28/06/2019

Pó de arroz Pompeia


Cartaz publicitário do ano de 1944.

Hoje em dia as mulheres continuam a preocupar-se com o seu aspecto e  não surpreende que na generalidade continuem a dar importância à maquilhagem ou, como modernamente se diz, porque adoramos inglesismos, ao make up. As marcas e produtos de beleza de rosto são mais que muitas e populares. Cabelos, pele, olhos e lábios não escapam aos retoques. Todavia, o "pó-de-arroz" enquanto tal caiu em desuso.
Noutros tempos, porém, o "pó-de-arroz" era rei na arte de amaciar e perfumar a pele do rostos das senhoras e por isso fazia parte do leque de produtos de beleza. Era, pois, um produto popular, nomeadamente pelos anos 40, a que se refere o cartaz publicitário acima, dos anos 40.
Neste caso em concreto, uma das marcas populares, o "Pompeia" da casa francesa L.T. Piver - Paris. Para além do "pó-de-arroz", sob a mesma marca eram vendidos outros produtos associados à beleza feminina, incluindo cremes, sabonetes e perfumes. De resto a marca ainda existe e continua a tratar da beleza.
A marca tem as suas origens no remoto ano de 1774 quando foi lançado o perfume "A la Reine des Fleurs" (A Raínha das Flores). O seu fundador, Michel Adam era uma pessoa dinâmica e em pouco tempo os seus produtos forneciam nem mais nem menos que a corte de Luis XVI e depois outras cortes reais europeias. A Michel sucedeu um seu filho e mais tarde Louis Toussaint Piver que iniciou uma dinastia que tem estado à frente da empresa.

Na foto abaixo, uma das caixas em estilo da época em Arte Deco em que era embalado o pó mágico.

27/06/2019

Pastelaria Bijou



Cartazes publicitários da primeira metade dos anos 40

Terá sido por pelo ano de 1889, próximo do Natal, que abriu ao público lisboeta a "Pastelaria Bijou da Avenida" ou mesmo com a designação em francês, por ser chique, "Patisserie Bijou de L´Avenue". Então propriedade de António José Alves, abriu portas no Nº 75 da Avenida da Liberdade. Por questões diversas com o senhorio do prédio, o estabelecimento mudou de edifício, mas para perto., mantendo-se na avenida. 
Pelos anos 40, após algumas mudanças e abertura de filiais, o estabelecimento era conhecido apenas por Pastelaria Bijou, sedida nos números 84 a 88 ainda da Avenida da Liberdade. 
Notícias relativamente recentes dão conta que o emblemático estabelecimento de coisas doces e boas encerrou de forma definitiva e no mesmo local foi montada uma loja de vestuário.
Sinais dos tempos.

05/06/2019

Motorizadas antigas - Emblemas e autocolantes - 1

Com tempo, iremos publicando por aqui alguns dos emblemas e autocolantes de alguns dos modelos de motorizadas fabricadas em Portugal pelos idos anos de 60, 70 e 80. 
As imagens são reproduções a partir de originais, embora nalguns casos em variantes de cor e modelo, mas ambas elaboradas por nós no formato vectorial, embora aqui publicadas em formato raster.





04/06/2019

Motorizadas e motorizadeiros



Tecnicamente a coisa designa-se de ciclomotor, que em regra corresponde a um veículo de duas ou três rodas, equipado  com um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda 50 cm3 e com velocidade máxima de fabrico programada para os 50 km hora. 
Mas entre nós, este bicho na versão de duas rodas, equipado com o tal motor de 50 cm3, mas com velocidades máximas que podem perfeitamente atingir 100 Km/hora, popularmente designa-se de motorizada. A única diferenciação para um motociclo ou mota é fundamentalmente a cilindrada e obviamente a estrutura e tecnologia adequada à potência e velocidade. 

As motorizadas existem, pois, há bastantes anos, mas entre nós generalizaram-se na década de 70 e 80. Depois disso entraram na moda as práticas scooters, menos barulhentas e poluentes  e mais económicas. Com o aumento do poder de compra, depressa os automóveis e motociclos de maior potência e capacidade tecnológica, sobretudo das marcas japoneses, vieram quase de forma definitiva encostar as velhinhas motorizadas ou mesmo remetê-las para a sucata. Em face dessa realidade, pelo final dos anos 80 e seguintes algumas das nossas mais emblemáticas empresas fabricantes de motorizadas acabaram por fechar portas e na falência.

Há poucos anos, porém, entrou na moda o mercado dos artigos clássicos ou chamados vintage. Tal como muitos outros produtos, incluindo os coleccionáveis, como cromos, brinquedos, revistas, livros, relógios, etc, as motorizadas tornaram-se também objectos apetecíveis para tal mercado, em muito impulsionado pela saudade de outros tempos. Assim, quem pelos anos 70 e 80 comprou a sua motorizada logo que completou os 18 anos de idade, agora já quarentões e cinquentões, estão a recuperá-las e a dar-lhes nova vida, juntando-se em grupos ou em clubes, designados de motorizadeiros, que aos fins-de-semana, nomeadamente quando o tempo o permite, se reúnem, dando umas voltinhas e convivem dando a conhecer as suas "meninas" ou "princesas", trocando experiências e aspectos técnicos ligados às peças e ao restauro e partilhando memórias de outros tempos.

É certo que para trás ficaram os verdes anos de adolescentes montados nas suas motorizadas, percorrendo velozes os sítios e festas à procura de raparigas, e agora as pobres motorizadas, também elas com o peso dos anos, mesmo que renovadas no aspecto e mesmo em algumas peças, vêem-se montadas por homens de meia idade, invariavelmente gordos e barrigudos, numa imagem de nostalgia mas com uma boa dose de caricatura. Mas as coisas são como são.

Com toda esta moda, estão abertos mercados de venda de peças e de restauro das velhinhas motorizadas e há modelos para todos os gostos, mas quase sempre ligados aos clássicos motores e modelos de marcas como Sachs, Casal, Zundapp, KTM, Famel, EFS, SIS, Macal, Florett, Kreidler, etc. Os mecânicos de motorizadas encontraram um nicho de marcado e não têm mãos a medir. O que dá para restaurar restaura-se, e o que não, vende-se em peças. Uma qualquer motorizada que pelos anos 70 ou 80 custava 50 ou 60 contos vende-se agora, devidamente restaurada, a 1000, 1500, 2000 euros e até mais, dependendo da idade e raridade do modelo ou do estado de conservação base.

Pela minha parte, logo no início de 1980 comprei também uma motorizada, que ainda possuo, um modelo da EFS Fórmula 1 com motor alemão da Sachs, de 5 velocidades, cor preta. O mesmo modelo mas com variantes, também foi comercializado com o motor Kreidler, tipicamente da Florett, mas também com  Zundapp e Casal, bem como noutras cores, nomeadamente um dourado/cobreado e mesmo vermelho. Se a memória me não atraiçoa, esta Fórmula 1 era dos modelos mais caros disponíveis no stand e custou-me cerca de 60 contos, pagos a prestações garantidas por letras de câmbio. Deu muitas voltas em tempos de solteiro e mesmo já depois de casado, e dessas muitas voltas sobram muitas histórias à sua volta.

Depois de comprado o primeiro carro, tem estado encostada e apenas muito ocasionalmente  a ponho a trabalhar para que não "adormeça" definitivamente. Por estes dias, tirei-lhe o pó, e depois de alguns empurrões lá pegou e até permitiu dar uma pequena volta. Até uma nova oportunidade, vai voltar a ficar encostada.
Por um lado há a tentação de a restaurar, com pintura e cromados novos e reposição de uma ou outra peça já desaparecida ou avariada e uma afinadela no motor. Mas por outro lado não sou adepto de restauros profundos porque acho que as coisas têm que demonstrar o peso e o efeito dos anos e do uso. Daí que muitos as queiram afinadas mas com a patine ou marcas próprias do tempo. Mas são opções e até há muitos motorizadeiros que à falta das suas motorizadas originais, que venderam ou mandaram para a sucata, acabam agora por comprar semelhantes às que tiveram ou desejaram ter. Sentimental e afectivamente não é a mesma coisa, mas remedeia.

Seja como for, mania, moda, saudade ou mais do que isso, não deixa de ser interessante e positivo que se recuperem velhas máquinas que tiveram um papel importante na vida de muitas pessoas, num tempo em que os meios eram poucos e os automóveis um luxo reservado a ricos.

Pessoalmente, confesso, não ligo patavina às motos (com excepção das verdadeiras clássicas) e o conceito de motard não me diz absolutamente nada e acho tanta piada a uma concentração de motas e motards como estar parado numa fila de trânsito em plena auto-estrada num dia de calor tórrido. Em contrapartida, quanto às motorizadas, estas têm de facto alguma magia pela sua simplicidade mecânica e estrutural e pelo contributo que deram a uma certa classe operária, traduzindo-se num meio de transporte prático e económico, ajudando assim ao desenvolvimento de uma grande parte da população portuguesa, de modo notório nesses idos anos de 60, 70 e 80. Por outro lado, muito ao contrário das motos, as motorizadas tiveram em Portugal, sobretudo na região da Bairrada, uma importante implementação industrial que em muito contribuiu para o desenvolvimento não só da região como do país. Foi um sector com história e tradição.

É certo que os tempos actuais são outros, e continuam a vender-se motas e motociclos, incluindo chinesas, até em resposta ao crescente aumento dos combustíveis, mas já num contexto social muito diferente, sendo que, todavia, o automóvel veio definitivamente sufocar a importância dos concorrentes de duas rodas. Mas com os combustíveis a subirem a preços quase criminosos, porque altamente afectados por impostos, não tardará o tempo em que os  carros, pelo menos nas urbes, darão a lugar aos bichos de duas rodas e até mesmo a bicicletas, de resto como já sucede em muitas cidades e muitos países.

Vejamos, entretanto, se esta moda das motorizadas e dos motorizadeiros será sol de pouca dura ou se veio para ficar, sendo certo que as velhinhas máquinas nunca perderão a sua magia e o seu peso histórico.

Quanto à EFS, a ter em conta alguns dados publicados pela web,  a marca nasceu em 1911, fundada por Eurico Ferreira de Sucena, com estabelecimento na Borralha, em Àgueda,  então como fabricante de de acessórios para bicicletas e para o ciclismo. Anos depois, em 1939, a EFS fabricou as primeiras bicicletas a pedais e posteriormente em 1952 iniciou a produção de bicicletas equipadas com motor.
A década de 1960 foi muito positiva para a marca de Eurico Ferreira de Sucena, com um incremento das encomendas para o mercado interno mas também com o início das exportações dos seus veículos para alguns países europeus, americanos e mesmo asiáticos.

A empresa continuou a crescer nos anos seguintes e em 1974 entrou em laboração uma segunda unidade industrial, localizada em Avelãs de Caminho - Anadia, dando-se simultaneamente a mudança da sede e administração da EFS.
O grosso da produção centrava-se então nos ciclomotores mas em 1978 a empresa dá corpo aos motociclos com a fabricação de uma moto de 125 cm3 equipada com motor Puch, de dois tempos. De resto a empresa não tinha motor de fabrico próprio e os seus modelos eram equipados sobretudo com motores Sachs, Zundapp, Casal, Puch e Kreidler, Cucciolo, Derbi, Minarelli e até mesmo da japonesa Yamaha.

Já na década de 1980, embora ainda com muita venda de ciclomotores, a EFS deparou-se com forte concorrência, nomeadamente de outros países e acabou por entrar em decadência e veio mesmo a encerrar as portas.  De resto esta mexida no mercado por essa época afectou muitas empresas do ramo, como a Macal, Casal, Famel e muitas outras que caíram inapelavelmente deixando um rasto de história.

Por sua vez, a metalurgia Casal foi fundada em 1964 por João Francisco do Casal. Foi a maior fábrica de motores nacionais, produzindo motores de diversas cilindradas para diversos fins, incluindo motociclos. A Casal foi a marca portuguesa que atingiu maior notoriedade e chegou a exportou para diversos países.
A Famel, Fábrica de Produtos Metálicos, foi fundada em 1949 na Mourisca, em Águeda, por João Simões Cunha, Augusto Valente de Almeida e Agnelo Simões.

Tungsram - Até parece dia!


Mais um cartaz publicitário da Tungsram - Ano de 1944.

03/06/2019

Tungsram a dar à luz


Cartaz publicitário do ano de 1944.

Entre nós não será uma marca muito conhecida, mas a Tungsram é uma empresa já com uma longa idade. Esta empresa sediada na Hungria teve a sua fundação no ano de 1896 e começou por produzir equipamentos telefónicos, cablagens e quadros de distribuição, passando posteriormente ao campo das válvulas electrónicas e lâmpadas e iluminação no qual se tornou das mais importantes na Europa, concorrendo com marcas como a alemã Osram e a america General Electric. 
Em 1989 foi privatizada e adquirida pela GE - General Electric. Recentemente a GE Lighting vendeu o seu negócio de iluminação na Europa e da respectiva compra a Tungsram voltou a ser uma empresa e marca autónomas e continua em crescimento no ramo da iluminação, inovando no sistema LED, sendo uma das mais importantes empresas húngaras com um significativo número de empregados.

30/05/2019

Cafés portugueses...são dos melhores



Cartazes publicitários, dos anos de 1941 e 1942, de apelo ao consumo de cafés com origens nas então províncias ultramarinas. 

Terá sido no reinado de D. João V, que Francisco de Melo Palheta introduziu a cultura do café na então colónia do Brasil, que depressa  se torna no maior produtor mundial. Desde então o café foi introduzido também nas ex-colónias portuguesas de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Já quanto a Angola deve-se a sua mplementação a missionários portugueses. Quanto a Timor terá sido por iniciativa dos holandeses a propagação da cultura do café.

Não espanta, pois, que com a generalização do hábito de consumo do café, pelas suas qualidades estimulantes e mesmo medicinais, a sua produção tenha também aumentado nas ex-colónias portuguesas a ponto deste produto se tornar num dos mais importantes para a economia portuguesa de então e das suas províncias ultramarinas. Essa importância reflectia-se pela publicidade ou propaganda que o próprio Estado ou suas instituições promoviam ao consumo do café, como disso é exemplo a publicidade acima, em cartazes de 1941 e 1942, por isso já durante os difíceis tempos da II Guerra Mundial.
Escusado será dizer que na actualidade a cultura do café e sua exportação continuam como importantes nas economias dos respectivos países produtores.

Hoje em dia o consumo faz parte dos hábitos diários da maioria da população mundial, até mesmo já em regime de dependência. Assim, a indústria relacionada ao café tem crescido e diversificado na forma de levar o café ao consumidor, como a tendência recente do fornecimento em cápsulas herméticas, com diferentes aromas e intensidades, que, a par da generalização de máquinas de pequeno formato e baratas, permitem uma fácil e rápida preparação. O consumo de café tornou-se assim popular e democrático, mesmo que não propriamente barato. Apesar disso, ainda não se dispensa o hábito de tomar um café, bica ou expresso, ou outras formas, no local próprio, isto é, à mesa ou balcão do café. Não deixa de ser significativo que o produto café tenha dado nome ao estabelecimento onde é servido. Poucos produtos terão tido esta influência histórica e social.

Noutros tempos, porém, e remeto-me lá para os idos das décadas de 60 e 70, o café na nossa casa na aldeia era vendido a granel, nas mercearias, já moído, e era preparado em cafeteiras de ferro ou alumínio. Bebia-se ou tomava-se em abundância, simples ou com leite. Não raras vezes era a primeira refeição do dia, o pequeno almoço, misturado-se com pão, de trigo ou mesmo de milho.
Dizem, os mais velhos, que por essas alturas o café era café e que cheirava e sabia como tal. Hoje em dia, o café é apenas um pequeno e caro gole servido numa minúscula chávena mas que não se dispensa. Outros tempos.

29/05/2019

José Mário Branco - Permanente inquietação


Já falamos [aqui] de José Mário Branco, ilustrando então, como agora, o artigo com uma capa da emblemática revista Tele Semana de 12 de Julho de 1974.
Por estes dias, em que fez 77 anos de idade (nasceu a 25 de Maio de 1942), um grupo de uma dezena de músicos sobre a égide da Valentim de Carvalho lançou na véspera, sexta-feira, 24 de Maio, um disco de tributo e agradecimento ao cantautor, com a interpretação de várias das suas músicas que foram êxitos durante a sua longa carreira.

Erva de S. Roberto



A Erva de S. Roberto é uma planta relativamente vulgar e que cresce espontaneamente por todo o país, de modo especial em campos, cômoros, muros de pedra e bermas de caminhos. É caracterizada pelos seus caules vermelhos, pequenas flores lilás e um aroma acre, forte e pouco agradável.
Sendo bastante vulgar, é uma planta há muito conhecida pelas suas fantásticas propriedades medicinais, sendo indicada sobretudo para inflamações, problemas na boca, como aftas, úlceras, hemorragias, hemorróides, cálculo dos rins, nefrite, infecções ao nível dos olhos, gastrites e muitas outras. 

Esta erva é por conseguinte muito abundante na minha aldeia e desde há muitos anos que conheço as suas propriedades e indicações.
A Erva de S. Roberto, também conhecida por Bico-de-Cegonha (no Brasil) e Erva Roberta, entre outros nomes, estava sempre disponível na "farmácia da minha bisavó, profunda conhecedora de tudo quanto era erva medicinal. Colhia-a na fase madura, quando já tinha florido e as suas folhas e caules adquiriam uma cor avermelhada. Depois de seca em local sombrio, era utilizada na preparação de chãs.

Mais do que pelas características de erva medicinal, recordo esta planta sobretudo pelas suas sementes características em forma de espigão, ou até mesmo de espermatozóides gigantes. Quando maduras uma vez separadas cada uma das sementes do invólucro, os respectivos chicotes retorcem-se ao calor do sol. Por esse motivo, as crianças do meu tempo costumavam espetar na roupa esses espigões para os ver a retorcer ao sol, a encaracolar sobre si. Quando isto acontecia, dizíamos uma pequena lenga-lenga: "Serafim torce torce! Serafim torce, torce!" 
É claro que ignoro a origem desta brincadeira mas sei que era muito conhecida por todas as crianças do meu tempo. As ervas, essas por esta altura do ano povoam a traseira do meu quintal entre cidreira e menta.

[Nota: Artigo em reposição, publicado no Santa Nostalgia há dez anos, em 29/05/2009]