Chocolates PAN - Derreteu





Por estes dias (27 de Fevereiro) soubemos da notícia de que a Justiça brasileira, no Estado de S. Paulo, decretou a falência da PAN - Produtos Alimentícios Nacionais, S.A., popularmente conhecida por fabricar diversos itens comuns, como moedas, cigarros e lápis (os chocolápis)  mas em chocolate.

A empresa, na actualidade com pouco mais que meia centena de funcionários, nos últimos (2016) tempos passou por diversas mudanças na sua propriedade e capital social, com a compra pelo Grupo Brasil Participações, mas mesmo com essa reformulação não resistiu às vicissitudes do mercado e dos contextos dos últimos anos, afectados pela Covid 19, pelo que parece que agora a fábrica de chocolate, incapaz de cumprir as suas obrigações fiscais,  derreteu de vez.

Para os brasileiros ficam décadas de história e nostalgia dos emblemáticos produtos, mas mesmo em Portugal, pela década de 1970 e mesmo 1980 era comum encontrá-los à venda e foram comercializados, sobretudo na forma de moedas e os cigarrinhos, o que permitia à criançada simular que, tal como os irresponsáveis dos adultos, também fumavam, o que dava um certo estilo para além do sabor da guloseima.

A companhia foi fundada em 12 de dezembro de 1935, pelos engenheiros Aldo Aliberti e seu cunhado Oswaldo Falchero, com sede na Rua Maranhão, na cidade de São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Os seus primeiros produtos foram o Cigarrinho de Chocolate e a Bala Paulistinha, esta inspirada na Revolução Constitucionalista de 1932 —, além de barras de chocolate em formato quadrado.

Em 1941, a PAN promoveu um concurso que consistia em completar um álbum de cromos (figurinhas) com figuras ligadas à astronomia, as quais eram fornecidas com as referidas balas paulistinhas. Para quem completasse a caderneta eram atribuidos vários prémios. Este concurso que terá durado dois anos ajudou em muito à popularidade da marca e dos seus produtos.

Algumas curiosidades: O menino negro, Paulinho Pompéia, que se tornou emblemático nas caixas dos cigarrinhos, foi na altura recrutado no popular Circo Garcia onde fazia de palhaço Berinjela. Foi o início de uma boa carreia no mundo da publicidade, da rádio e da televisão. Paradoxalmente, Paulinho, hoje com quase 70 anos,  nunca ganhou o vício de fumar nem consome chocolate pois não gosta.

Mais tarde, por meados da década de 1990, quando o "fumar" deixou de ser politicamente correcto, a fábrica foi obrigada a mudar essa imagem e os cigarros passaram a ter a designação de rolinhos e ainda mais tarde mudaram a ser os chocolápis, por isso na forma de lápis de cor. Certo é que a coisa acabou por perder a magia.

Infelizmente, como tantas vezes acontece no mundo empresarial, não basta que as empresas tenham história e popularidade para resistir às ondas do oceano dos mercados e por isso dá pena que esta história de uma fábrica de chocolates e guloseimas tenha tido um final amargo.


[imagens: Web, Folha de S. Paulo e Globo]

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