tornou porventura mais popular e reconhecido. Na parte descendente da carreira alinhou também por clubes como o Benfica de Castelo Branco, Alcains, Escalos de Cima e Palmelense.

Para além da notícia, sempre triste mas natural, porque todos morremos, o desaparecimento do mundo dos vivos do Camolas tem o significado de que os nomes populares e emblemáticos do nosso futebol e do nosso imaginário dos anos 60 e 70 também morrem. Foi assim com José Torres, Vitor Baptista, Eusébio e com muitos outros, de vários clubes e não só do Benfica, e assim continuará a ser.
Camolas, para além da qualidade que naturalmente evidenciava como futebolista, tinha o dom de ser um nome de futebolista, daqueles que pegam à primeira e se tornam inesquecíveis pela forma redonda e fácil como saem da boca. Um nome digno de cromo, como, de resto, muitos outros e os exemplos seriam mais que muitos.

Figurará sempre nas nossas memórias e em muitas das nossas cadernetas de cromos, mesmo que naqueles de caramelos, impressos tão toscamente que em muito aumentam a mística e a saudade desses tempos e dessas figuras que povoavam e ainda moram em algumas das nossas cadernetas e colecções.
Que descanse em paz o Camolas! 

29/04/2019

Philips 660 X


Cartaz publicitário ao receptor de rádio Philips 660 X - Ano de 1947

"Um dos melhores receptores de alta fidelidade que leva o nome Philips. Este modelo possue todas as qualidades que fizeram do nome Philips um símbolo de excelência no mundo inteiro, incluindo o desdobramento automático de banda o que torna a captação de ondas curtas tão fácil e segura como a de ondas médias.
Peça uma demonstração nos revendedores autorizados da Philips - De som natural como o canto das aves".

Sobre a Philips

16/04/2019

Camisaria Moderna


Cartaz publicitário do ano de 1958.

Do que foi possível apurar, a Camisaria Moderna terá tido origem em 1876, no Rossio, em Lisboa e mais tarde, em 1932, adquirida pelo empresário António Regojo Rodriguez, já dono da prestigiada marca de camisas "Regojo" que fabricava e comercializava desde 1919. A empresa proprietária passou por diversas alterações e transformações decorrentes da dinâmica de mercado, e ainda anda por aí, como "Grupo Regojo", mas quanto à loja da "Camisaria Moderna" encerrou portas há poucos anos, em 2016, e com isso o fim de um ciclo cheio de vivências comerciais. Coisas da vida e do tempo, uma verdade tão branca, branquíssima, como as camisas da Moderna.





09/04/2019

Austin Seven - Um mini para sua máxima satisfação


Cartaz publicitário de 1960 ao automóvel modelo Austin Seven

O modelo Mini, é um dos mais emblemáticos do mundo automóvel. No entanto, apesar das semelhanças, este modelo aqui publicitado refere-se ao Austin Seven, que pretendia ser uma versão modernizada do também emblemático Morris Minor produzido uns anos antes, nas décadas de 40 e 50.

Este modelo fabricado pela British Motor Corporation (BMC) foi desenhado por Sir Alec Issigonis, tendo sido idealizado para ser um automóvel com baixo consumo boa  dinâmica de condução e sobretudo a um preço reduzido para a época.

Em rigor, este Austin Seven era uma espécie de homenagem ao seu bem sucedido antepassado Austin Seven, produzido durante os anos 20 e 30, rivalizando então pela Europa com o americano Ford T. Mas juntamente com o Seven, na mesma altura (1959), também da mão de Sir Alec Issigonis, foram fabricadas e lançadas duas versões similares, o Seven, a que nos referimos e o Morris Mini Minor, menor nas suas dimensões,  cuja designação pretendia precisamente realçar as diferenças de tamanho dos dois modelos.
Em França e nos Estados Unidos o Mini e Seven foram vendidos como Austin 850 e Morris 850 , em referência à cilindrada.

O Mini apresentava dimensões de 3,05 m de comprimento, com distância entre eixos de 2,03 m e uma largura de 1,41 m e 1,35 m de altura. Quanto ao peso, era levezinho, apenas com 570 Kg o que fazia render o combustível alojado num tanque com capacidade para 25 litros. O consumo previsto era de 5 litros/100 Km.
Pessoalmente, pelos anos 80, era pendura habitual num Mini, vermelhinho, de um colega que tinha feitio de piloto, o que significava que era sempre a assapar. O pior de tudo, talvez por já ter uns anos o carro, era forte o cheiro a gasolina que se sentia no interior do habitáculo. Bons tempos...

Depois de alguns anos no adormecimento, já sob a alçada da construtura alemã BMW, em 2001 o Mini foi relançado com todas as características e tecnologias dos tempos actuais,  voltando a trazer o modelo para os seus tempos de glória, sendo um carro apetecido sobretudo junto dos jovens. O seu relançamento serviu de inspiração a outros modelos clássicos, de outras marcas, que têm sido redesenhados e lançados no mercado com a aura da nostalgia, nomeadamente o VW Carocha e o Fiat 600.

08/04/2019

Peugeot 203 - Já não se fazem carros assim...


Cartaz publicitário ao modelo automóvel Peugeot 203 - Ano de 1949


O modelo foi exibido no Mundial do Automóvel de Paris em 1947, mas nessa época, já estava em desenvolvimento por mais de cinco anos. A produção foi inicialmente prejudicada greves e falta de matéria prima, mas a produção se regularizou em 1948 e as entregas começaram a ser efectivadas no início de 1949.

O 203 foi o primeiro modelo da Peugeot lançado depois da Segunda Guerra Mundial. Durante os seus doze anos de produção saíram quase 700.000 unidades de vários modelos da linha de produção em Sochaux, França. Entre a retirada do 202 em 1949 e o lançamento do 403 em 1955, o 203 foi o único modelo produzido pela Peugeot.

O último Peugeot 203 saiu da linha de produção em Sochaux em 25 de Fevereiro de 1960. Três meses depois no final de maio, o modelo foi retirado do catálogo de preços.

[fonte: Wikipedia]

03/04/2019

Nestlé - O melhor para todos os usos


Cartaz publicitário do ano de 1949

Já temos aqui falado e recordado temas relacionados à Nestlé, uma marca reconhecidamente global, nomeadamente no segmento de alimentos destinados às primeiras idades. Hoje damos à estampa um cartaz publicitário inserto em revista do ano de 1949, com grafismo bem ao estilo da época.